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Marlos Costa não esconde a vontade de assumir prefeitura

relogio min de leitura | Redação 08 de novembro de 2015 - 20:25
Foto: Alex Ramos

Por Elena Wesley

Após quase dois mandatos na Câmara Municipal de São Gonçalo, o vereador Marlos Costa (PSB) pretende migrar para o Poder Executivo, a fim de executar um projeto de governo em que o diálogo com a população seja prioridade. Para isso, defende a descentralização da administração pública com a implantação de subprefeituras nos distritos. O pré-candidato defende a criação de uma empresa pública responsável pela coleta de lixo, a instalação de clínicas da família e a contratação de professores de apoio para mudar o quadro dos serviços básicos de São Gonçalo.

O SÃO GONÇALO - Sua candidatura ao Executivo surge em uma nova legenda, após sete anos como vereador por um mesmo partido. Qual foi a razão desta transferência?
MARLOS COSTA - Mudar de legenda era um desejo antigo devido à falta de projeto do PT para a cidade. Eu conversei com outros partidos, mas optei pelo PSB por conta de uma identificação pessoal e ideológica. O convite do senador Romário apenas coincidiu para que esta vontade se concretizasse.

OSG - Como foi a articulação com o senador?
MARLOS - Considero o Romário a maior liderança política do Rio atualmente. É um honra fazer parte dos planos dele. O senador pretende reestruturar a legenda no Rio e isso se estende a São Gonçalo. Nesta perspectiva, eu assumi, além da candidatura a prefeito, a Executiva gonçalense.

OSG - E que projeto de governo seria esse?
MARLOS - É necessário manter o diálogo com a sociedade. Um bom gestor precisa aproveitar os talentos dos gonçalenses e fazer com que a cidade seja governada por eles. O primeiro passo para aproximar governo e população é promover a descentralização da administração pública. Para isso, proponho a criação de cinco subprefeituras, uma em cada um dos distritos da cidade. Um cidadão do Jardim Catarina não pode ir até o Centro para resolver problema tributário ou solicitar uma licença de obra.

OSG - Que propostas este projeto abrangeria?
MARLOS - São Gonçalo não possui uma área que possa ser destacada atualmente. A área da saúde, por exemplo, para ser eficiente, depende do desafogamento das unidades atuais a partir da criação de clínicas da família, unidades que contem com pediatras, ginecologistas, ortopedistas, distribuídas pelos distritos, pelo menos três em cada um deles. Quem vai ao posto de saúde, hoje, não encontra médico e vai para o Pronto Socorro Geral, que fica sobrecarregado.

OSG - E na área da educação? Quais seriam as prioridades do seu mandato?
MARLOS - Acabar com a aprovação automática, um sistema excludente pelo qual a escola finge que o aluno aprendeu, iludindo a família e resultando em uma gama de alunos no 5º ano incapaz de ler e escrever. Também é essencial intervir no déficit de professores no ensino básico, até mesmo para oferecer aulas de reforço com professores auxiliares.

OSG - Quais são as outras propostas?
MARLOS - Não vou prometer barca, metrô, pois estes projetos são de responsabilidade das instâncias estadual e federal, responsáveis pela liberação de recursos. O papel do prefeito é pressionar, participar das discussões. Se São Gonçalo é o único município da Região Metropolitana onde existe apenas a opção rodoviária, existem medidas possíveis para melhorar a mobilidade urbana. Os corredores expressos para ônibus, por exemplo, permitiriam mais organização e um fluxo de veículos mais rápido; os sinais de trânsito precisam estar sincronizados e a implantação de estacionamentos rotativos, além de gerar recursos para os cofres públicos, criaria postos de trabalho. Vale lembrar também da urgência por ciclovias e ciclofaixas, já que não existe qualquer segurança para os ciclistas gonçalenses.

OSG - Como uma cidade com alta taxa de inadimplência terá condições de realizar estas obras?
MARLOS - O orçamento gonçalense gira em torno de R$1,1 bilhão, sendo que apenas 30% deste valor é composto por recursos próprios, ou seja, arrecadação de IPTU e ISS. A outra parcela provém de transferências dos governos estadual e federal, garantidos pela Constituição. É evidente que uma boa relação junto às instâncias superiores é importante para obtenção de investimentos, porém é possível ampliar a arrecadação local sem aumentar tarifas ou criar novos impostos. Uma alternativa é facilitar a regulamentação de imóveis. Quero que a Prefeitura tenha uma equipe que possa executar este serviço de graça. Outra forma de obter mais recursos é atrair empresas para as três rodovias que cortam a cidade.

OSG - Como a experiência no Legislativo pode contribuir para um bom mandato no Executivo?
MARLOS - Me sinto completamente preparado para assumir a função de prefeito. Nesses sete anos, busquei resgatar o verdadeiro papel do legislador, que prioriza a fiscalização e a criação de leis em detrimento das políticas assistencialistas. O parlamentar ouve a população para formular políticas. Esta relação permite formular um diagnóstico com as necessidades do município e passar ao prefeito. Uma das reclamações constantes é em relação ao lixo. Por isso, defendo a criação de uma empresa pública nos moldes da Comlurb do Rio ou da Clin de Niterói.

OSG - Como pretende se relacionar com os movimentos da sociedade civil organizados no município?
MARLOS - Por ser um partido de centro-esquerda, o PSB-RJ se articula para atuar em frentes fundamentais ligadas à mulher, à juventude e à população negra. Temos pessoas ligadas ao Movimento de Mulheres de São Gonçalo como parte do nosso projeto por acreditar que estas pautas sejam fundamentais. A população jovem necessita de uma reparação histórica, que é a reativação da pista de skate da Praça Chico Mendes, assim como a instalação de outras, a criação de um parque público, de complexo esportivo e acordo definitivo junto ao Governo do Estado para administração da Fazenda Colubandê.

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