Gastos de Rodrigo com publicidade pagava professores durante 2 anos

Um município onde a publicidade é mais importante que a Educação. Essa é a impressão que o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV) passa para a população da cidade. Em 2014, de acordo com denúncias protocoladas no Ministério Público (MP), ele gastou R$16,5 milhões em contrato com agência de publicidade Prole. O valor é cerca de três vezes maior do que os recursos destinados à Secretaria Municipal de Educação e Tecnologia, que recebeu R$ 6,1 milhões naquele ano, segundo o vereador Bruno Lessa (PSDB).
Desde o início do governo de Rodrigo Neves, em 2012, os gastos com publicidade, sempre através da Prole, já chegam a cerca de R$ 50 milhões. Contra o prefeito, uma ação cível na Promotoria de Tutela Coletiva e Cidadania de Niterói (201400549840), que já tem 20 volumes de documentos anexados, a cargo da promotora Renata Scarpa, questiona os excessivos gastos de Rodrigo com a Prole. De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), os R$50 milhões gastos por Rodrigo com publicidade, em quatro anos, daria para pagar o salário de todos os cerca de 1,5 mil professores da rede municipal de ensino por 2 anos e 3 meses. “Estamos sem aumento real desde 2014 e o prefeito sempre alega que o município passa por crise financeira, mas por que a crise atinge a educação e não a publicidade? A realidade é que a imagem do governo é muito mais importante para ele”, desaba o professor Robson Wellington dos Santos, 31. Outro crítico dos gastos do prefeito com publicidade é o vereador Paulo Eduardo Gomes (Psol). “Enquanto ele gasta uma fortuna em verbas públicas com publicidade às vésperas da eleição, nitidamente para tentar beneficiar sua candidatura e de seus aliados, os profissionais de educação tem tido seus direitos, estabelecidos no Plano de Cargos, Carreiras e Salários, desrespeitados. O adicional transitório, que é um benefício devido também aos aposentados, não tem sido pago, num flagrante desrespeito à lei”, afirma o vereador. Paulo Eduardo denuncia ainda a falta de recursos para construção de creches e escolas. “A previsão do Orçamento para a construção de novas escolas e creches é de apenas R$ 115 mil, ou seja, é um indicativo de que não vão construir nada. É vergonhosa a falta de prioridade com áreas fundamentais da educação, como estruturação das bibliotecas escolares, que o Orçamento prevê um gasto de R$ 2 mil. O valor de apenas um contrato desse de publicidade daria para pagar o gasto atual com a rede Municipal de Educação Infantil, cerca de R$ 17 milhões. Isto significa que a ampliação da rede municipal de educação infantil não é apenas necessária, mas seria também totalmente possível se a prioridade do prefeito não fosse apenas a sua autopromoção”, concluiu o vereador, líder da bancada do Psol na Câmara Municipal.