17 de Maio de 2012
Um dos principais suspeitos da morte da juíza Patrícia Acioli já está preso desde a tarde de sexta-feira. Alex Sando Costa da Silva, 38, o Alex Orelhinha, um dos líderes do tráfico no Morro do Menino de Deus, estava foragido desde novembro de 2010 da carceragem da Polinter de Neves, em São Gonçalo, e foi recapturado um dia depois da morte da juíza, na casa dos pais dele na Trindade. Segundo fontes da DH, ele teria sido flagrado por câmeras de segurança da rua de Patrícia Acioli, três dias antes do crime, às 23h13.
Até ser recapturado, no dia 12 de agosto, Alex Orelhinha respondia apenas a processo por receptação. Mas no dia seguinte (13), a juíza Denise Appolinaria dos Reis Oliveira, de plantão no cartório Judiciário, expediu um mandado de prisão por homicídio.
“Cuida-se de prisão determinada pelo Juízo da 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo e os documentos remetidos pela autoridade policial indicam que a prisão atendeu aos limites da ordem judicial. Nada a prover. Após o plantão, remetam-se os autos ao Juízo Natural”, relata o despacho da juíza.
Investigações da Divisão de Homicídios apontam que Alex Orelinha seria um dos motoqueiros flagrados pelas câmeras de segurança da rua da juíza no dia do crime. O outro ocupante da moto seria um ex-PM, já expulso da corporação, que seria julgado pela juíza Patrícia Acioli nos próximos dias.
A equipe da Divisão de Homicídios também investiga a participação de Anderson Marinho de Oliveira, 36, o Portuguesinho, assassinado na tarde de sábado, no bairro Tenente Jardim, em São Gonçalo. Investigado por participação em grupo de extermínio que atua há pelo menos 10 anos na cidade, Portuguesinho chegou a ser preso em maio, numa blitz, quando foi reconhecido justamente por um promotor de Justiça que atuava na 4ª Vara Criminal.
Diligências - Ontem, equipes da DH e da Polinter estiveram no Jardim Catarina e em outros bairros de São Gonçalo realizando diligências para prender outros envolvidos no crime.
Bicheiro, PMs e grupo de extermínio na mira da DH
Outras três linhas de investigações estão sendo consideradas prioridades para os policiais da Divisão de Homicídios (DH) para chegar aos autores da morte da juíza Patrícia Acioli, executada a tiros em frente à sua residência, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, na última quinta-feira. Foi através dessas três frentes de apuração que os agentes formaram a lista dos 12 suspeitos de participação no assassinato da magistrada.
Entre os investigados está Luis Anderson de Azeredo Coutinho - filho de Luizinho Bicheiro, já falecido - que, além de ser apontado como um dos líderes da contravenção no município, responde a um processo na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo pela morte da principal testemunha da máfia das vans, o motorista Idelfonso Teixeira de Abreu.
O motorista foi assassinado com 11 tiros na porta de casa, no Jardim Catarina, em dezembro de 2008. Há dois anos, Anderson, que pertence à terceira geração do grupo de contraventores que atua na cidade, foi flagrado em interceptações telefônicas da Polícia Federal (PF) dizendo que uma 'bomba ia explodir em São Gonçalo' e 'que a pessoa responsável por bater o martelo ia chorar lágrimas de sangue'.
Segunda - A segunda frente das investigações da DH aponta para a suspeita de envolvimento de policiais do 7º BPM acusados de forjar autos de resistências (quando há confronto com morte de criminoso) durante incursões realizadas em comunidades do município. A prisão preventiva dos PMs foi expedida por Acioli horas antes de sua execução. De acordo com denúncia oferecida pelo MP, os quatro cabos, um tenente, um sargento e um soldado teriam participado de uma operação no Complexo do Salgueiro, que terminou com a morte do vendedor ambulante Diego da Conceição Beliene, 18 anos, no último dia 3 de junho.
