17 de Maio de 2012
Deu ‘bode’. A polícia declarou ‘guerra’ ao jogo do bicho e, a partir de agora, ‘apontadores’ serão presos em flagrante por crime contra a economia popular e não serão liberados por pagamento de fiança, conforme nova determinação da chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha.
A nova diretriz da polícia converge com a declaração do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que ‘perdeu a paciência’ com a jogatina, ontem, após prender um apontador pela sexta vez, no centro do Rio. “Chegou a hora da sociedade decidir o que deseja do jogo do bicho. Ou se criminaliza essa prática, ou se legaliza”, desabafou Beltrame.
A nova portaria da Polícia Civil é mais um ‘golpe’ à cúpula do ‘bicho’ que teve a maior ‘baixa’ no último dia 23 deste mês, durante a Operação Dedo Deus’, quando 227 pessoas ligadas à jogatina foram presas em todo o Estado. As ações de combate ao jogo de bicho foram um marco em 2011. A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam cerca de 3.350 contraventores, o maior resultado da história do Estado em um único ano. “Não há território intocável no Estado. O combate a corrupção e a contravenção são metas estabelecidas e que estão sendo cumpridas rigorosamente”, garante a chefe da Polícia Civil, Marta Rocha.
‘Vovô’ de SG é o 1º ‘peixe’ na rede
Ontem, um idoso, 66 anos, acusado de contravenção, foi preso na Rua Campos, no Colubandê, ao agir de forma inusitada e audaciosa: ele usava um trailer (similar a uma banca de jornais) para fazer apontamento da jogatina. O idoso, que alegou não ser o proprietário do ponto de bicho, foi preso em flagrante por policiais do 7º BPM (São Gonçalo) durante ação para coibir a contravenção na cidade. Os PMs apreenderam talões de anotações e um caderno com resultado de jogos.
O ‘apontador’ foi conduzido à 74ª DP (Alcântara) e autuado por contravenção penal. O delegado adjunto Emanuel Abud estabeleceu fiança de R$ 1.190 (dois salários mínimos) para que o acusado responda ao processo em liberdade.
Presos - Três apontadores de bicho foram presos por policiais da 72ª DP (Mutuá), e liberados após pagamento de fiança, na tarde de ontem, no centro de São Gonçalo. A ação cumpriu determinação da Secretaria de Estado de Segurança.
Beltrame faz apelo à sociedade
“Esta situação é um absurdo. Prendemos esses anotadores e, depois, eles são liberados quando chegam às delegacias, porque a legislação não permite mantê-los presos”, disse o secretário José Mariano Beltrame.
A Polícia Militar estabeleceu uma nova diretriz, priorizando operações em larga escala e centralizando a coordenação nos Comandos de Policiamento de Área. E, como resultado, prendeu 1.044 pessoas, de 17 de outubro a 26 de dezembro. Deste total, 213 são acusados de ligação com caça-níqueis, e 831 são ligados ao jogo do bicho.
A maior quantidade de prisões num mesmo dia, este ano, aconteceu no dia 23 de dezembro: 197 presos ligados ao jogo do bicho (apontadores e auxiliares) e 30 presos em flagrante com máquinas caça-níqueis, total de 227 em todo o Estado. O recorde de material apreendido foi dia 17 de outubro, com 290 caça-níqueis apreendidas.
Em agosto, polícia estourou ‘escritório’ da jogatina em SG
No último dia 24 de agosto, policiais da 75ª DP (Rio do Ouro) estouraram o ‘escritório central’ de apuração do jogo do bicho do contraventor Luis Anderson de Azeredo Coutinho, o Anderson Bicheiro, na Estrela do Norte, em São Gonçalo. Há dois anos, Anderson, que pertence à terceira geração do grupo de contraventores que atua no município. O acusado, que é filho de Luizinho Bicheiro, já falecido, possui dois mandados de prisão preventiva por homicídio.
Ação - Os agentes chegaram à central do jogo do bicho, localizada em um discreto apartamento de cinco cômodos na Rua Nilo Peçanha, após 10 dias de investigação. Câmeras de vigilância posicionadas na entrada do imóvel monitoravam a movimentação do lado de fora do local. Os policiais aguardaram um dos envolvidos no esquema entrar no escritório para surpreendê-lo com mais quatro pessoas no momento em que apuravam o resultado de uma das loterias do dia.
Manipulação de resultados
A partir de informações colhidas durante a Operação Dedo de Deus, a medida (Portaria 571 de 27 de dezembro de 2011) visa aumentar o combate à contravenção, já que a soma das penas imputadas à contravenção do jogo do bicho e a relativa ao crime contra a economia popular não permite a aplicação da Lei 9.099/95, que criou os crimes de menor potencial ofensivo, quando não há prisão.
O delegado deve colher os depoimentos dos envolvidos, verificando se há manipulação dos jogos, prendendo em flagrante os apontadores, que antes eram autuados apenas por contravenção penal e, depois, liberados. As informações levantadas poderão resultar em uma autuação em flagrante por concurso material, ou seja, a prática de um crime para a facilitação de outro. No caso do jogo do bicho, manipular resultados para roubar dinheiro dos apostadores.
Bolsa ilegal de apostas começou no zoo
O jogo do bicho é uma bolsa ilegal de apostas em números que representam animais e foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, em Vila Isabel. A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da República brasileira imprimiu grave crise ao comércio.
Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim é que, querendo aumentar a frequência popular ao zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro ao portador do bilhete de entrada que tivesse a figura do animal do dia, o qual era escolhido entre os 25 animais do zoológico e passava o dia inteiro encoberto com um pano.
O pano somente era retirado no final do dia, revelando o animal do dia. Posteriormente, os animais foram associados a séries numéricas da loteria e o jogo passou a ser praticado largamente fora do zoológico, a ponto de transformar a capital da República (de 1889 a 1960) na ‘capital do jogo do bicho’.
|
|
|
Expediente |
Anuncie Aqui |
Trabalhe Conosco |
Twitter |
Comunidade no Orkut |
RSS |
Fale Conosco
©Copyright O SÃO GONÇALO - Todos os direitos Reservados