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A chegada do Novo Ensino Médio

As novas gerações que se preparem, pois a mobilização para o Novo Ensino Médio já começou no Brasil.

relogio min de leitura | Redação 23 de janeiro de 2017 - 18:28
Imagem ilustrativa da imagem A chegada do Novo Ensino Médio

As novas gerações que se preparem pois a mobilização para o Novo Ensino Médio já começou no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), ao longo de dois anos, o governo vai investir R$ 1,5 bilhão para converter escolas para tempo integral, com as primeiras mudanças já a partir do primeiro semestre deste ano.

Até o fim de 2018, a meta é ter 500 mil jovens em escolas de tempo integral. Mais do que um tempo maior, o objetivo do projeto proposto pelo presidente Michel Temer é ajudar o estudante a se desenvolver mais plenamente.

Para a mudança ocorrer, as secretarias estaduais de Educação deverão indicar um número de escolas para participar do programa. Cada unidade que aderir ao projeto vai receber R$ 2 mil por aluno ao ano.

A mudança será feita por meio de Medida Provisória. Entre as principais estão a ampliação da carga horária mínima anual de 800 horas para 1,4 mil horas; flexibilidade do currículo escolar, que será dividido em dois, uma parte com disciplinas fixas obrigatórias e outra com optativas, das quais o aluno poderá construir uma grade de acordo com seu perfil e projeto de futuro; autonomia para os estados, que poderão criar seus próprios currículos e políticas para o Ensino Médio de acordo com contexto histórico, econômico, social, ambiental e cultural de cada região; formação técnica no período normal de aulas, sem necessidade de que o aluno esteja no ensino integral; e por fim, créditos para o ensino superior, quando o aluno concluir uma disciplina no Ensino Médio, ele poderá aproveitar o conteúdo já cursado quando chegar à universidade ou ensino técnico.

Na opinião da professora Yonara Costa, não existe proposta de melhorar a Educação que não passe pela valorização do magistério.

“A página do MEC afirma que a discussão sobre o novo ensino médio é antiga, então há um paradoxo quando ela é imposta via medida provisória. Faltou a discussão no legislativo para respaldá-la. Portanto, para mim, não existe proposta. Eu apoio a ideia de que as escolas sejam em período integral, mas discordo que todo tempo seja passado em sala de aula. As escolas de primeiro mundo oferecem uma gama de atividades, incluindo esportes, teatro, música, artes, jornal, rádio. Hoje, se o Brasil oficializar a escola em tempo integral será um turno para educação básica e outro para educação profissional e não acho que todos os alunos gostariam de ter educação profissional”, argumenta.

Segundo a professora, levaria mais de uma década até que todas as mudanças fossem efetivamente aplicadas em todas as escolas do país. “Por exemplo, um aluno que tem como objetivo fazer medicina, não convém que faça curso técnico, mas é interessante, por exemplo, que ele possa direcionar seus estudos em ciências da natureza. Mas, repito. Hoje não temos estrutura física para isso, e muito menos profissionais qualificados na área de Educação suficientes para o ensino integral”, completa.

Estudante do terceiro ano do Ensino Médio, Ruan Costa, 17, explica o que faria de diferente da reforma proposta. “Manteria as disciplinas de Artes e Educação Física como obrigatórias e estimularia os alunos de ensino médio a praticarem esportes e atividades que instiguem à criatividade para um melhor desempenho em sala de aula. Também é preciso investir mais na escola, nos professores que ministram estas aulas e no tipo de educação para melhorar a relação de aluno e professor”, observa.

Para ele, as mudanças na prática podem continuar mantendo o abismo existente entre escolas públicas e particulares. “Na prática, talvez não trará muitos benefícios, porque o currículo do ensino médio nas escolas particulares vai continuar o mesmo, então, os alunos terão acesso à todas disciplinas e matérias, sendo favorecidos nos vestibulares. Nas escolas públicas, o ensino médio visa mais a formação técnica e não em abrir portas para as universidades”, acrescenta.

Para o ex-aluno Luís Filipe Pimentel, 19, a não obrigatoriedade de todas as disciplinas e especialmente a ausência de atividades físicas no currículo também são pontos desfavoráveis da reforma que, apesar disso, é necessária para o país. “Para mim, ex-aluno de escola pública, há de fato uma nova mudança que proporciona não só as novas disciplinas do conhecimento, como também uma Formação Técnica Profissional. De certa forma trará benefícios para o aluno, pois ele poderá se aprofundar nas áreas de interesse. É claro que inicialmente vai ser difícil, pois é uma mudança e toda mudança requer adaptação, e será o que os alunos terão de enfrentar. Agora não serão mais disciplinas, e sim, áreas do conhecimento mais a especialização da área a qual futuramente o aluno irá seguir”, completa.

Psicólogo e professor especialista em Tecnologias Educacionais, Diogo Bonioli acrescenta que são várias as críticas que pairam sobre o Novo Ensino Médio.

“É uma grande surpresa para todos, inclusive professores, e infelizmente poderá encontrar muita gente despreparada. O Ensino Médio passa ser editado por uma Medida Provisória, isto é, não foi ouvida a classe competente, não houve fóruns ou discussões e muito menos foram ouvidos os Conselhos Estaduais. Apenas exigiram mudanças. A pergunta que a classe dos professores trazem é: existirão mudanças na saúde, na alimentação, na qualidade de vida e nas escolas que irão condizer com as “reformas da educação”?, questiona.

Para ele, a “praticidade profissional” proposta pela reforma pode trazer uma preocupação simplificada no “saber fazer” ao limitar os esforços à Língua Portuguesa e à Matemática, ignorando assim, o “saber refletir” com a não-obrigatoriedade das disciplinas reflexivas como a Filosofia e Sociologia.

Através de nota, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (Sinepe-RJ) informou que aguarda o documento final, ainda em fase de tramitação, para ter um posicionamento consistente e objetivo, que de fato norteie seus associados, evitando mais transtornos, já causados pela indefinição dos órgãos competentes.

Principais discussões da proposta

           - Promove alterações na estrutura do ensino médio, última etapa da educação básica, por meio da criação da Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral.

- Amplia a carga horária mínima anual do ensino médio, progressivamente, para 1.400 horas.

- Determina que o ensino de língua portuguesa e matemática será obrigatório nos três anos do ensino médio.

- Restringe a obrigatoriedade do ensino da arte e da educação física à educação infantil e ao ensino fundamental, tornando as facultativas no ensino médio.

- Torna obrigatório o ensino da língua inglesa a partir do sexto ano do ensino fundamental e nos currículos do ensino médio, facultando neste, o oferecimento de outros idiomas, preferencialmente o espanhol.

- Permite que conteúdos cursados no ensino médio sejam aproveitados no ensino superior.

- O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular - BNCC e por itinerários formativos específicos definidos em cada sistema de ensino e com ênfase nas áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional.

- Dá autonomia aos sistemas de ensino para definir a organização das áreas de conhecimento, as competências, habilidades e expectativas de aprendizagem definidas na BNCC.

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