17 de Maio de 2012
Exatamente um mês antes de completar um ano de idade, a bebê Kalena Antunes do Nascimento, entrou para a triste estatística de vítimas fatais de dengue hemorrágica, em São Gonçalo. A criança faleceu na madrugada de ontem, depois de ficar quatro dias internada na Casa de Saúde São José, no Centro. Durante o velório, no Cemitério de São Miguel, mesmo lugar do enterro, parentes e amigos do bebê não se conformavam com a perda de Kalena.
Leandro Cardoso, tio e padrinho da menina, contou que Kalena, foi a primeira vez para o hospital na última quarta-feira, com os primeiros sintomas da doença, mas foi liberada porque, segundo os médicos, ainda não tinha tempo de concluir o ciclo para dar o diagnostico de dengue. Somente na sexta-feira os pais Gelson do Nascimento e Amanda Cardoso conseguiram a internação da menina.
No domingo, depois de já ter diagnosticado dengue hemorrágica, a bebê teve uma convulsão e foi encaminhada para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde ficou até a madrugada de ontem e não resistiu à gravidade do quadro.
“A dengue não é uma doença sazonal como dizem, ela está presente com milhares de pessoas infectadas. Nós só queremos uma resposta das autoridades, isso não pode ficar assim, queremos uma prevenção durante todo o ano e não só quando faz calor, para não acontecer o pior”, disse Leandro, emocionado.
Com a morte do bebê, moradora do bairro do Pita, a cidade de São Gonçalo contabiliza a 7ª vítima fatal de pessoas infectadas pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti.
De acordo com o último balanço realizado pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, o município contabiliza, oficialmente, cinco vítimas fatais da doença na cidade e 1.286 pessoas infectadas. No ranking da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, o município é o segundo em número de óbitos provocados pela dengue, ficando atrás somente da capital, com 11 mortos.
Denúncia – Para denunciar, a população pode ligar para o Disque Dengue de São Gonçalo 2712-0720. A Secretaria de Estado de Saúde também disponibilizou um número para reclamações: 0800-0255-525.
Sequência de óbitos
A primeira vítima fatal da doença esse ano em São Gonçalo, foi a estudante Laís Melo Miranda, 10 anos, moradora do Arsenal, que morreu no dia 8 de fevereiro. No dia 21 de março, o aposentado José Francisco Filho, 70, faleceu depois de ficar internado por três dias no Samcordis. Em 27 de março, o vendedor e morador de Jardim Miriambi, Egildo José Pires Corrêa, 26, veio a óbito após ficar 17 dias de internação. Dois dias depois, Raimundo Pereira Rodrigues, 55, residente em Itaúna, teve o diagnóstico de dengue hemorrágica constatado. A causa da morte, porém, foi declarada como complicações em decorrência de doença crônica.
No dia 6 de abril morreram Victor Hugo Mendes Pereira, com apenas sete meses de vida, morador de São Miguel, e Victória Domingues Maciel, 10, morador do Barro Vermelho. No dia 19 de abril, a bebê Kalena Antunes do Nascimento, de 11 meses, moradora do Pita, faleceu depois de ficar quatro dias internada na Casa de Saúde São José.
Agentes fazem operação em residências no Barreto
Agentes do Centro de Controle de Zoonoses de Niterói percorreram, na manhã de ontem, três quarteirões na comunidade da Leopoldina, no Barreto, em Niterói. No local há três casos suspeitos de dengue, entre eles, o caso do óbito do menino Paulo Henrique de Oliveira Fernandes, de seis anos. Vários focos de dengue foram localizados.
O trabalho foi concentrado nas casas dos moradores. Os agentes aplicaram larvicida e aerosystem, que combate o mosquito adulto. O supervisor do Centro de Zoonoses, Amílcar Ferreira, disse que foi determinada uma área para que fosse feita a ação.
“Nossa operação começou hoje e continua até acabarem todas as casas dentro deste limite estabelecido. Nós aplicamos os larvicidas nas águas paradas e, dentro das casas, o aerosystem. Os moradores devem ficar fora de casa cerca de 40 minutos para o veneno fazer efeito e, depois, podem voltar”, disse.
A dona de casa Márcia Rodrigues, 47, lamenta que este tipo ação seja feita apenas depois de um óbito, mas reconhece a importância do trabalho. “Sempre vem o agente comunitário aqui em casa e põe larvicida, mas nunca vi tanta gente combatendo o mosquito aqui no bairro”, disse.
Paulo Henrique morreu no último domingo, em São Gonçalo. A família do menino mora na Travessa Valdir Pacheco, e pelo menos outros dois rapazes da rua estão passando mal com sintomas suspeitos de dengue.
A babá Luana Fernandes, 26 anos, tia de Paulo Henrique, disse que o menino passou mal na quinta-feira, quando estava na escola, e foi levado para o Hospital Infantil Darcy Samarinho Vargas, em São Gonçalo, pois os hospitais de Niterói não tinham leitos.
“O levamos na quinta-feira e ele foi medicado. Voltamos no dia seguinte pois ele não melhorou, então ele foi transferido para outro hospital, mas voltou porque seu estado de saúde piorou”, disse.
Ela conta que todos os exames foram feitos, mas o resultado não saiu e, até agora, não foi confirmado a causa real da morte. Luana conta que a suspeita é de dengue hemorrágica, pois as complicações o levaram a ter uma parada cardíaca no domingo, o que agravou o seu quadro de saúde, vindo a falecer.
O sepultamento forma na tarde de domingo no Cemitério Municipal do Maruí, no Barreto.
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