30 de Julho de 2010
Salto alto, tailler e cabelos vermelhos, pingente dourado de tijolinho. A prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset, como muitas mulheres do século 21, é ‘workaholic’ e apressada. Em sua agenda, reserva pouco tempo para a vida pessoal. O último filme que viu no cinema foi “A Princesa”, em 2004. A única coisa que vê na televisão é o jornal da madrugada. Calça comprida, só usa quando viaja. Em entrevista a O SÃO GONÇALO, Aparecida Panisset revelou como compra suas roupas, o motivo da preferência ao vermelho (dos vestidos ao cabelo) e sobre a presença da mulher no meio político. Respondeu a todas as perguntas, e só não quis falar a idade.
A primeira vez que Aparecida Panisset precisou comprar roupas foi em 2005, pouco depois de assumir o primeiro mandato na prefeitura de São Gonçalo. O fato é que, desde seu enxoval, quem planejava o guarda-roupa era sua mãe, costureira de alta costura, que sempre fez todas as suas roupas, de calças e casacos de lã a conjuntos de tailler de linho. Naquele ano, com os sintomas de artrose avançando, sua mãe foi proibida pelo médico de continuar a atividade e Aparecida Panisset se viu, quase que literalmente, em maus lençóis.
“Me senti ilhada. Assustada com os preços que as roupas custavam, tentei várias costureiras. Mas encomendar roupas não era prático, eu precisava ir lá tirar as medidas, depois vestir, corrigir os defeitos, experimentar de novo. Demorava, e tudo para mim tem que ser rápido, gastar pouco tempo. Esse esquema não era para mim. Aí eu descobri a liquidação”, contou.
A prefeita admite que não tira “um dia para fazer compras”. Não dispensa uma boa liquidação mesmo se estiver entre a prefeitura de São Gonçalo e o Palácio Guanabara. Escolhe as roupas quase que a olho, e por ser magra, tudo que veste cai bem. O único problema são as mangas dos blazers, que ficam compridas e precisam ser ajustadas.
“Compro onde tiver liquidação. No verão compro roupa de inverno, no inverno compro roupa de verão. Não dou atenção às cores ou aos modelos da estação. E como vivo com pressa, às vezes nem entro na cabine. Experimento por cima mesmo da roupa, no espelho da loja”, disse.
Vermelho - A cor virou tabu. Em qualquer evento as pessoas esperam que ela esteja de vermelho, da cabeça aos pés. Segundo Aparecida, a escolha não tem conotações políticas. “Não é fácil achar roupa vermelha. Sempre usei, porque gosto de cores alegres, vibrantes. Não uso cinza. Bege, quase nunca, mas se estiver num preço bom, eu compro”.
Cuidado especial com os cabelos
Conservadora, a prefeita corta e pinta o cabelo há 25 anos no mesmo salão no bairro Paraíso, uma vez por mês, mesmo dia em que faz as unhas, cujo esmalte tem que durar mais trinta dias. A falta de tempo é a justificativa: “Não é desleixo”, frisa a prefeita. Agenda para 7h da manhã para não passar pelo constrangimento de, com o salão lotado, alguém querer lhe dar a vez.
“Comecei a pintar por causa dos cabelos brancos. Pintava de preto, que é a cor natural, mas o branco aparecia logo. Pensei em loiro, mas ia ficar muito gritante. O vermelho foi uma sugestão do meu cabeleireiro”, explicou.
Saia e salto alto - Se não estiver perfumada e de salto alto a prefeita não se considera vestida. Talvez pela altura ou pelo hábito adquirido quando professora, para conseguir ter visão de toda a sala. O uso quase que constante de saias e vestidos, segundo ela, não é uma exigência da igreja, mas do dia-a-dia na política.
“Como mulher pública vi que em alguns locais não se pode entrar de calça comprida. O blazer sempre tenho à mão, se estiver com vestido ou camisa de manga curta. Nunca uso roupa decotada. Não sou consumista. Sou caprichosa. Hoje, como prefeita, posso estar vestida de chita que as pessoas vão falar que estou bonita. Mas se não fosse prefeita, falariam que estou cafona. O importante não é a roupa que se veste, e sim o caráter de quem está dentro”, finalizou.
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