02 de Setembro de 2014

Polícia
Enviado por Celso Brito, Marcela Freitas e Renata Sena 1/10/2013 00:14:27

Gaguinho morre e tráfico decreta luto de três dias

 Após ficar dois dias internado em estado grave na Casa de Saúde São José, no Zé Garoto, Maico dos Santos Souza, o Gaguinho, Jogador ou 2G – chefe do tráfico no Complexo da Coruja, no Vila Lage – não resistiu ao ferimento provocado pelo tiro que atingiu sua veia femoral e morreu na unidade, no início da tarde de ontem.

 
Traficantes que atuam no conjunto de favelas decretaram luto forçado durante três dias e determinaram o fechamento de comércios e escolas nos bairros Vila Lage, Neves, Covanca e parte do Barro Vermelho. A ordem foi dada por criminosos armados de fuzis e pistolas, que circularam em motocicletas pela região. Alguns deles chegaram a dar salva de tiros em homenagem ao bandido que era um dos mais procurados do estado e uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) em liberdade.
 
Investigado por tráfico, associação para fins de tráfico, homicídios e assalto a mão armada em São Gonçalo e no Rio, Gaguinho ganhou notoriedade na facção após conquistar a confiança dos dois chefões do tráfico no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio: Fabiano Atanásio da Silva, o FB, preso em janeiro de 2012, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, que continua foragido. Em 2009, ele foi alçado ao cargo de gerente do tráfico da Favela da Fazendinha, em Inhaúma, de onde continuava a controlar a venda de entorpecentes no Complexo da Coruja, além de articular o envio de armas e drogas para o conjunto de favelas do Vila Lage. 
 
Durante a ocupação do Complexo do Alemão pelas forças de segurança, em 2010, ele foi flagrado entre os traficantes que fugiram da comunidade por uma área conhecida como Inferno Verde. De lá, o criminoso buscou abrigo na Favela da Rocinha, após selar um acordo de não agressão com o chefe de uma facção rival: Antônio Bonfim Lopes, o Nem. Em seguida, Gaguinho passou por outras comunidades hoje ocupadas pela polícia: Mangueira e Arará. Entretanto, nunca deixou de promover bailes funk na Coruja e estendeu seu domínio para a Favela do Feijão e os morros do Martins, em Neves, e Buraco do Boi.
 
VERSÕES DA MORTE
 
Além da versão oficial - de que Gaguinho teria sido baleado durante confronto com policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), a polícia investiga outras duas versões. A primeira delas é a de que o traficante efetuou disparos para o alto com uma pistola Glock equipada com Kit rajada e acabou atingindo a própria perna. Sangrando, e sem conseguir conter o ferimento, ele pediu para ser levado a uma clínica particular - sabendo que, ao contrário dos hospitais públicos, não haveria PM de plantão. No entanto, sem saber que toda unidade de saúde é obrigada a notificar a entrada de pacientes vítimas de projéteis de arma de fogo. A segunda é de que o criminoso teria brigado com seu braço direito, Wallace Batista Soalheiro, o Pixote, e sido baleado durante uma discussão.
 
RECRUTAMENTO E SUCESSÃO
 
Com o recrutamento de menores de idade, Gaguinho conseguiu formar um ‘exército’ de mais de 100 criminosos, sendo que 60 já foram listados pela Polícia Civil - nenhum deles chega aos 30 anos de idade. Além disso, o armamento trazido do Rio é o mais pesado das últimas décadas e pode passar de 100 pistolas e 40 fuzis, fora as granadas. De acordo com a polícia, seus principais colaboradores são os traficantes Wallace Batista Soalheiro, o Pixote, e outro identificado apenas como Cinquenta. O primeiro é apontado como o sucessor direto de Gaguinho para assumir o controle do tráfico na comunidade. Somente este ano, o Disque-Denúncia recebeu 61 informações sobre a localização da dupla. Apesar de pertencerem à mesma facção criminosa, os dois tinham uma relação conturbada. Pixote discordava de algumas atitudes do comparsa, como a de exibir armas de grosso calibre na favela e executar moradores. 
 
EXIBICIONISTA E AUTORITÁRIO
 
Vaidoso, Gaguinho gostava de posar ao lado de belas mulheres usando cordões, anéis e braceletes de ouro – um deles com o pingente de uma coruja – e ostentando armas de grosso calibre. Em junho do ano passado, a polícia encontrou fotos dele com a estudante gaúcha Francelle Pacheco Kloster, 19. De classe média alta, a jovem foi à favela participar de um baile à fantasia, conheceu o traficante, tornou-se musa dele e acabou presa. Ela foi flagrada por PMs em um imóvel, na Travessa B, próximo a um dos pontos de endolação e depósito de drogas na comunidade. A estudante chegou a ser encaminhada para um presídio, mas conquistou na justiça o direito de responder ao crime em liberdade. Em agosto deste ano, ela voltou a ser notícia ao ser apontada como a nova namorada de um bilionário brasileiro.
 
HOMENAGEM NAS REDES SOCIAIS
 
Na página em que o criminoso mantinha numa rede social, alguns de seus mais de 1200 amigos virtuais deixaram mensagens de luto e pesar. “Ha não o Gaguinho não já ta fazendo falta no morro do corujão”, postou um dos seus seguidores. “Por mais que não falasse com você, foi horrível ter recebido essa notícia na sala de aula. Não vejo você como todos falam. É isso, Gaguinho, descanse em paz”, comentou outra seguidora.
 





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