17 de Maio de 2012

Polícia
Enviado por Leonardo Barros 5/2/2012 01:23:35

Casal desaparece em São Gonçalo

O mato tomou conta da entrada principal. No único cômodo de alvenaria (em baixo de uma casa em construção), a cama de solteiro, uma poltrona, uma mesa e um armário, tomados pela poeira, continuam da mesma forma que foram deixados há pouco mais de cinco meses. Na parte de trás - uma peça feita de madeira e telha brasilite -alguns latões (que deveriam ser utilizados para o transporte de água, já que não havia ligação) pelo chão e um colchão molhado contribuem para o cenário de abandono. No local destinado ao banheiro, as escovas de dente da diarista Ana Maria da Silva Francisco, 50 anos, e do seu companheiro, o caminhoneiro José Conceição Rodrigues, 46, permanecem exatamente no mesmo lugar: uma ao lado da outra, dentro do armário, desde o dia 30 de agosto do ano passado, quando o casal desapareceu.

Sem nenhuma informação, familiares dos desaparecidos procuram desesperadamente por eles. Ana e José estavam juntos há cinco anos e moravam num terreno cedido pelo sobrinho do caminhoneiro na Rua Joaquim Nabuco, em Vista Alegre, São Gonçalo, há quase um ano. Segundo familiares e vizinhos, o relacionamento era conturbado e cercado de brigas. Os desentendimentos seriam tão acalorados que despertava a atenção de quem passava pela rua.

Ana foi vista pela última vez por uma das suas filhas, a autônoma Gerlane da Silva Valentim, 28, poucas horas antes do seu desaparecimento. “Minha mãe sempre ia na minha casa, pois trabalhava bem próximo. Nesse dia, ela me pediu R$ 10, pois estava sem dinheiro. Depois que foi embora, nunca mais tive nenhuma informação. Descobri que minha mãe usou o seu cartão de passagem duas vezes após sair da minha casa, como de costume. Porém, não há pistas se ela chegou em casa ou não”, disse Gerlane, que mantém a esperança de encontrar a mãe viva. “Penso sempre positivamente. Tenho esperança de encontrá-la com vida. Já fui ao Instituto Médico Legal (IML) e também busquei informações com a PM e o Corpo de Bombeiros, além de fazer o registro de ocorrência na delegacia”, contou a autônoma.

As irmãs de José Conceição também buscam informações sobre o desaparecimento dele. De acordo com elas, ele era uma pessoa divertida e que não tinha inimigos. “Antes do desaparecimento, tinha alguns dias que não via meu irmão. Ele costumava me visitar, as vezes almoçava aqui e até dormia. Numa dessas vezes, o José veio acompanhado da Ana. Não tinha muito contato com ela, pois os dois brigavam muito. Até agora não conseguimos nenhuma informação sobre o desaparecimento. O tempo passa e a esperança de receber notícias vai diminuindo”, contou a dona de casa Fátima Conceição Rodrigues, 44.

Duas famílias desesperadas

De acordo com os familiares de Ana Maria, ela era uma ‘guerreira’, muito dedicada à família. Antes de se mudar para Vista Alegre, a diarista criava uma neta, desde bebê, já que seu filho morreu por conta de uma doença nos rins. Porém, quando se mudou, a menina foi morar com a tia, Gerlane.
“Minha mãe se mudou e preferiu deixar a menina comigo. Tenho certeza de que minha mãe não sumiria de propósito sem me dar notícias, pois ela me ligava todo dia, até mesmo para saber como a menina estava”, disse Gerlane.

Caminhoneiro, José Conceição Rodrigues estava vivendo de pequenos biscates. Segundo familiares, ela ia receber uma quantia em dinheiro por conta de uma ação trabalhista. “Meu irmão não deu muita sorte no trabalho, porém era trabalhador. Não acredito que o José tenha ido embora sem avisar, pois não tinha dinheiro para isso. E com certeza, ele contaria para a família”, disse a dona de casa Fátima Conceição Rodrigues.

Polícia ainda não tem pistas


Os familiares de Ana Maria da Silva Francisco e José Conceição Rodrigues fizeram os registros de ocorrências separados na 74ª DP (Alcântara), poucos dias depois do desaparecimento. Porém, como de costume, a investigação foi encaminhada para a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH/NIT e SG). Na época do desaparecimento, investigadores foram até a residência do casal para apurar informações.

De acordo com o setor de investigação da DH/NIT e SG, o caso está no período de investigação e que, provavelmente, vai virar inquérito, pelas características do desaparecimento.





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