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Endometriose

Causa mais disfunções sexuais, diz estudo

relogio min de leitura | Redação 04 de maio de 2017 - 20:13
Estima-se que 10% da população feminina apresentam essa doença, que tem impacto negativo em vários aspectos da vida das mulheres, inclusive na função sexual. Os primeiros sintomas são dor na área pélvica e infertilidade
Estima-se que 10% da população feminina apresentam essa doença, que tem impacto negativo em vários aspectos da vida das mulheres, inclusive na função sexual. Os primeiros sintomas são dor na área pélvica e infertilidade -

Pacientes com endometriose têm mais que o dobro de disfunções sexuais em relação à população sem a doença. Isso é o que diz estudo realizado pela ginecologista do Hospital das Clínicas da USP, Flávia Fairbanks, que culminou em sua tese de doutorado pela Faculdade de Medicina da USP. Nele foram avaliadas 583 mulheres entre 2013 e 2015, sendo que 254 pacientes com endometriose e 329 mulheres sem a doença.

Na avaliação geral, 43,3% das pacientes com endometriose apresentaram disfunções sexuais, enquanto que na população sem a doença as disfunções ocorreram em 17,6%. A endometriose caracteriza-se pelo implante, crescimento e desenvolvimento de glândula/tecido endometriais fora do útero. Trata-se de uma doença ginecológica benigna que ocorre pelo refluxo de menstruação pelas trompas, acumulando células parecidas com o endométrio (e que, portanto, também “menstruam”), fora da cavidade uterina.

Estima-se que 10% da população feminina apresentam essa doença e, quando são estudadas populações específicas de mulheres com dor pélvica ou infertilidade, a prevalência pode atingir até 47% dos casos. É uma doença com impacto negativo em diversos aspectos da vida da mulher, inclusive na função sexual. Os principais sintomas da endometriose são representados por dor e infertilidade, relacionam-se diretamente com prejuízos na atividade sexual, mas aspectos específicos da função sexual dessas mulheres permanecem obscuros, o que motivou a realização deste estudo.

As principais causas são o refluxo menstrual, associado a causas genéticas (o risco é maior entre parentes de primeiro grau), ambientais (exposição a ambientes poluídos com resíduos de monóxido de carbono como as dioxinas) e imunológicas (o organismo não reconhece, adequadamente, esse tecido fora de lugar e não faz uma faxina adequada todos os meses, que serviria para remover esse tecido e evitar a doença).

A endometriose pode ocorrer entre a adolescência e a menopausa, em qualquer idade, mas a faixa dos 30-40 anos é a mais comum. O diagnóstico se baseia em ouvir as queixas da paciente (cólicas menstruais muito severas, dor nas relações sexuais, dores na barriga durante o mês, dificuldade para engravidar, alterações do intestino durante a menstruação e também da urina).

Também pode ser feito por exames complementares especializados (ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética da pelve) e também por videolaparoscopia - uma cirurgia que pode ajudar a tratar o problema.

Mesmo com os tratamentos acredita-se que a prevenção verdadeira não exista. Há muitos fatores envolvidos, porém, existem medidas que evitam que a menstruação seja muito abundante, como o uso de anticoncepcionais que reduzem o fluxo menstrual, o que é benéfico.

Os tratamentos são à base de medicamentos gerais, para alívio dos sintomas (analgésicos e anti-inflamatórios, associados a hormônios, para reduzir a menstruação e agir nos focos da doença, anticoncepcionais ou progesteronas específicas e, por vezes, cirurgia para restaurar a pelve.). Há, também, a possibilidade de tratamentos complementares, simultaneamente, com excelentes resultados: acupuntura para as dores, fisioterapia do assoalho pélvico e, recentemente, um estudo mostrou que a homeopatia também pode ter algum benefício.

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