31 de Outubro de 2014

Veículos
Enviado por Gisele Paiva e Marcelo Almeida 15/8/2011 18:32:31

‘Quebra-molas’: mais do que um redutor de velocidade, um vilão

As lombadas ou redutores de velocidade são tão prejudiciais à vida útil do sistema de suspensão dos automóveis que foram apelidados de ‘quebra-molas’. São Gonçalo tem investido maciçamente na urbanização e pavimentação de várias ruas, mas diversas delas recebem lombadas, e quando não, os moradores resolvem fazer irregularmente. Nos dois casos, os ‘quebra-molas’ são colocados desrespeitando o Código Brasileiro de Trânsito, que prevê a extinção de redutores de velocidade nos perímetros urbanos.
Ricardo Pletz, da Tiger Pneus, oficina especializada em suspensão, explicou que as lombadas podem trazer muitos danos aos veículos, como a diminuição da vida útil dos amortecedores, das molas e de toda a suspensão. Quando todo este sistema sai da regulagem padrão que vem de fábrica é hora de fazer o alinhamento e o balanceamento do veículo.
“Com a vida útil reduzida quase pela metade a manutenção tem que ser feita com mais frequência. Além do custo com a regulagem, o mau funcionamento da suspensão causa um desgaste maior também dos pneus e prejudica a dirigibilidade do automóvel”, afirma.

Ainda segundo Pletz, o grande problema é o desgaste que se faz gradualmente e quanto mais o carro anda e por mais buracos passa, maior vai ser o desgaste.
“É um perigo silencioso porque o motorista vai perdendo a dirigibilidade do carro. Visualmente a peça parece estar em perfeito estado, então o motorista não vê a necessidade de fazer a substituição da peça mesmo já estando comprometida”, disse.

O mecânico Marlon Patrick Monteiro esclarece que um amortecedor com problemas compromete toda a segurança do veículo, pois é ele que suporta todo o impacto. Com o gasto, até a frenagem fica comprometida aumentando em cerca de 2,5 metros a distância para que o carro pare por completo.
“A melhor forma de passar em um ‘quebra-molas’ sem prejudicar tanto o carro é ir com o carro de frente e sem pisar no freio, pois isso vai comprimir o amortecedor e o impacto é maior. Se perceber em cima a presença da lombada, deixa passar que é menos prejudicial que passar freando. Outro erro também é que muitos motoristas passam de lado, mas isso é pior para a suspensão porque ela não está firme o suficiente, podendo até quebrar dependendo da velocidade”, disse.

O ideal é que a revisão do sistema de suspensão seja feita a cada 40 mil quilômetros rodados, o que acontece com cerca de dois anos de uso regular. Se o proprietário utilizar o carro todos os dias indo ao trabalho ou mesmo trabalhando com ele, pelo menos uma revisão anual deve ser feita para calibrar os ajustes.


Por dentro do regulamento

Quem regula a confecção das lombadas é a Resolução 39/98 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Ela prevê que a implantação de ondulações transversais deve ser feita depois de estudos de engenharia de tráfego que mostrem que seriam eficazes para redução de velocidade e acidentes. Na lei, são previstos dois tipos de lombadas: o tipo I possui 1,5 metros de comprimento e 8 centímetros de altura; a do tipo II possui 3,7 metros de comprimento e 10 centímetros de altura. Ainda há outras regras sonre a implantação das lombadas, como estar distantes 15 metros das esquinas ou curvas, não podem ser implantadas em vias utilizadas por transportes coletivos e ainda devem ter 50 metros de distância entre elas.

Com isso, além dos ‘quebra-molas’ irregulares feitos pelos moradores, é possível encontrar lombadas fora dos padrões feitas pela própria prefeitura e em vias que, segundo a norma do Contran, não deveriam ter espécie alguma de redutor de velocidade. Em vias como a Avenida Maricá, no Rocha, e a Estrada do Raul Veiga, em Amendoeira, passam diariamente diversas linhas de ônibus e ainda possuem semáforos para que os carros parem, mas mesmo assim existem várias lombadas, dentro dos padrões, mas em lugares onde não deveriam estar. Além dos prejuízos mecânicos que causam aos carros, os ‘quebra-molas’ também atrasam serviços de emergência, como bombeiros e ambulâncias e geram congestionamentos nos horários de pico, aumentando assim o consumo de combustível e a consequente poluição do ar.

A Prefeitura de São Gonçalo informou que as lombadas feitas após a resolução, em 1998, estão dentro das medidas padrões do Contran, sendo do tipo II. O órgão informou ainda que possui permissão para instalar as lombadas nas vias citadas, mesmo que trafeguem transportes coletivos.


Multa pode chegar a R$640,74

Quem for responsabilizado pela instalação de uma lombada caseira pode pagar multa, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, que pode chegar a R$ 640,74 por cada ‘quebra-molas’ irregular. O morador que achar que sua rua precisa de uma lombada deve encaminhar um pedido à prefeitura para que seja analisado de acordo com os padrões e critérios estabelecidos pelo Conatran. O pedido deve conter:

1) Requerimento do representante da comunidade local, contendo cópia do documento de identidade, telefone de contato e residência devidamente comprovada (conta de luz, telefone, gás, etc), demonstrando ser o requerente morador da área onde se pretenda realizar a implantação;
2) Abaixo-assinado original, com a destinação devidamente especificada em cada lauda, de pelo menos 2/3 (dois terços) das unidades residenciais da via pretendida para a implantação, com nomes e endereços legíveis, acompanhando o requerimento;
3) Original de nada opor do batalhão da Polícia Militar, com atuação sobre a área a que pertença a via pretendida para a implantação.





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