Preocupante
Apesar de ainda se tratar da segunda rodada, restando outras trinta e seis, podendo o panorama mudar no curso do campeonato, o desempenho dos cariocas no Brasileirão já é motivo de bastante preocupação. Foram disputados 18 pontos e apenas 6 foram obtidos. Somente o Fluminense venceu até agora. Ontem foi atropelado pelo Atlético Mineiro. Parecia um jogo entre times de divisões diferentes. A supremacia dos mineiros foi técnica, tática e física. O Vasco empatou as duas partidas que disputou e ainda não marcou nenhum gol. O Flamengo perdeu o primeiro jogo e, ontem, jogando em casa, perante 35 mil torcedores, apenas empatou com o Sport, isto após ter começado perdendo de 2 x 0, tendo se aproveitado do fato do goleiro adversário ter se machucado, o que obrigou Diego Souza a atuar nos últimos minutos como goleiro, ficando sua equipe com um jogador a menos. Por tudo isto, ainda em maio, deve ser ligado o sinal de alerta para todos. Ridícula a produtividade dos cariocas, sendo obtido apenas 33% dos pontos disputados.
Este baixo rendimento não surpreende. O Estadual do Rubinho não serve de parâmetro. O que mais preocupa, porém, é o pífio desempenho das equipes. Antes do início do campeonato, Fluminense e Flamengo tiveram quinze dias de treinamento intensivo, inclusive permanecendo a metade deste período concentrados. Esperava-se por alguma melhora, seja no campo físico, seja no campo tático e técnico. Nada disto ocorreu, como ficou demonstrado neste final de semana.
O Atlético Mineiro passou por cima do Fluminense como quis. Os tricolores entraram apáticos, vendo o adversário correr e lutar em todas as jogadas. O placar não retratou o que foi a partida. O Atlético poderia ter feito oito gols. Jogou para isto e o Flu não jogou para perder de menos. A pior partida do Fluminense sob a direção do Ricardo Drubscky havia sido no segundo jogo da semifinal contra o Botafogo. Ele optara por escalar cinco jogadores no meio de campo e apenas um atacante. Domingo ele repetiu o esquema e o time foi ainda pior. Naquela primeira ocasião, pelo menos ele tinha um jogador forte e veloz na frente (Kennedy). Agora, com apenas Fred avançado, o time ficou ainda mais lento, sem qualquer jogada de ataque. Independentemente do erro do treinador, os jogadores foram omissos e dispersivos. Parecia que não queriam jogar. O pedido de desculpa no final da partida não atenua o que eles fizeram com os torcedores. Uma equipe formada por jogadores tecnicamente medianos e por veteranos, para ter um desempenho razoável em um campeonato tão disputado, precisa de um técnico calejado que saiba armar um bom sistema defensivo, muita disposição e velocidade. O Fluminense não tem nada disso. Parece que sequer treina bola parada defensiva. Os dois primeiros gols do Atlético mostram isso. E mais: Cavalieri somente sai do gol no intervalo do jogo ou no final da partida. No restante, fica estático debaixo dos paus.
O Flamengo conseguiu empatar no final. Menos ruim. Assim como o Fluminense, parece que o time piorou após a nova pré-temporada. Wanderlei Luxemburgo tem que ser responsabilizado. Ele está na frente do “projeto” desde o ano passado e o time não evolui. Continua dependente de sua única jogada: a velocidade dos jogadores de ataque. Por incrível que pareça, tecnicamente, ou pelo menos examinando os “nomes” dos jogadores, o Flamengo ainda é menos qualificado do que o Fluminense. Mas a diferença técnica pode ser superada com uma boa organização tática e, principalmente, com muita disposição. Wanderlei depois da partida voltou a destacar que somente com muita luta o Flamengo pode melhorar. Acho que o rubro-negro é o carioca que corre menos risco. Isto porque, em regra, como no final da partida de domingo, com o incentivo da sua imensa torcida, demonstra disposição e realmente possui jogadores de velocidade, qualidade indispensável no futebol moderno. Mas o início está muito ruim.
O Vasco, campeão carioca, não foi capaz de fazer um único gol nas duas primeiras rodadas. Ao contrário da dupla FlaxFlu, que já enfrentou um “clássico nacional”, o time do homem do charuto, aliado do nefasto que comanda a Federação, jogou com duas equipes medianas que, geralmente, entram no campeonato apenas pensando em se manter na primeira divisão. E, repita-se, não venceu e não marcou qualquer gol. No jogo de domingo, principalmente no segundo tempo, não foi derrotado por detalhes. O resultado justo seria a vitória do Figueirense, que perdeu muitos gols.
Em síntese, bastante preocupante a situação dos cariocas na série A do Brasileirão. Apesar da grandeza dos clubes, lamentavelmente, já no início do campeonato, os torcedores fazem conta na busca de alcançar os esperados 46 pontos que seriam suficientes para livrá-los do rebaixamento. Muito triste. Dá-lhe Rubinho, que, segundo fontes da coluna, tem procurado ajuda de pessoas influentes, inclusive do Presidente da CBF, para acalmar a dupla FlaxFlu, que continua firme na busca de elementos que possam escorar um possível pedido de afastamento, inclusive já existindo três ações tramitando na justiça fluminense, uma delas na área criminal.
O Botafogo montou uma equipe de jogadores acostumados com a série B, e, até agora, parece que está dando certo. Dois jogos e duas vitórias. A primeira muito apertada; a segunda com maior facilidade. Assim como no Cariocão, vê-se que é uma equipe organizada e lutadora, o que é muito importante para obter o retorno à elite do futebol brasileiro, de onde nunca deveria ter saído. A lamentar o comportamento de Pimpão, que, aliás, vinha fazendo uma boa partida. Foi infantilmente expulso, deixando a equipe com um a menos, o que possibilitou que o adversário reduzisse o placar, impedindo o Botafogo de fechar a rodada na liderança isolada.