Quatro desses oito PMs, que já estão presos, também foram indiciados pela morte da catadora Valdira de Souza Godinho, 21, atingida com um tiro no olho direito na Rua Pedro Queiroz, na Favela do Rato Molhado, também no Complexo do Salgueiro, em maio do ano passado. Moradores da comunidade acusam os policiais de terem entrado atirando na favela, por volta das 21h, ignorando a presença de crianças e idosos na rua.
Terceira - O terceiro foco das investigações se concentra na atuação do grupo de extermínio liderado por Wanderson da Silva Tavares, o Gordinho ou Tenente, preso em janeiro desse ano em Guarapari, no Espírito Santo.
Lista - Com o criminoso, a polícia encontrou uma 'lista negra' com 12 nomes de pessoas marcadas para morrer, entre elas a juíza Patrícia Acioli. Interceptações telefônicas, que estão sendo mantidas em sigilo pela Justiça, revelaram a intenção do acusado de 'eliminar' os responsáveis pela desarticulação da quadrilha e o deboche dos integrantes do grupo de extermínio ao referir-se à magistrada, chamando-a de ‘Patricinha’. Na tarde da última segunda-feira, dois promotores estiveram no Fórum de São Gonçalo para fazer uma perícia de voz em Gordinho.
Missa de 7º dia marcada por consternação e protestos
A missa de sétimo dia da morte da juíza Patrícia Acioli foi realizada, na noite de ontem, na capela do Colégio São Vicente, na Rua Miguel de Frias, em Icaraí, Niterói, sob protesto e consternação. Parentes e amigos vestiram roupas pretas em sinal de luto e exibiram fotos da magistrada junto com a oração de São Francisco, santo preferida da magistrada.
Uma das filhas da juíza, de 12 anos, classificou a mãe como ‘heroína’. O tio da menina, o defensor público José Augusto Garcia, ex-cunhado de Patrícia, cobrou empenho da Justiça e polícia no caso.
O enteado da juíza, estudante do 5º período de Direito, lamentou a perda. Ele disse que a madrasta era um exemplo de vida.
“Ela era uma mãe sensacional. A minha maior inspiração de vida”, disse o jovem.
PMs serão transferidos
Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) que respondem processo na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo serão transferidos para outros batalhões do Estado. A decisão foi tomada durante reunião entre os três juízes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – designados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluzo – para acompanhar as investigações do caso – com o governador Sérgio Cabral e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos.
Segurança - Rebêlo acrescentou também que vai comprar mais dez carros blindados para a segurança de juízes, além de adquirir um terreno para a construção de um fórum que vai centralizar todas as varas no mesmo espaço físico.
Além disso, o governador também autorizou que a segurança do Tribunal de Justiça seja reforçada com 30 policiais. Na manhã de ontem, equipes de manutenção do TJ começaram a instalar detectores de metais, esteira e aparelhos de raios-x na entrada principal do Fórum de São Gonçalo, no bairro santa Catarina.
Nota - Através da assessoria de imprensa, o Governo do Estado emitiu uma nota à impresa sobre a transferência dos PMs. “Com relação ao pedido de transferência dos PMs que respondem a processos criminais em São Gonçalo, esclarecemos que a informação correta é que a Secretaria de Estado de Segurança tomará as providências cabíveis, logo que receber a lista que ficou de ser remetida pelo TJ”.
Juíza foi morta com 21 tiros
A magistrada foi morta com 21 tiros dentro de seu carro, um Idea Adventure, na porta de sua casa, na Rua dos Corais, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, na noite da última quinta-feira. De acordo com a polícia, dois homens em uma motocicleta preta teriam feito os disparos de pistolas.
Mais de 20 pessoas já foram ouvidas no inquérito que apura a morte da juíza. Com 47 anos de idade, Acioli tinha 19 anos de magistratura, e teve o trabalho marcado pelo rigor nas decisões e condenações, principalmente, de policiais militares acusados de participação em grupos de extermínio em São Gonçalo.
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