Nada decidido
Depois de muitas confusões, críticas (normalmente merecidas) e suspeitas, no domingo, enfim, começou a final do Campeonato Carioca, com o Vasco saindo na frente do Botafogo. O início da partida foi absolutamente eletrizante, com as duas equipes imprimindo velocidade e criando oportunidades de gol. Já com vinte segundos de jogo, o Botafogo já havia colocado uma bola na trave, demonstrando que iniciaria o jogo buscando pressionar o adversário, assim como já havia acontecido no jogo decisivo contra o Fluminense. Depois da chata – e já desnecessária – parada técnica, infelizmente o ritmo da partida foi reduzido, o que impediu a criação de grandes lances de emoção. O Vasco, porém, terminou a primeira etapa impondo o seu ritmo de jogo, apesar de não criar grandes jogadas ofensivas. Teve duas boas oportunidades desperdiçadas por Júlio dos Santos e Marcinho, mas mais por falhas defensivas do rival do que pelo talento de seus meias armadores.
A segunda etapa seguiu o padrão do primeiro tempo, com o Vasco chegando a ter mais de 70% de posse de bola. A primeira chance clara de gol, porém, novamente foi do Botafogo, com Bill, que jogou para fora. Como vem ocorrendo ao longo de todo o campeonato, os jogadores alvinegros demonstraram o fraquíssimo preparo físico da equipe e, a partir dos 10 minutos, já indicavam o cansaço que lhes atingia, permitindo que o rival crescesse no jogo. Apesar da maior posse de bola do adversário, as melhores oportunidades continuaram sendo do Botafogo, sempre no contra-ataque, explorando a velocidade de William Arão, que parece que entrou na equipe titular para ficar. Pimpão e Gilberto perderam excelentes chances. Em jogada extremamente semelhante ao gol do primeiro jogo da semifinal contra o Tricolor, Arão ainda colocou uma bola no travessão.
O lance decisivo que mudou os rumos do confronto só aconteceu nos acréscimos. Em uma falta mal batida pelo emocional Bernardo, a bola percorreu toda a grande área sem que nenhum jogador do Botafogo a cortasse, permitindo que Rafael Silva apenas a colocasse para dentro do gol. A se lamentar a falha do setor defensivo alvinegro. Durante toda a semana, Rene disse ter trabalhado os zagueiros contra a maior arma do Vasco que é a jogada de bola parada. Mais de 80% dos gols do time do homem do charuto saiu desta forma. Ainda assim, ao final da partida, talvez procurando incentivar os seus jogadores, Renê elogiou a todos e disse que saía triste com o resultado, mas feliz com o desempenho da equipe.
Em mais uma demonstração do esdrúxulo regulamento, a mínima vantagem do Glorioso de jogar por dois empates foi revertida. Agora é o Vasco que sairá campeão em caso de igualdade no placar. Vitória do campeão da Taça Guanabara por um gol de diferença, levará a decisão para pênaltis.
Nada decidido, podendo qualquer um deles se sair vencedor do ridículo Campeonato do Rubinho.
A briga tem que continuar
Flamengo e Fluminense tentaram realizar um jogo amistoso em Brasília, talvez no dia da partida final do campeonato. A realização da partida, contudo, dependia de autorização da FERJ, que negou aos adversários políticos o direito de realizarem o certame na mesma data da final do campeonato. Nesse caso, entende-se a posição da Federação. Uma divisão de audiência e atenção apenas desvalorizaria o campeonato. A dupla Fla x Flu, porém, não se deve dar por vencida. O enfrentamento não pode acabar. O ideal seria a realização do clássico na véspera da final, também no Maracanã, o que permitiria uma sadia disputa entre os quatro grandes times cariocas para ver qual dos clássicos levaria maior público ao estádio.
Provocação?
Os dois árbitros mencionados por Fred na entrevista que o afastou do segundo jogo decisivo contra o Botafogo, foram premiados com a indicação para as partidas finais. É verdade que o Índio não influiu no resultado do primeiro jogo. Esperamos com o mesmo ocorra com Wagner do Nascimento no jogo decisivo. Mas premiá-lo após o erro grosseiro que cometeu contra o provável artilheiro do campeonato é demais ...