Marcha das Mulheres Negras é recebida em audiência no Senado

Integrantes da marcha participaram de audiência no Senado
Foto: DivulgaçãoUm dia após a Marcha das Mulheres Negras, que reuniu 30 mil pessoas em Brasília, as participantes da caminhada contra o racismo e a violência cobraram maior protagonismo político e visibilidade durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Segundo Clátia Regina Vieira, coordenadora da Marcha, o conservadorismo do Congresso Nacional impede o avanço de políticas públicas e leis que permitam maior ascensão social dos negros. “Temos um legislativo que tem nos excluído, nos prejudicado e nos deixado à margem. Não vamos mudar a vida das mulheres negras, a vida do povo negro, se não ocuparmos cadeiras no Legislativo”, avaliou.
Mesmo sendo maioria da população (52%), os negros também ocupam poucos cargos de direção em empresas e órgãos públicos. A situação das cerca de 50 milhões de mulheres negras é ainda mais complicada, conforme apontou a ouvidora-geral da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis. “Nas 50 maiores empresas públicas e de capital misto do Brasil é uma vergonha. Não tem mulher negra nas gerências e diretorias”, criticou.
A Marcha das Mulheres Negras faz parte das comemorações pelo Dia da Consciência Negra, celebrado hoje, e teve participação de manifestantes de diversas partes do país.
A violência crescente contra essa parcela da população é uma das principais preocupações das militantes. Segundo o Mapa da Violência de 2015, o assassinato de mulheres negras entre 2003 e 2013 aumentou 54,2%.