Vou desfilar como o Alabê de Jerusalém no abre-alas’

entrevista com o cantor Altay Veloso
Por Dayse Alvarenga e Aysha Guerreiro
Em entrevista exclusiva a O SÃO GONÇALO, o cantor, compositor e escritor gonçalense Altay Veloso revelou um segredo do carnavalesco da Viradouro, Max Lopes. “Queria desfilar no chão, me divertindo, cantando e dançando, mas Max (Lopes) acha importante que eu esteja no carro abre-alas. Então, para um cara que tem medo de altura, vai ser um desafio”, disse o artista, cujo livro e ópera “O Alabê de Jerusalém” escritos por ele é enredo da vermelho e branco de Niterói, na Série A do Carnaval Carioca. No bate-papo realizado na casa de Altay, no Porto de Pedra, ele revela ainda as novidades da carreira após o Carnaval.
O SÃO GONÇALO -Como surgiu a ideia de recriar a sua obra no contexto do Carnaval?
ALTAY VELOSO - A ideia não partiu de mim, foi uma ideia da escola e do querido carnavalesco Max Lopes. Quando apresentei a ópera no Teatro Municipal do Rio, ele estava lá no primeiro dia para assistir e quando terminou ele chegou para mim e disse: ‘Um dia vou fazer o Alabê como tema de escola de samba’. Fiquei muito feliz quando ele ligou e disse que tinha chegado a hora. Fiquei muito honrado também até porque ele é um sacerdote quando se fala em Carnaval. Ele sabe tudo. Estive na Cidade do Samba, e está tudo muito bonito.
OSG - Na ópera, você interpreta Ogundana, o personagem principal do livro e da ópera. Você também o viverá na avenida? Em algum carro alegórico?
ALTAY - Sim. Na verdade, queria desfilar no chão, me divertindo, cantando e dançando, mas Max acha importante que eu esteja no carro abre-alas. Então, para um cara que tem medo de altura, vai ser um desafio. Mas eu tenho que obedecer ao Max.
OSG - O samba-enredo, que tem como um dos autores seu parceiro Paulo César Feital, é considerado pela crítica como um dos melhores da atual safra. O que você acha do hino oficial da Viradouro?
ALTAY- Maravilhoso. Um samba que, na verdade, a quadra inteira se apaixonou e fala de tolerância, amor e igualdade, que é o que mais se precisa falar e ouvir nesses dias de hoje. A mensagem do Alabê de Jerusalém vem num momento dessa eferverscência e pode contribuir com uma gotinha de reflexão.
OSG - Quais seus planos após o Carnaval?
ALTAY - Não sei. Tenho o espírito aberto, sou da arte. Não sabia que ia ser autor de ópera quando comecei a tocar guitarra. Vi, gostei e disse: vou fazer. Não sabia que ia ser escritor, não sabia que ia para o Carnaval. Então não sei o que vai acontecer daqui a pouco, mas estou pronto. Acho que a arte, quando você se dedica com afinco, de forma genuína, as outras ficam em torno de você. Então estou pronto para todas elas. Estou traduzindo o Alabê para o inglês e francês, para o espanhol já está pronto. Já tem uma revista em quadrinhos do Alabê que está pronta e vai ser lançada no segundo semestre. Estamos escrevendo um musical do Alabê. Enfim não paro.