30 de Julho de 2014

Polícia
Enviado por Marcela Freitas e Marcelo Almeida 19/6/2012 05:10:32

Perseguição, tiroteio e morte em São Gonçalo

Uma perseguição policial a um Nissan March roubado, ocupado por cinco suspeitos, terminou em tragédia, na madrugada de ontem, no Pacheco, em São Gonçalo. Durante a ação, na Estrada do Pacheco, um veículo do 7º BPM (São Gonçalo) colidiu com uma motocicleta e matou a estudante Ana Caroline Rosa Conceição, de 17 anos, que estava na garupa. Com impacto da batida, a jovem foi arremessada a cerca de 15 metros de distância e morreu no local.

O namorado dela, o estudante Alisson Alves Moura, 26, que guiava a moto, sofreu escoriações leves. Após o acidente, o irmão da vítima, que vinha logo atrás em outra moto, teria sido impedido pelos policiais de socorrer a irmã. Testemunhas disseram que durante a perseguição os militares colidiram com a moto para interceptá-la. Essa versão, no entanto, não foi confirmada pelos PMs, que alegaram ter sinalizado para que o casal parasse.

Momentos depois, após troca de tiros, o Nissan dos bandidos bateu no muro de uma residência, na Estrada São Pedro. Quatro acusados, todos menores de idade, foram apreendidos pelos PMs dentro do carro. O motorista conseguiu fugir.

Tiroteio
- A perseguição foi desencadeada após os PMs avistarem o Nissan trafegando em alta velocidade pela Rua Alberto Coelho, no Jóquei, em direção à Praça dos Bandeirantes. Ao perceberem que estavam sendo perseguidos, os bandidos saíram em alta velocidade e efetuaram disparos em direção aos militares. Foi solicitado reforço e realizado cerco policial aos criminosos, no Largo do Pacheco.

O Nissan, que seguia pela Estrada do Pacheco, desviou para a Estrada de São Pedro e continuou sendo perseguido, quando os PMs conseguiram acertar um tiro no pneu dianteiro do carro, que fez com que o condutor perdesse a direção do veículo e batesse contra o muro de uma casa.

Segundo os PMs, o motorista teria saído do carro e, após pular muros de residências, fugiu em direção ao Mundel. Dentro do Mach, quatro adolescentes, todos moradores do Jardim Catarina, foram apreendidos com um revólver calibre 38 e três munições deflagradas. Eles foram levados para a 74ª DP (Alcântara) e autuados por fato análogo aos crimes de receptação e porte ilegal de arma.

Família acusa PMs de imprudência

Para a família de Ana Caroline, os policiais agiram com imprudência.
"Já havia acabado a perseguição. A motocicleta que minha filha estava foi fechada propositalmente. Um dos policiais mandou meu genro parar, mas ele não conseguiu frear a tempo. Meu filho, que vinha logo atrás em outra moto, viu tudo. Quando tentou ajudar a irmã, ele foi agredido por um dos policiais. Se não bastasse a dor da perda, ainda tivemos que passar por essa humilhação", disse o pai da jovem, Marcos Silva, 45 anos.

Ana Caroline cursava o primeiro ano do ensino médio num Ciep, em Santa Izabel, onde morava. Antes do acidente, a estudante, o namorado e alguns amigos seguiam para a Praça dos Bandeirantes, no Jardim Amendoeira, para fazer um lanche. Ela comemoraria 18 anos, em 14 de julho e, segundo parentes, já havia preparado tudo para a realização de sua festa à fantasia.

Enterro - Cerca de 300 pessoas acompanharam, na tarde de ontem, o sepultamento do corpo da estudante, no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco.

PM vai instaurar inquérito para apurar o caso

A PM informou que o comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Luiz Eduardo Freire dos Santos, abriu Inquérito Policial Militar para apurar responsabilidades dos policiais no atropelamento.

Moradores fazem protesto em Santa Izabel

Revoltados com a morte da estudante, cerca de 500 pessoas, entre amigos e familiares, realizaram, na noite de ontem, uma manifestação, na Estrada de Santa Izabel, em frente à comunidade da Cafuca. Durante o protesto, os manifestantes fecharam a estrada, atearam fogo em pneus e ameaçaram invadir um posto da PM.
“Foi uma covardia! Os PMs não precisavam disso. Mataram uma pessoa de bem. Eles são treinados para nos dar segurança e não para tirar a vida dos cidadãos”, disse um dos moradores.

Carro invadiu residência na Estrada de São Pedro

No dia seguinte ao incidente ainda era possível ver as marcas da perseguição ao longo da Estrada de São Pedro, no Pacheco. O muro da casa da aposentada Olindina Ornellas Cardoso, de 75 anos, ainda estava no chão e técnicos da Defesa Civil inspecionavam o local onde o carro bateu.

Olindina disse que estava dormindo e acordou assustada com o barulho da batida. Um Fiat Uno que estava estacionado na garagem da residência não sofreu avarias.
"Eu achei que fosse um acidente na rua, uma batida comum. Pensei em abrir a janela e olhar o que tinha acontecido, mas ouvi os tiros e resolvi voltar para cama. Só percebi que a minha casa foi atingida quando os vizinhos me chamaram perguntando se eu estava bem e se alguém tinha feito alguma coisa comigo. Ainda bem que não vi nada", disse a aposentada.

Um morador, que preferiu não se identificar, disse que antes de bater contra a casa de Olindina o carro se chocou com um tronco de árvore na calçada, que fez com que o carro parasse ao contrário do sentido que estava vindo.

O Nissan Mach foi recolhido, no início da manhã de ontem, e levado para o depósito do Detran, no centro de São Gonçalo.





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