Poesia na passarela do samba
Sossego aposta na obra de Manoel de Barros para vencer na Série B do Carnaval carioca

Os jovens carnavalescos Leonardo e Gabriel recriaram nas fantasias os elementos da natureza
Foto: DivulgaçãoPor Marcela Freitas
A Escola de Samba Acadêmicos do Sossego levará ao desfile da série B, o enredo “O Circo do Menino Passarinho”, uma homenagem à obra do poeta Manoel de Barros, um apaixonado pela natureza, assim como a escola de Niterói.
O enredo desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora traz um resgate da tradição, da Escola do Largo da Batalha, que costuma ter êxito em seus desfiles quando desenvolve temas ligados à fauna e flora.
Cerca de 700 componentes desfilarão na Avenida Intendente Magalhães, em Campinho, Zona Norte do Rio, para tentar levar a agremiação ao tão sonhado grupo A, na Maquês de Sapucaí.
De acordo com o carnavalesco Leonardo Bora, estão sendo preparadas 16 alas, além de um carro alegórico e um tripé.
“Nessas alas vamos ter um passeio poético pelo universo do Manoel de Barros, misturando circo com natureza. Cada ala é identificada com um poema. Nossas baianas representarão a aranha caranguejeira. Vamos ter também o tatu representando o show da força e o ser mais forte do Pantanal. O bailar das feras do jacaré e onça pintada estarão representados pelo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira”, explicou.
Já Gabriel Haddad diz que o samba da escola tem um diferencial em relação aos demais, já que os compositores “entraram” na poesia de Manoel de Barros.
“Não é um samba tradicional. Assim como os poemas de Manoel de Barros, é sem rima. É um samba bastante livre e muito poético. Está fazendo muito sucesso e sendo considerado um dos mais bonitos pela crítica. Isso nos motiva bastante”, contou Gabriel.
Ordem de desfile - A niteroiense Acadêmicos do Sossego disputará duas das vagas para Série A do Carnaval carioca com outras 15 agremiações. A escola será a décima a desfilar em Campinho, com horário previsto para entrar na Passarela do Samba, por volta da meia-noite do dia 9 de fevereiro (Terça-feira de Carnaval).
Carnavalescos são jovens promessas
Gabriel Haddad tem 27 anos, é morador de São Francisco, em Niterói, e entrou no mundo do samba em 2008, defendendo enredo e alegoria para a Mangueira. Em 20013 apresentou um projeto de alegoria para Alexandre Louzada e, desde então, trabalha como assistente do carnavalesco. Nos grupos de acesso, estreou com um grupo de carnavalesco em 2013 na Mocidade Unidos de Santa Marta, levando dois campeonatos das séries D e C.
Leonardo Bora tem 29 anos e é do Paraná. Ele iniciou no Carnaval em 2008 como freelancer, na criação de logo marca de enredo. É professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e também iniciou como carnavalesco na Mocidade Unidos de Santa Marta e na escola mirim da Mocidade Padre Miguel.
