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Viabilizar transporte para advogados é a prioridade

relogio min de leitura | Redação 30 de outubro de 2015 - 21:00

Por Elena Wesley

Com 47 anos de experiência na advocacia, Wilson Castro de Oliveira é o símbolo da chapa Nova OAB para dar continuidade às reformulações executadas pela atual gestão da Subseção de São Gonçalo. Integrante da mesa diretora em outros triênios, o advogado de 79 anos pretende viabilizar anseios ainda não realizados, entre eles o transporte gratuito
entre os fóruns da cidade, além de buscar alternativas para melhorar o relacionamento entre os profissionais e o Judiciário.

O SÃO GONÇALO - Conte sobre sua trajetória.

WILSON CASTRO - Passei por contratempos no comércio e por algum tempo no ramo da contabilidade antes de me formar em Direito, em 1968. Abri o primeiro escritório oficial de São Gonçalo como contador. Tive que deixar a Contabilidade ao perceber que era um pouco inviável trabalhar para os patrões ao mesmo tempo em que defendia os trabalhadores no Direito Trabalhista. Como advogado, apenas não atuei no Direito Internacional. Fui procurador do município na década de 1970 e participei de um momento delicado, quando Legislativo e Executivo entraram em conflito, o que culminou no impeachment do prefeito da época, com base nos mandados de segurança que eu elaborei. Atualmente, sou um dos 53 membros do Conselho da 8ª Subseção, criado em um dos mandatos do atual presidente José Luiz Muniz.

OSG - O que a gestão vigente realizou e que, para o senhor, deve ser continuado?

WILSON - Desde 2007, quando o Luiz Alberto assumiu a presidência após 16 anos de uma mesma corrente no poder, foi iniciado um processo de reformulação na estrutura física e do papel do advogado. Era necessário recuperar a credibilidade e promover um maior envolvimento às causas sociais. Conquistamos melhorias nas salas da OAB nos fóruns e nos polos da Justiça Federal e do Trabalho, ampliando o horário de funcionamento e os equipamentos modernos disponíveis aos profissionais.

OSG - O que ainda falta ser feito?

WILSON - Duas prioridades serão a reforma de acessibilidade na sede da Subseção e a implantação do transporte gratuito, ambas impossibilitadas durante a gestão atual por dependerem de algumas questões relativas à Seccional. Temos três mil advogados, além dos estagiários cadastrados na Subseção de São Gonçalo. Boa parte deles depende de sub-honorários e, por isso, não pode pagar táxi ou um carro próprio para garantir uma locomoção ágil entre os fóruns de Santa Catarina e do Colubandê. Por isso, esta conquista é tão importante. Com a reestruturação física, o próximo passo é a garantia das prerrogativas. Não cabe a mim, como candidato, listar propostas bonitas, porém inexequíveis por estarem sob responsabilidade do Judiciário ou da Seccional.

OSG - Por que a questão das prerrogativas tem sido uma ‘pedra no sapato’ dos advogados?

WILSON - Falta respeito ao profissional. O artigo 133º da nossa Constituição afirma que o advogado é indispensável à administração da Justiça, mas este dever tem sido negado. Embora tenha o papel de representante do povo, o advogado esbarra na perda de autonomia, por conta de um Judiciário com escassez de profissionais e que inviabiliza a razoabilidade dos prazos, deixando processos simples sem solução por 10, 15 anos. Nesse sentido, também será papel da OAB, caso eu seja eleito, oferecer capacitação aos advogados para que não sejam vítimas de certas artimanhas dos magistrados.

OSG - A categoria tem questionado a relação com o Judiciário, sobretudo após a imposição da revista aos advogados no Fórum do Colubandê. O que pode ser feito neste sentido?

WILSON - De fato, o relacionamento com o Judiciário não tem sido o ideal. Para os casos em que o diálogo já não é suficiente, cabe apresentar denúncias de forma oficial ou ainda recorrer ao Conselho Nacional de Justiça, como fizemos com o caso da revista. Estão apensadas as duas ações contra a juíza do Fórum de Alcântara e o diretor da Justiça Federal.

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