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Mudanças de rumos sempre podem ser necessárias

relogio min de leitura | Redação 14 de julho de 2015 - 12:24

Em qualquer atividade desenvolvida, seja ela qual for, pessoal, profissional, empresarial ou esportiva, não há como se abdicar do talento, mas também devem ser considerados o planejamento e a organização. Mudanças de rumos sempre podem ser necessárias. As coisas não caminhando bem, não adianta insistir no erro. Reconhecido o equívoco no planejamento inicial, quanto mais cedo isto for detectado, tem que ocorrer a devida alteração.

Trazendo esta ideia para o futebol dos clubes do Rio, acertou o Fluminense ao reconhecer que errou ao manter Cristóvão Borges no comando do time no início do ano e, principalmente, ao constatar o equívoco na contratação de Ricardo Drubscky. Com o péssimo desempenho no início do Carioca do Rubinho e do homem do Charuto, a diretoria tricolor demitiu Cristóvão e contratou Ricardo. Em apenas oito jogos viu que errara na nova escolha e, pressionada pelos jogadores, é verdade, substituiu Drubscky por Enderson Moreira. E o time acertou, somente tendo perdido uma partida com o novo treinador. A derrota foi para o Palmeiras, em São Paulo, sem Fred, com dois jogadores expulsos, sendo o gol da vitória do adversário marcado nos acréscimos da partida. Em todos os jogos, ainda que flagrante a dificuldade técnica de alguns jogadores, principalmente em razão da falta de qualidade dos zagueiros na saída de bola, insistindo com chutões, o Flu sempre esteve bem armado pelo seu treinador. Conseguiu compactar a equipe e mesclar a juventude de alguns com a experiência de outros. E a coisa está funcionando. O forte sistema de marcação faz com que o Flu deixe a bola com o adversário. Mas a pressão tem sido facilmente suportável quando joga fora e, saindo em velocidade com os garotos, tem também incomodado a defesa rival. Foi assim contra o Goiás, São Paulo e no último domingo contra o Atlético Paranaense. Decorrido 1/3 do campeonato, continua no G4, na briga por vaga na Libertadores, e mantém nos torcedores o sonho do título. O elenco está sendo encorpado. Não se sabe como estão técnica e fisicamente Osvaldo e Ronaldinho Gaúcho, recentemente contratados. Contudo, a velocidade do primeiro (se ainda existente) e a qualidade técnica do ”Dentuço”, principalmente na bola parada, problema do Flu, podem deixar o tricolor como sendo a única esperança dos cariocas.

Já a mudança do Fla com a troca de Wanderley Luxemburgo por Cristóvão Borges, até o momento, não adiantou nada. Acho que piorou. O elenco não é tão limitado como tem sido apregoado na imprensa. Admito o desequilíbrio. Vários jogadores de marcação e vários atacantes. Falta alguém de criatividade para pensar o jogo. Não basta ter jogadores velozes no ataque e agora um matador de reconhecida qualidade técnica, se a bola não chega adequadamente. A falta de criatividade do meio de campo pode ser compensada com bons laterais, o que o Flamengo não tem. A saída de Léo Moura foi muito ruim. Ayrton é uma avenida, como se viu no último domingo. Não tem outro lateral direito, já que a torcida escolheu Pará como um dos vilões desde o FlaxFlu na quarta rodada e Luiz Antônio apenas “quebra um galho” na posição. O jovem lateral Jorge vinha bem, mas esteve muito mal contra o Corinthians, o que é natural. O que está bem nítido é que o Flamengo, quando tem que propor o jogo, o que é exigido pela torcida quando atua no Maracanã, não consegue criar nada e pressionar o adversário. É facilmente marcado. Diferente quando joga fora, porque, no contra-ataque, em razão da velocidade dos seus atacantes, tem levado perigo ao adversário e suportado a pressão. No jogo de domingo, o Flamengo teve muito mais posse de bola do que o Corinthians. Mas o jogo foi facilmente controlado pelos paulistas, que venceram sem nenhuma dificuldade. Poderia ser maior o vexame caso o adversário tivesse um atacante apenas razoável. Talvez esteja na hora da diretoria do Fla, assim como fez a do Flu, reconhecer o erro e trocar o comando técnico.

O Vasco também trocou de técnico e parece que nada se alterou. O título do Carioca enganou a torcida. A campanha no Brasileirão, até o momento, é ridícula. Apenas cinco gols em treze partidas. Mais de vinte gols tomados. 25% de pontos conquistados, sendo que a tabela vai ficar mais difícil nas próximas rodadas. Preocupante a contratação de jogadores veteranos que estavam parados há vários meses, como Herrera, Eder Luiz, Andrezinho e outros. A torcida já pegou no pé de alguns jogadores e, considerando que o treinador Celso Roth é importante no campeonato de “tiro curto”, a situação está bastante perigosa, porque ele não conseguiu dar um padrão tático à equipe e, certamente, se os resultados não vierem com urgência, aumentando a pressão, o clima ficará pior entre a comissão técnica e os jogadores, o que será o caos.

Por último, a situação do Botafogo. Todos achavam que o alvinegro levaria de barbada a série B, principalmente em razão das boas vitórias conseguidas no início do campeonato. A queda de produção é visível. Após perder para o Macaé, venceu o Sampaio Correa de goleada, mas foi destacado na coluna passada que o placar não retratou o que foi o jogo. Depois empatou com o Ceará, que está na zona do rebaixamento, e perdeu do Bragantino, que também está na parte de baixo da tabela. Agora quatro equipes estão com o mesmo número de pontos no G4. Quatro outros times estão bem próximos, o que indica que o Botafogo não terá a vida fácil que se imaginava inicialmente, sem esquecer a notícia de que o clima não está bom na comissão técnica, não mais se falando o treinador Rene Simões e o coordenador Antônio Lopes. Sinal de alerta ligado.

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