25 de Outubro de 2014

Polícia
Enviado por Brisa Grilo 9/12/2009 23:55:35

Polícia inicia 'caçada' a 60 traficantes de São Gonçalo

Responsáveis por uma movimentação mensal de R$ 300 mil com a venda de drogas e promoção de bailes funk, o tráfico do Complexo da Coruja, no Vila Lage; Morro do Feijão, no Paraíso; e Morro do Martins, em Neves; têm solidificado sua base nos últimos meses e, com o recrutamento de menores, conseguiu formar um “exército” de mais de 100 criminosos, sendo que 60 já foram listados pela Polícia Civil. Todos não chegam a 30 anos de idade. O armamento trazido do Rio de Janeiro é o mais pesado das últimas décadas e pode passar de 100 pistolas e 40 fuzis, além de um número não estimado de granadas.

A estruturação das fileiras do tráfico ganhou amplitude com a migração de aliados cariocas, afugentados pela repressão policial no Rio, para São Gonçalo. Segundo informações de fontes da Polícia Civil, antes não se percebia a existência de ‘olheiros’, ‘vapores’ e ‘seguranças’ das bocas-de-fumo da forma como eles têm se organizado atualmente.

“O armamento cresceu. Onde só se via pistola, agora é fuzil. E para justificar isso, eles precisaram organizar o morro para evitar baixas e aumentar a venda de drogas e o faturamento com os bailes funk, que servem para arregimentar viciados. Esta garotada não era estruturada. Integrantes da facção vieram do Rio e, vemos agora, um mecanismo que não existia”, disse um investigador.

Apesar do ingresso de crianças de até 11 anos, os ‘cabeças’ são os mesmos, e se destacam dos demais. Nos ‘bondes’ da Coruja, onde se estima um armamento de 10 fuzis e 40 pistolas, coordenam às ações Maicon dos Santos de Souza, o Gaguinho ou Jogador, seu braço-direito Wallace Batista Soalheiro, o Pixote, além de Erick de Lima Fontes, o Pet ou 50, e outro identificado apenas como TG.

“O Gaguinho ainda é a força bruta, mas é articulado. Já o Pixote tem escolaridade, segundo grau completo. Não é um ignorante. E o TG e o Pet passam por playboys, falam sem gíria nenhuma. Vendo na rua, se passam mais por universitários do que por marginais”, disse um policial.

No Martins, que é abastecido pelo Morro da Mangueira, o chefe é Bruno Bezerra da Silva, o Bruninho BR. A polícia está investigando denúncias de que Gugui - um dos maiores traficantes de São Gonçalo no fim da década de 90 - beneficiado pela Justiça com liberdade condicional recentemente, estaria atuando como atravessador de drogas. O armamento neste local teria sido mais bem montado e chega a 20 fuzis e 40 pistolas.

“O Gugui ganhou notoriedade com o desvio de mais de 1,1 mil balas de fuzil 7.62 do 3º BI do Exército (Venda da Cruz) há alguns anos. Recebemos essas denúncias, mas ainda não temos nada de concreto contra ele”, afirmou um policial.

No Feijão, o tráfico é liderado por rapaz de quem se tem apenas o apelido (Piu), junto com seu homem de confiança, conhecido como Bu. Os dois montaram um arsenal com mais de 10 fuzis e 30 pistolas. Qualquer informação sobre a localização desses traficantes pode ser repassada para o Disque-Denúncia (2253-1177).

Bando da Coruja matou policial

A polícia tenta identificar outros três acusados de ligação com o assassinato do inspetor da Polícia Civil Rogério Antunes da Costa, 47, morto no Complexo da Coruja, no Vila Lage, em 10 de novembro. Também está sendo apurada a participação de um foragido da Justiça desde 2002. A investigação aponta que subiu para 10 o número de envolvidos na execução.

Ainda é um mistério a identidade de alguns personagens-chaves na dinâmica do assassinato do policial: Cavalheiro, ‘olheiro’ que notou o carro do inspetor se aproximando da comunidade e alertou a gerência do tráfico; Chacal e o irmão Falcão, que deu o tiro de misericórdia na vítima. A polícia também apura denúncias da participação do traficante José Renato, o Zé Meleca, no crime. Ele anda travestido com uma peruca preta.

Logo após observar a aproximação do carro suspeito, Cavalheiro, sem saber de quem se tratava, avisou pelo rádio Washington Soares de Lima, o Sonic ou Rato. O policial, percebendo a presença do traficante armado com uma pistola, iniciou a troca de tiros, em que acabou levando a pior. Sonic deixou o inspetor baleado no chão, voltou para o miolo da comunidade para buscar o gerente: Erick de Lima Fontes, o Pet ou 50, que estava acompanhado de Kerman Jardim de Souza, Charles Silva Lourenço, o CH, Wallace Batista, o Pixote, e dos irmãos Chacal e Falcão.

O reconhecimento do policial foi feito através dos documentos do carro. Baleado e sem reação, Rogério Carlos teria visto Falcão, que na hierarquia do tráfico não anda armado, retirar a pistola sobre seu corpo e lhe dar os tiros fatais. Chacal, que já foi detido por poucos dias, quando menor de idade, por porte de entorpecentes, não tem documento de identificação, como certidão de nascimento, RG ou CPF. Oficialmente, o rapaz, e possivelmente também seu irmão, não existem.

Zé Meleca, foragido desde 2002 e ausente do tráfico de São Gonçalo, teria acompanhado a comitiva a título de inserir-se no bando novamente. O criminoso, que buscou refúgio em Maricá após a fuga, seria morador do Barro Vermelho, mas costuma circular por Santa Catarina em uma moto. Para despistar a polícia, usa peruca preta e mudou de apelido.





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