Saudades sem fim

O estudante Victor Hugo da Silva Braga, na época com apenas 15 anos de idade, morreu após baleado na cabeça, próximo de sua residência, na Rua Silveira Leal, no bairro Raul Veiga, em São Gonçalo, em julho de 2011. Este depoimento é uma resposta à carta enviada por Victor Hugo a sua mãe através do médium Rogério Leite, em abril desse ano.
"Hoje é o quarto Dia das Mães sem você, meu filho. Desde a sua partida, aprendi do jeito mais duro que a saudade é o pior sentimento que o nosso coração pode comportar. Em meio a tanta angústia pela sua ausência física imposta pelo seu desencarne tão precoce, imagino que deveria ser proibido que uma mãe perdesse seu filho. Por mais que eu tente, jamais esquecerei aquele quatro de julho de 2011, quando sem razão alguma, dois criminosos arrancaram você dos meus braços até os meus últimos dias dessa jornada terrena. No entanto, para a minha felicidade, você confortou meu coração ao escrever uma cartinha tão rica em detalhes impressionantes, tendo amenizado minha dor e descortinado dúvidas que eu tinha quanto à sua atual condição.
No dia 11 de abril, você provou o que meu coração de mãe sempre soube: você continua vivo, em outra dimensão, não perdeu a condição de meu filho, meu amado Victor Hugo. Tenho certeza de que pode imaginar tamanha alegria que senti ao ouvir seu ditado recebido pelas mãos do médium Rogério Leite, nosso novo amigo, como você mesmo disse. Mesmo sem nunca ter imaginado toda nossa história trágica, ele captou sua mensagem nas doze páginas mais lindas que eu já tinha lido em toda a minha vida. Você confortou meu coração para sempre.
Não tive dúvidas ao ouvir o início daquele ditado. Além de todos os detalhes, nomes de familiares, o que aconteceu naquele dia terrível, o que houve depois, você me surpreendeu ao reproduzir suas duas assinaturas de formas tão legítimas, a de sua identidade e outra que fazia em seus cadernos. O nosso amor permitiu que você me enviasse notícias para acalmar meu coração.
Muitas transformações aconteceram em mim após a sua partida. Digo com certeza de que a cada dia tento ser uma pessoa melhor, não só por mim, mas por você, para me sentir digna de seu amor. Um coração saudoso e privado da convivência do seu filho amado é o que pode entender o que digo. Por isso, talvez só as mães que perderam seus filhos para a morte possam verdadeiramente me entender.
Para as mães que têm seus corações dilacerados pela separação física de seus filhos, digo: a dor não cessará, mas a certeza de saber que seus filhos continuam vivos e a te amarem do mesmo jeito é a única razão para seguir suas vidas adiante, por mais difícil que pareça. A morte não existe. A imortalidade da alma é nosso maior patrimônio, como disse meu Victinho em sua cartinha. A vida precisa seguir o seu curso!
Quanto às mães dos assassinos do meu filho, Deivid da Silva Oliveira e Luis Cláudio de Almeida Fernandes, deixo duas perguntas e uma conclusão: Se vocês estivessem no meu lugar, como agiriam? Acham justo que seus filhos ceifem famílias por pura maldade, sem razão nenhuma? Só sei que um dia vossas consciências vão lhe cobrar por toda omissão, por terem criado monstros que não têm o menor respeito pela vida alheia.
A impunidade dura há quase quatro anos, mas a certeza de que pagarão por seus crimes é cada vez mais latente dentro de mim. A justiça dos homens pode até demorar, porém, a divina é certeira, não tem vacilações, ninguém fica sem punição.
A saudade de você, meu filho, me acompanhará por todos os dias de minha vida. Entretanto, saber de que está bem e olha por mim é como bálsamo para minha alma inquieta. Agora compreendo a razão de não termos tido a chance da despedida. Afinal, só dizemos adeus àqueles que não veremos mais. Para nós, um até logo!
Para sempre vou te amar!”
Eloisa Leandro da Silva, mãe de Victor Hugo da Silva Braga

