17 de Maio de 2012

Polícia
Enviado por Celso Brito, Marcela Freitas e Blu Lima 25/6/2010 23:42:41

Na mira dos skinheads

Seis jovens - todos amigos do estudante Alexandre Thomé Ivo Rajão, de 14 anos, sequestrado, espancado, torturado e morto por estrangulamento na madrugada de segunda-feira passada - estão sendo ameaçados de morte em razão dos depoimentos prestados na 72ª DP (Mutuá), que resultaram na prisão de três suspeitos do crime. Dois deles deixaram suas casas e estão sendo mantidos em locais incertos, para que não sejam descobertos pelos criminosos, acusados pela polícia de integrarem uma gangue de skinheads, que prega o nazismo e a homofobia.

Um deles, um jovem de 19 anos, contou que foi ameaçado na tarde de quarta-feira, logo após prestar depoimento na delegacia do Mutuá.
“Eu estava caminhando para casa, quando fui abordado por cerca de cinco homens, ao passar nos fundos de um supermercado próximo a Avenida 18 do Forte, no Mutuá”. Ele correu e se refugiou em uma casa, de onde ligou para os parentes, que o socorreram. “Desde então, eu estou fora de casa”.

A outra vítima, uma jovem de 17 anos, parente de um dos acusados, disse que foi pressionada pela própria família para mudar o seu depoimento. “Quando souberam que ele ficaria preso, todos vieram atrás de mim e disseram que iam me matar”, contou. Ela procurou o pai de seu amigo - que também prestara depoimento -para que os dois ficassem juntos em local seguro. “Eles queriam que eu mentisse para a polícia”, denunciou.


Sexta-feira, faltou Alexandre na hora do jogo do Brasil

Enquanto para uns o clima foi de festa devido a classificação da Seleção Brasileira às oitavas-de-final da Copa do Mundo, para os familiares e vizinhos do adolescente Alexandre Thomé Ivo, de 14 anos, assassinado brutalmente na noite da última segunda, a manhã de ontem foi de silêncio. A diferença entre o sentimento dos moradores da rua onde residia o garoto era evidente, comparado ao dia do primeiro jogo, quando a vizinhança se reuniu e comemorou a vitória do Brasil com churrasco e festa.

Na casa de Alexandre, seu avô, o aposentado Washington Pedro Ivo, a irmã, Paula, 16, e a mãe, Angélica Vidal, 40, ainda lamentam a tragédia. Mesmo com a tristeza que se estabeleceu dentro da residência nos últimos três dias, eles lembraram que, em épocas festivas como a vivida nesse período do ano, a família sempre se animou para festejar.
“Algo que sempre acontece aqui são as confraternizações. Nunca gostamos de deixar nada em branco. Daqui para frente a gente nem sabe como vai fazer, mas, no momento, nossa preocupação é com a justiça que ainda tem que ser feita”, disse o avô.

Na casa, não para de chegar solidariedade, por telefone e de pessoas que visitam a casa para amparar a família. Diferente do acontecido há uma semana atrás, quando Brasil ainda estreava na Copa, o silêncio mútuo em sinal de respeito à família Ivo era assustador.
“Todos os vizinhos estão comovidos com o caso e ajudando a família nesse momento. Muitos aqui viram o Alexandre crescer e também estão indignados com essa barbaridade que fizeram com ele”, disse a mãe.

Os parentes da vítima estão otimistas quanto a resolução do caso, que pode culminar na condenação do brigadista Eric Boa Hora De Bruim, 22, do açougueiro André Luiz Marcoge da Cruz de Souza, 23, e do eletricista Allan Siqueira de Freitas, 22. De acordo com o delegado titular da 72ª DP (Mutuá), testemunhas continuam sendo ouvidas e os agentes do Núcleo do Homicídios seguem trabalhando para descobrir se há a possibilidade da existência de mais um suspeito que tenha participado do crime.

 





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