17 de Maio de 2012
O ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), coronel Djalma Beltrami, foi preso, na quinta-feira (12), pela segunda vez, após ser denunciado pelo Ministério Público por omissão ao tráfico de drogas e associação ao tráfico. Na primeira prisão, no dia 19 de dezembro, Beltrami foi acusado de receber propina de R$ 160 mensais de traficantes do Complexo da Coruja, em Neves, para ‘aliviar’ o comércio de drogas na comunidade. O coronel sempre negou todas as denúncias.
“Ele foi denunciado por tráfico e associação ao tráfico porque tinha o dever de agir e recebia propina para não agir”, afirmou o promotor Marcelo Maurício Barbosa Arsênio.
Além de Beltrami, 12 policiais do batalhão e 27 traficantes, do Complexo do Maré, no Rio, e dos Morros do Bumba, em Niterói, e da Coruja, em São Gonçalo, foram denunciados no ‘esquema’, com base no inquérito instaurado pelo delegado da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH/Nit e SG), Alan Luxardo.
A segunda prisão de Beltrami foi decretada, novamente, pelo juiz Márcio da Costa Dantas, da 2ª Vara Criminal de São Pedro D’Aldeia. A prisão do ex-comandante foi cumprida por agentes da Corregedoria Geral Unificada (CGU). Ele foi preso em casa, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
O delegado Alan Luxardo, que finalizou o inquérito, confirmou, ontem, que a pelegadrisão teve como base as investigações da DH (Nit/SG) “Temos provas de que o esquema acontecia durante a gestão dele. Ele negou, mas temos material bastante contundente sobre o esquema”, disse Luxardo. O advogado de Beltrami, Marcos Espíndola, informou que a defesa ainda não teve acesso ao novo mandado de prisão e por isso não quis se pronunciar.
O coronel foi levado para 64ª DP (Vilar dos Telles) e de lá será transferido para a sede do Quartel Geral da PM, no centro do Rio. A Secretaria de Segurança informou, através de nota, que só vai se pronunciar após a conclusão do processo.
Investigações começaram há 8 meses
De acordo com o delegado da DH/Nit-SG, Alan Luxardo, as investigações tiveram início há oito meses e apuravam o tráfico de drogas na Região dos Lagos. As drogas saíam de favelas como Parque União, Manguinhos e Nova Holanda, no subúrbio do Rio, e seguiam para o Morro da Coruja, em São Gonçalo. Conforme as investigações, PMs recebiam propina para não reprimir a chegada dos entorpecentes à comunidade. Parte da carga era levada para São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos.
Turbulência ao assumir batalhão
Djalma Beltrami assumiu o 7º BPM, em setembro de 2011, após a prisão do tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, acusado de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros ao chegar em casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, em agosto. Ao todo, 11 PMs foram denunciados pelo Ministério Público como participantes da morte da magistrada. O tenente-coronel e um tenente foram transferidos, há cerca de duas semanas, para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).
Ex-árbitro de futebol
Ex-juiz de futebol, Beltrami, 45, fez parte do quadro de árbitros da Federação do Estado do Rio de Janeiro, de 1989 a 2011, quando se aposentou por idade, em maio. Também era dos quadros da CBF (1995 a 2010) e da Fifa (2006 a 2008).
Coronel alegou inocência
Em dezembro, após obter o benefício do habeas corpus, Beltrami alegou inocência. “O meu trabalho sempre foi especificamente a nível operacional no batalhão. Se chegar ou se tivesse chegado alguma informação específica dessa natureza, todos os procedimentos teriam sido tomados. Eu disponibilizo qualquer coisa que for preciso, já coloquei isso às autoridades, que estão na apuração. Eu moro de aluguel na Baixada Fluminense, tenho um carro, minha esposa tem outro carro. Não tenho nada a esconder, eu nunca fiz nada errado. Estou muito convicto disso, por isso, eu consigo colocar a minha cabeça no travesseiro e ficar tranquilo”, alegou Beltrami, na ocasião.
Escutas telefônicas
O novo pedido de prisão preventiva de Beltrami teve como base escutas telefônicas. Em parte de uma delas, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, “o coronel Beltrami fala com um subordinado sobre a retirada de qualquer material errado nas viaturas, como touca ninja, munições não permitidas e armamento, pois não queria ter problemas com eventual fiscalização da Corregedoria”. Segundo o MP, em mais de cem conversas interceptadas, policiais se referem ao ‘01 (zero um) do Batalhão’, ao ‘Comandante maior’, ‘Chefe dos policiais’ e ‘o que assumiu agora”.
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