17 de Maio de 2012
As obras do Comperj impactaram, mais uma vez, a vida dos moradores de Visconde de Itaboraí, em Itaboraí. Depois de apresentar trincas em sua extensão, a ponte sobre um córrego, que liga Porto das Caixas a Visconde foi demolida pela Prefeitura, causando transtornos aos moradores da região. Um desvio foi feito para a passagem de pedestres, motocicletas e bicicletas. No entanto, quem depende de transporte público, ficou prejudicado. Para seguir em direção a Itambi ou no sentide Visconde é necessário fazer baldeação até o outro lado do córrego, onde um veículo fica à espera dos passageiros que chegam de uma ou outra direção.
A vendedora Deisimar Fernandes, 34 anos, moradora há 13 de Visconde, não se conforma com a situação. “Veja o que temos que encarar para sair ou chegar em casa todos os dias. Eu ainda me locomovo, imagina as pessoas que têm dificuldade de andar ou qualquer outra limitação? As autoridades têm que tomar providência urgente quanto a isso”, desabafa Deisimar. O morador Marcelo Alvim, 33, critica a maneira como a população é tratada. “Não é possível que essa situação continue do mesmo jeito. Há muito tempo vivemos nessa luta. O Comperj, com esses caminhões enormes, deveria saber que essa ponte não aguentaria. Se já não bastasse a situação das ruas, agora estamos isolados. Presos nas nossas próprias casas”, desabafou Marcelo.
Ressarcimento - A Prefeitura de Itaboraí informou que já foram alocados R$ 38 mil para reconstruir a ponte. De acordo com a assessora de imprensa da prefeitura, Lisley Bettega, o tráfego de caminhões das obras do Comperj, com peso muito acima do recomendado, foi um dos principais fatores para que a ponte fosse afetada na sua estrutura. Por isso, a Prefeitura irá pedir ressarcimento à Petrobras, através da Secretaria de Meio Ambiente do município. “O processo para conseguir a verba da Petrobras é muito demorado, por isso estamos realizando a obra e, depois, cobraremos o que foi gasto”, disse Lisley.
Ponte nova - O subtenente Aldecir Mendonça, da Defesa Civil, encaminhou um laudo sobre o problema para a Secretaria de Obras. “Se a ponte continuasse em funcionamento poderia ocorrer o risco de desabar”, avaliou. De acordo com Lisley, o prazo de entrega da nova ponte é de 9 dias.
Caminhões trafegam com cargas de 35 toneladas
No atalho improvisado, carros e vans rivalizam com os pedestres o direito de passar. Moradores observam que a ponte não foi construída para suportar as carretas de que vão e vem do Comperj. O representante do Núcleo de Estrada da Defesa Civil do município, Ricardo Morande, também aponta os caminhões como um dos responsáveis pelos trincos apresentados na ponte.
“A ponte tem carga permitida de até 25 toneladas, sendo 15 de cargas e 10 do próprio caminhão, porém, os caminhões estão transitando com carga acima de 35 toneladas. E ainda circulam em comboios de cinco ou mais, à noite”.
Morande ainda pontuou: “Se as condições climáticas ajudarem, a nova ponte estará liberada para o tráfego de veículos até o dia 7 de fevereiro. Temos que minimizar o mais rápido possível os danos provocados pela demolição da ponte, atrapalhando o dia a dia dos moradores da região e o fluxo de veículos”, concluiu.
‘Fissuras são a ponta de um iceberg’
Para o presidente da Associação Comunitária de Visconde de Itaboraí, Deucimar Zéfiro, o caso da fissura da ponte é apenas a ponta de um grande iceberg. Ele reclama que o Comperj raramente consulta a comunidade e, quando isso acontece, é difícil acreditar na palavra deles.
“É claro que o problema da ponte tem relação direta com os caminhões que trafegavam indo e vindo do Comperj. Eles podem negar, aliás, eles sempre têm duas versões para um mesmo fato. Agora, o que não pode é os moradores ficarem refém de um empreendimento que trouxe mais dor de cabeça que benefícios para a população. A reclamação aqui na associação é generalizada, a insatisfação é visível. Queremos providências”, disse Zéfiro. O presidente acredita que uma obra tão importante deveria ter estudado melhor seus impactos. “Queremos ser ouvidos”, concluiu.
A coordenadora geral do Fórum da Agenda 21, Ivone Chaves, diz que todos deveriam assumir as responsabilidades que cabe a cada um. Para ela, a população não pode ficar à mercê dos impactos da construção do polo, que afeta diretamente a vida de cada um dos moradores.
“O papel da Agenda 21 é tentar mobilizar a população, levar as discussões para as assembleias. O estágio das obras do Comperj está chegando aos 30% e o problema das desapropriações, por exemplo, ainda não foi solucionado”, afirma Ivone.
Rotina de casas rachadas
Não é de hoje que moradores de Itaboraí convivem com problemas causados pela construção do polo petroquímico. O caso das fissuras da ponte de Visconde, devido ao fluxo de caminhões com cargas pesadas, é apenas mais um. Casas estão rachando devido à trepidação de veículos em boa parte das estradas do município.
Em julho de 2011, O SÃO GONÇALO noticiou que 10 casas da Rua S, em Sambaetiba, tiveram as estruturas abaladas por rachaduras. Na época, moradores ameaçaram fazer manifestação contra o tráfego de caminhões pesados.
Danos - Em dezembro de 2011, a casa de Maria Lúcia da Conceição, também em Sambaetiba, foi parcialmente destruída e interditada pela Defesa Civil, deixando a mulher, o marido e quatro filhos angustiados. Os movimentos das retroescavadeiras do Comperj, que abriam um canal em um córrego atrás da residência, afetou a estrutura do terreno, abrindo uma vala e parte da casa desabou. Na época, a Petrobras se prontificou a reparar os danos causados à casa.
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