Morre, aos 74 anos, o professor e historiador Joel Rufino dos Santos

Rufino não resistiu à cirurgia
Foto: DivulgaçãoO historiador, escritor e professor Joel Rufino dos Santos morreu na manhã de ontem, no Rio, aos 74 anos, por complicações após cirurgia cardíaca no dia 1º. Autor de mais de 50 livros de ficção e não-ficção, escrevia para adultos, jovens e crianças, sendo indicado mais de uma vez ao Prêmio Hans Christian Andersen, o Nobel da literatura infantil.
O ativismo de Rufino no movimento negro foi destacado pela presidenta da Ong Crioula e membro do Conselho Nacional de Igualdade Racial, Lúcia Xavier. “O papel que ele exerceu, tanto do ponto de vista intelectual como político, nos últimos 30 anos, foi muito importante.
Construiu novos instrumentos para trabalhar as culturas afro-brasileiras, e marcou sua vida política contra o racismo”, disse.
No mês passado, Rufino salvou a vida de um ladrão que era linchado em Copacabana, Zona sul do Rio.
Desde fevereiro, Rufino trabalhava no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro como diretor-geral de Comunicação e Difusão do Conhecimento.
Na sua gestão, foram realizadas iniciativas inovadoras, como a dramatização do desenforcamento de Tiradentes e um baile charme no próprio TJ.
Nascido em Cascadura, Zona Norte do Rio, cursou história na antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, onde começou a carreira de professor. Foi um dos co-autores da História Nova do Brasil, um marco da historiografia brasileira. Durante a ditadura exilou-se na Bolívia e Chile. Voltou ainda na ditadura clandestino e foi preso três vezes. As cartas que escreveu na prisão foram transformadas no livro “Quando eu voltei, tive uma surpresa”, em 2000.
Com a Lei da Anistia, foi reintegrado ao Ministério da Educação e convidado a dar aulas na graduação da Faculdade de Letras e, posteriormente, na pós-graduação da Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Deixa a esposa Teresa, os filhos Nelson e Juliana e os netos Eduardo, Raphael, Isabel e Victoria.