Mudanças de rumos sempre podem ser necessárias
Em qualquer atividade desenvolvida, seja ela qual for, pessoal, profissional, empresarial ou esportiva, não há como se abdicar do talento, mas também devem ser considerados o planejamento e a organização. Mudanças de rumos sempre podem ser necessárias. As coisas não caminhando bem, não adianta insistir no erro. Reconhecido o equívoco no planejamento inicial, quanto mais cedo isto for detectado, tem que ocorrer a devida alteração.
Trazendo esta ideia para o futebol dos clubes do Rio, acertou o Fluminense ao reconhecer que errou ao manter Cristóvão Borges no comando do time no início do ano e, principalmente, ao constatar o equívoco na contratação de Ricardo Drubscky. Com o péssimo desempenho no início do Carioca do Rubinho e do homem do Charuto, a diretoria tricolor demitiu Cristóvão e contratou Ricardo. Em apenas oito jogos viu que errara na nova escolha e, pressionada pelos jogadores, é verdade, substituiu Drubscky por Enderson Moreira. E o time acertou, somente tendo perdido uma partida com o novo treinador. A derrota foi para o Palmeiras, em São Paulo, sem Fred, com dois jogadores expulsos, sendo o gol da vitória do adversário marcado nos acréscimos da partida. Em todos os jogos, ainda que flagrante a dificuldade técnica de alguns jogadores, principalmente em razão da falta de qualidade dos zagueiros na saída de bola, insistindo com chutões, o Flu sempre esteve bem armado pelo seu treinador. Conseguiu compactar a equipe e mesclar a juventude de alguns com a experiência de outros. E a coisa está funcionando. O forte sistema de marcação faz com que o Flu deixe a bola com o adversário. Mas a pressão tem sido facilmente suportável quando joga fora e, saindo em velocidade com os garotos, tem também incomodado a defesa rival. Foi assim contra o Goiás, São Paulo e no último domingo contra o Atlético Paranaense. Decorrido 1/3 do campeonato, continua no G4, na briga por vaga na Libertadores, e mantém nos torcedores o sonho do título. O elenco está sendo encorpado. Não se sabe como estão técnica e fisicamente Osvaldo e Ronaldinho Gaúcho, recentemente contratados. Contudo, a velocidade do primeiro (se ainda existente) e a qualidade técnica do ”Dentuço”, principalmente na bola parada, problema do Flu, podem deixar o tricolor como sendo a única esperança dos cariocas.
Já a mudança do Fla com a troca de Wanderley Luxemburgo por Cristóvão Borges, até o momento, não adiantou nada. Acho que piorou. O elenco não é tão limitado como tem sido apregoado na imprensa. Admito o desequilíbrio. Vários jogadores de marcação e vários atacantes. Falta alguém de criatividade para pensar o jogo. Não basta ter jogadores velozes no ataque e agora um matador de reconhecida qualidade técnica, se a bola não chega adequadamente. A falta de criatividade do meio de campo pode ser compensada com bons laterais, o que o Flamengo não tem. A saída de Léo Moura foi muito ruim. Ayrton é uma avenida, como se viu no último domingo. Não tem outro lateral direito, já que a torcida escolheu Pará como um dos vilões desde o FlaxFlu na quarta rodada e Luiz Antônio apenas “quebra um galho” na posição. O jovem lateral Jorge vinha bem, mas esteve muito mal contra o Corinthians, o que é natural. O que está bem nítido é que o Flamengo, quando tem que propor o jogo, o que é exigido pela torcida quando atua no Maracanã, não consegue criar nada e pressionar o adversário. É facilmente marcado. Diferente quando joga fora, porque, no contra-ataque, em razão da velocidade dos seus atacantes, tem levado perigo ao adversário e suportado a pressão. No jogo de domingo, o Flamengo teve muito mais posse de bola do que o Corinthians. Mas o jogo foi facilmente controlado pelos paulistas, que venceram sem nenhuma dificuldade. Poderia ser maior o vexame caso o adversário tivesse um atacante apenas razoável. Talvez esteja na hora da diretoria do Fla, assim como fez a do Flu, reconhecer o erro e trocar o comando técnico.
O Vasco também trocou de técnico e parece que nada se alterou. O título do Carioca enganou a torcida. A campanha no Brasileirão, até o momento, é ridícula. Apenas cinco gols em treze partidas. Mais de vinte gols tomados. 25% de pontos conquistados, sendo que a tabela vai ficar mais difícil nas próximas rodadas. Preocupante a contratação de jogadores veteranos que estavam parados há vários meses, como Herrera, Eder Luiz, Andrezinho e outros. A torcida já pegou no pé de alguns jogadores e, considerando que o treinador Celso Roth é importante no campeonato de “tiro curto”, a situação está bastante perigosa, porque ele não conseguiu dar um padrão tático à equipe e, certamente, se os resultados não vierem com urgência, aumentando a pressão, o clima ficará pior entre a comissão técnica e os jogadores, o que será o caos.
Por último, a situação do Botafogo. Todos achavam que o alvinegro levaria de barbada a série B, principalmente em razão das boas vitórias conseguidas no início do campeonato. A queda de produção é visível. Após perder para o Macaé, venceu o Sampaio Correa de goleada, mas foi destacado na coluna passada que o placar não retratou o que foi o jogo. Depois empatou com o Ceará, que está na zona do rebaixamento, e perdeu do Bragantino, que também está na parte de baixo da tabela. Agora quatro equipes estão com o mesmo número de pontos no G4. Quatro outros times estão bem próximos, o que indica que o Botafogo não terá a vida fácil que se imaginava inicialmente, sem esquecer a notícia de que o clima não está bom na comissão técnica, não mais se falando o treinador Rene Simões e o coordenador Antônio Lopes. Sinal de alerta ligado.