E o risco continua
Ao final da 4ª rodada, Vasco e Flamengo estão na zona do rebaixamento. O Fluminense ocupa somente a nona posição. O Botafogo, na série B, está na zona de classificação sem muita folga. É muito pouco e bastante preocupante. O pior é que o desempenho dos times não anima. O primeiro tempo do jogo do Vasco contra o Atlético Mineiro foi digno de pena. A velocidade e a superioridade dos mineiros ficaram nítidas. Velocidade com qualidade, diga-se. Repetiu-se o que tinha acontecido no jogo contra o Fluminense. O campeão mineiro passou como um trator sobre o campeão carioca. Já tem gente questionando o trabalho do Doriva. O futebol é assim. Quando os resultados não vêm, sobra para o treinador. Veja o que ocorreu com a dupla Fla x Flu.
Aliás, o clássico carioca do último domingo, como previsto na coluna anterior, deu uma trégua para o vencedor e colocou o vencido em situação de alto risco. A vitória era mais importante para o Flamengo. Não só pela sua colocação na tabela, mas, principalmente, em razão da semana conturbada com a demissão de Vanderlei Luxemburgo. O treinador saiu reclamando muito da diretoria, inclusive dizendo que os seus integrantes não conheciam nada de futebol. A resposta também foi agressiva, sendo insinuado que o antigo treinador estaria se envolvendo com negociação de jogadores. Com este clima, não havia como Luxa ser mantido no comando da equipe rubro-negra.
O jogo não foi bom tecnicamente. Apenas emocionante e tenso. O Flu saiu beneficiado com o pênalti logo no início do jogo. Lance discutível. Estou com a minoria. Acho que foi pênalti. Bobo, porque Vinicius não alcançaria a bola alçada por Gerson, que, aliás, foi o melhor jogador da partida. Mas Pará desloca o atacante tricolor na jogada. Há uma imagem correspondente à visão do árbitro que deixa claro o leve empurrão com o braço. Alguns disseram que pênaltis deste tipo ocorrem toda hora e que o juiz, marcando aquele, deveria marcar todos. É verdade. Mas, neste ponto, o juiz não pode ser criticado pelo excesso de rigor. O jogo se desenhava com o Flamengo com a bola e o Flu marcando bem todos os espaços do campo. Não havia qualquer lance de perigo para a defesa do tricolor, apesar da grande posse de bola do Flamengo. Ficou nítida a falta de criatividade do rubro-negro. O Flu marcou o segundo gol, mais uma vez em jogada puxadas por Vinicius e Gerson, acabando com o bom cruzamento de Renato e com Pará marcando contra. O jogo parecia que caminharia para uma vitória tranquila do tricolor, mais pela falta de força do Flamengo do que pelo desempenho do Fluminense, quando Alecsandro marcou de cabeça em boa jogada de Armeiro pela lateral. Aí o jogo ficou sem prognóstico, porque a força da torcida do Flamengo poderia tirar da equipe algo que parecia não ter. Com o terceiro gol logo no início da segunda etapa, em mais uma bela jogada do ataque tricolor, sempre com Vinicius e Gerson, agora com o complemento de Fred com grande categoria, batendo no contrapé de Paulo Vitor, o jogo ficou a feição do tricolor. Duas circunstâncias, porém, mudaram o rumo da partida: a contusão de Gerson e a expulsão de Giovani. Evidente que o árbitro, preocupado com o possível erro na marcação do pênalti, adotou a “lei” da compensação. Mais equivocada, ainda, foi a não expulsão de Bressan ao fazer falta, por trás, em Wagner, quando este saía na direção do gol do Flamengo. O cartão amarelo se impunha na ocasião e, como o zagueiro já tinha sido antes advertido, deveria ter sido expulso de campo. O que é fato é que o Flamengo continuou com a bola rondando a área tricolor, sem, todavia, oferecer maior perigo, eis que seus jogadores, com flagrante limitação técnica, apenas alçavam bolas na área procurando o abafa. Chegou a marcar o segundo gol, mas, mesmo assim, não pressionou da forma que se esperava.
O Botafogo conseguiu novamente vencer na série B, tendo derrotado o Vitoria, adversário direto na busca de uma das vagas de retorno à série A. Contou com a ajuda do goleiro adversário logo no início da partida. Após a cobrança de um escanteio, o goleiro saiu muito mal, permitindo que o cabeceio de Diego Giaretta. Logo depois, após excelente passe de Daniel Carvalho, Willian Arão marcou com categoria. Não há dúvida de que o volante alvinegro é o melhor que o Botafogo apresentou este ano. Tem jogado muito bem e se apresentado na área como elemento surpresa. Quem não está bem e vem sendo questionado pela torcida, é o “artilheiro” Bill. Apesar de não vir marcando, sua luta deve ser reconhecida pelos torcedores, que, aliás, são muito importantes nesta caminhada da equipe. O Estádio Nilton Santos está se transformando em um alçapão do Botafogo que lá está invicto há vários jogos.
Uma pergunta: será que a investigação do FBI vai respingar na FFERJ? Tem gente que não está dormindo.