Mães em tempo integral
Elas têm histórias diferentes mas em comum a dedicação 24 horas as suas filhas

Valéria Lopes se ‘redescobriu’ mãe ao adotar a sapeca Laura, quando ela tinha quatro meses
Foto: Filipe AguiarPor Marcela Freitas
Mãe é uma palavra muito pequena mas apenas essas três letras são capazes de traduzir o mais sublime sentimento do amor. E hoje, quando é comemorado um dia só seu, O SÃO GONÇALO conta a história de duas gonçalenses, que decidiram, por motivos diferentes, ser mães em tempo integral, como forma de homenagear todas as mulheres que têm motivos de sobra para comemorar a data.
No dia 16 de julho de 1992, a professora Lourdes Duque Estrada, hoje com 62 anos, deu a luz a sua segunda filha, Pâmela da Silva Pinto Duque Estrada, com 22 anos atualmente. O pré- natal transcorreu com tranquilidade, mas por um erro durante o parto, a menina acabou sendo acometida por uma anoxia perionatal (ausência ou diminuição de oxigênio no cérebro durante o nascimento).
Dessa forma, a pequena Pâmela requereu atenção especial e, o que para muitos pais poderia ser um problema, para Lourdes, foi o início de uma linda história de amor entre mãe e filha.
Por não falar e nem andar, Pâmela precisou de atenção total, e foi então que Lourdes decidiu junto com seu companheiro, falecido há cinco anos, que deixaria o trabalho e se dedicaria apenas aos cuidados com a menina.
“Ser mãe de uma criança especial é ser escolhida por Deus para cumprir a missão que nos foi confiada. Pena que muitos pais não entendem essa missão. Eles são seres enviados por Deus e que vêm para unir a família e nos tornarem seres melhores”, disse a professora aposentada.
O carinho de Lourdes por Pâmela é tanto que todos os anos ela realiza uma grande festa de aniversário para a menina. “Ela é meu bebê, a minha rainha. Com a partida do meu marido, hoje eu vivo só para ela. Não sei o que seria da minha vida sem a Pâmela. Ela preenche o meu lar de amor. È uma filha amável e carinhosa”, definiu.
Lourdes, que também tem outro filho de 42 anos, só teme partir antes da filha. “Ela depende muito de mim. Não sei o que pode acontecer com ela sem eu estar por perto. Eu e meu marido nos dedicamos muito a Pâmela, mas a nossa família não teria essa disponibilidade. Hoje, se estou viva, é por ela. Apesar de cercá-la de amor eu sei, que ainda há muita discriminação”, relatou chorando.
E apesar de todo o trabalho diário, Lourdes conta que faria tudo novamente. “Se Deus me perguntasse: Nasceram duas meninas, uma normal e a tua especial, qual você quer? Responderia: A minha especial, pois presente de Deus não se renega. Amo muito minha Pâmela”, sentenciou.

Filha gerada no coração
A inspetora de qualidade Valéria Lopes de Farias, 51, mãe de três filhos e avó de oito netos, poderia estar vivendo a fase mais tranquila de sua vida, mas com vocação para mãe, ela está se redescobrindo em uma nova fase. Há sete meses, ela adotou Laura, que chegou à família com apenas quatro meses.
Casada há 11 anos com o servidor público Arlei Caldas Farias, 56, Valéria sempre quis construir uma família com ele, já que ele não tinha filhos biológicos. Mas, como não podia mais engravidar, o casal entrou há oito anos em uma fila de adoção.
Segundo o casal, quando a sapeca Laura chegou na vida deles, o amor foi à primeira vista.
“Estávamos na fila há muito tempo, mas nunca perdemos a esperança. Quando nos ligaram falando da Laura, parecia que estava a caminho da maternidade. Queria muito vê-la. Quando nos encontramos sabia que ela seria a nossa filha. O amor foi imediato”, contou Valéria.
Para se dedicar à menina, Valéria teve que abandonar o trabalho e não se arrepende.
“A Laura é um presente. Estou me redescobrindo mãe. Essa é uma fase mágica. Quando ela chegou a minha casa nem dormia direito para ficar olhando para ela. Com os outros filhos, trabalhava fora e não pude curtir tanto. Ela é a luz da nossa vida e enche a nossa casa de amor”, disse Valéria, que junto com o marido, também cuida de um neto de 11 anos.