'Olho de gato': sinal de alerta para câncer raro em crianças

A pequena Anelly de Oliveira Mourão, de apenas 1 ano e nove meses, sofre de um tipo raro de câncer: a retinoblastoma que, segundo a oncologista Denise Magalhães, é um tumor intraocular que ocorre mais na infância e costuma afetar crianças na faixa etária abaixo dos 5 anos. E após a "saga" para descoberta e tratamento da doença, os pais da menina, Jeniffer de Oliveira Mourão e Bruno Mourão Nunes, ambos de 27 anos, resolveram usar as redes sociais para alertar outros pais que passam ou possam vir a passar pelo problema.
"Nosso objetivo é apenas alertar outros pais que estejam passando pela mesma situação, mas não sabem ou não perceberam ainda", declarou Jeniffer.
Jeniffer contou que desde 8 meses Anelly apresentava um leve reflexo branco no olho esquerdo e que quando começou a caminhar, o casal observou que a menina costumava tropeçar e esbarrar com o lado esquerdo em paredes e móveis. Por conta disso, há dois meses, Bruno e Jeniffer começaram a fazer testes tapando o olho esquerdo da filha, enquanto ela assistia vídeos no celular e perceberam que não se incomodava com sua segunda vista tapada.
Bruno chegou a revelar à esposa sobre a suspeita de que Anelly não estivesse conseguindo enxergar com o olho esquerdo. A mãe acabou não levando a sério, mas naquela mesma semana tirou uma foto da menina com o flash ligado e constatou o reflexo que havia percebido no inicio, só que agora mais evidente. Na mesma hora, pesquisou na internet e descobriu que sua filha podia ter retinoblastoma.
A médica Denise Magalhães explica que o reflexo branco, mais conhecido como "olho de gato" é o sinal mais comum da doença e aparece quando o olho entra em contato com um feixe de luz.
"Em casos mais avançados, quando o tumor passa a ocupar todo o interior do olho ou se estende além dele (extraocular), podem surgir outros sintomas, como dor, vermelhidão, sangramento ou até mesmo abaulamento", revelou Denise.
O casal levou Anelly ao oftalmologista, e lá a pequena foi submetida a um mapeamento de retina e o profissional deu o diagnóstico de que realmente a menina tinha o câncer. Após uma ressonância magnética das órbitas e do crânio da menina, foi descoberto que o tumor estava alojado no globo ocular. Anelly foi encaminhada então para fazer tratamento no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio. Lá, ela foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e, consequentemente, do globo ocular esquerdo. Anelly continua em tratamento no Inca mas respondendo bem às quimioterapias.
Segundo a especialista, esse procedimento de retirada do globo ocular é feita quando a doença já está em estágio avançado ou quando não há mais visão.
"Mas existem outras formas de tratamento do doença que associados à quimioterapia podem apresentar um bom resultado, como braquiterapia, laser, termoterapia, crioterapia ou radioterapia externa", exemplificou a médica.