30 de Outubro de 2014

Polícia
Enviado por Viviane Romero 17/3/2010 21:10:47

‘Rato’ pega 29 anos de ‘ratoeira’

Exatamente três anos após o assassinato do barbeiro Douglas Cabral Fidélis, de 21 anos, morto a tiros dentro de casa, depois de ser torturado, em março de 2007, no bairro Luiz Caçador, em São Gonçalo, mais um acusado de participar do crime foi condenado. Juvenal Custódio da Silva, o Rato, pegou 29 anos e dois meses de cadeia. O julgamento, presidido pela juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, teve início na noite de terça-feira (16) e só terminou na madrugada de ontem. No mês de maio, deve acontecer o julgamento de mais um envolvido na execução, Rodrigo Soares Rangel, o Rodriguinho, que seria o mentor do crime.

Durante o julgamento, uma testemunha de defesa, que seria cunhado do réu, quase foi presa por falso testemunho, após alegar que no dia do crime estava com Rato em uma festa de criança. Provas falsas e contradições em sua versão levaram a juíza a dar voz de prisão à testemunha, que acabou libertada após se retratar.

As provas apresentadas pelo réu também não foram aceitas. Rato, juntamente com Rodrigo Soares Rangel, o Rodriguinho, e Rubens Rodrigues Nunes, o Rubinho, teriam invadido a casa de Douglas durante a noite do dia 17 de março, atrás de uma suposta arma. O barbeiro foi torturado durantes horas, acusado pelos bandidos por um ato que nunca teria cometido. O crime foi presenciado pela esposa da vítima e dois amigos do casal.

O primeiro a ser preso foi Rodriguinho, um mês depois da morte de Douglas. Ele estava foragido em São Paulo, mas acabou detido no Apolo III, em Itaboraí, quando veio participar da festa de aniversário de um familiar. O paradeiro dele foi descoberto através do grampo telefônico de um dos suspeitos.

Rubinho foi o primeiro a ser julgado e condenado a 46 anos de prisão. O julgamento de Rodriguinho também aconteceria na terça-feira, mas foi transferido para o próximo dia 30 de maio. Um quarto envolvido no crime foi absolvido por falta de provas.

Exumação três anos depois da execução

Na manhã de quarta-feira (17), data que marcou três anos da morte do barbeiro, aconteceu a exumação do corpo da vítima no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. Muito emocionada, a mãe de Douglas, M. Z.C. F, de 44 anos, que auxiliou a polícia nas investigações, falou sobre o resultado do julgamento.
“O tempo todo acreditei na Justiça e, por isso, fiz de tudo para que os assassinos do meu filho fossem identificados e presos. Não conseguiria assistir a exumação dele e saber que não fiz nada para que essa injustiça fosse reparada. A condenação do Rato, exatamente no dia da morte do Douglas, não ameniza a dor, mas me dá mais forças para seguir em frente”, disse M.Z., acrescentado que o julgamento mais esperado é o de Rodriguinho.

Ela ainda contou que pretende entrar com um processo contra a testemunha de Rato, que teria mentido durante o julgamento. Isso porque ele teria alegado que não disse nada antes por temer represálias da família de Douglas.

‘Carro da Linguiça’ foi desarticulado

Além dos assassinos de Douglas, a investigação, que teve auxílio fundamental da mãe dele, acabou desarticulando um grupo de extermínio que atuava no município, que contava com a participação de policiais militares. De acordo com a polícia, essa quadrilha teria sido responsável por mais de 100 mortes em São Gonçalo. Alguns dos policiais acusados estão presos e outros foram expulsos da corporação.

Segundo o delegado titular da 72ª DP (Mutuá), Adilson Palácio, seis inquéritos foram relatados ao Ministério Público (MP) envolvendo o grupo chamado de ‘Carro da Linguiça’, em referência ao veículo utilizado pelo bando nos crimes. Mais seis processos então em fase de conclusão e devem ser encaminhados à Justiça nos próximos meses.
“Nossas investigações dão conta de que esse grupo teria agido de 2002 a 2007 em diversos bairros do município. Na época, nossa área registrava de 20 a 25 mortes por mês, grande parte por intermédio deles. Dos 2.500 processos que temos no nosso Núcleo de Homicídios, aproximadamente 100 podem estar ligados ao grupo. Além da morte de desafetos, eles praticavam extorsão, cobrança de segurança e falsos autos de resistência (mortes em decorrência de confrontos com a polícia)”, explicou o delegado.

Alguns desses crimes teriam sido motivados por queima de arquivo. Entre os casos figura a morte de Alex Peçanha Almada, o Alex Verme. Ele teria visto os acusados, liderados por Rodriguinho, tirando os capuzes após a execução de Douglas. Ele foi morto quase depois de presenciar o crime. “Desvendar os homicídios é nossa prioridade. Ainda não estamos aonde realmente queremos, mas com esforço chegaremos lá”, finalizou Adilson Palácio.
 





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