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Exposição inédita no Rio traz memórias de crianças durante massacre nazista

relogio min de leitura | Redação 28 de abril de 2016 - 21:09
Mostra revela desenhos de crianças nos campos de concentração
Mostra revela desenhos de crianças nos campos de concentração -
A combinação de arte com história foi o que encantou e levou mais de 30 mil pessoas aos museus em São Paulo, Porto Alegre e Brasília para a exposição “As meninas do quarto 28”. Inédita no Rio, a mostra gratuita fica disponível para visitação até 17 de julho no Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio.
Adaptada do livro homônimo da jornalista alemã Hannelore Brenner, a exposição relata o dia-a-dia de cerca de 50 meninas que viveram por dois anos no campo de concentração de Theresienstadt, na República Tcheca, durante a Segunda Guerra Mundial. 
São 50 desenhos e uma réplica de 18 metros quadrados do quarto em que as crianças judias ficaram aprisionadas, além de painéis com detalhes históricos da época. Das mais de 15 mil crianças, entre 12 e 14 anos, que viveram no campo de concentração, de 1942 a 1944, somente 93 sobreviveram, 15 delas sobreviventes do Quarto 28.
A artista plástica Friedl Dicker Brandeis foi uma das precursoras do trabalho. Deportada para o campo de concentração tcheco em 1942, ela levava na bagagem poucos pertences pessoais e muitos materiais artísticos. Frield percebeu cedo que a arte seria uma ferramenta fundamental para ajudar as crianças a lidar com a dor da perda, com o medo e com a incerteza do futuro. 
Para isso, dava aulas técnicas de desenho e pintura para a ala infantil do campo. Enquanto contava histórias, as crianças faziam ilustrações com base no que ouviam. As narrativas em nada retratavam o terror vivido pelos presos ou eram relacionadas à realidade do campo de concentração.
Nos quase dois anos que esteve presa, a artista conseguiu esconder os 5 mil desenhos dos seus alunos antes de ser levada para Auschwitz, em 1944. 
Dez anos depois, esses desenhos foram encontrados e encaminhados para um museu em Praga, na República Tcheca. 
Das meninas que passaram pelo Quarto 28, foram encontrados cerca de 500 desenhos e 40 foram selecionados para fazer parte da mostra que viaja o mundo e chega ao Rio pela primeira vez, depois de ter passado por diversos países da Europa e por Israel. 
A curadoria é de Karen Zolko, Dodi Chansky e Roberta Alexander Sundfeld. O Museu Histórico Nacional fica na Praça Marechal Âncora, s/nº. A visitação acontece de terça a sexta-feira, das 10h às 17h30; sábados e domingos, das 14h às 18h. A classificação é livre.

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