30 de Julho de 2014

Geral
Enviado por Leonardo Barros e Gabriel Saboia 27/2/2010 20:15:54

Campo de futebol vira 'presídio' em São Gonçalo

Perder a tranquilidade de viver na zona rural de São Gonçalo. Essa é a principal preocupação dos moradores do Largo da Idéia com a construção de um Centro de Atendimento Intensivo (CAI), uma espécie de ‘presídio’ para ressocialização de menores e adolescentes infratores. A unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) abrigará jovens em regime de internação. O prédio será erguido na antiga Fazenda Engenho Novo, em uma área de 15 mil metros quadrados que há mais de 60 anos é utilizada como campo de futebol.

Segundo a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ), a obra será realizada pela Refor Construções, ao custo de R$ 5.752.337. A previsão é que a construção comece nesta segunda-feira e dure 12 meses. Quando estiver pronto, o Centro vai abrigar cerca de cem crianças e adolescentes, dando prioridade aos da região que necessitam de internação.

Os moradores alegam que o bairro não está preparado para receber esse tipo de unidade. A única estrada que leva ao Largo da Idéia, a José de Souza Porto, não é pavimentada e está esburacada.

No local predominam a pecuária e agricultura, e como num bairro do interior, a maioria dos moradores se conhecem.
“Nunca tivemos melhorias no bairro, como saneamento básico e água. A estrada está muito ruim, em dias de chuva forte muitos carros não conseguem passar por causa da lama. Não consigo entender o motivo de instalar esse tipo de unidade aqui na zona rural, um local tranquilo em que muitas pessoas vivem da agricultura e pecuária, e que faz parte do cinturão verde do município. Para piorar ainda vão acabar com uma das poucas áreas de lazer do bairro”, reclamou o estudante de veterinária Melyon Machado, de 24 anos, nascido e criado no Largo da Idéia.
“No campo temos várias escolinhas de futebol para crianças de todas as idades, com o objetivo de retirá-las das ruas no seu tempo vago”, disse o membro da comissão da Associação de Moradores do Largo da Idéia, Sílvio Henrique da Silva.

Segundo o representante da comunidade, o Governo do Estado não informou aos moradores sobre a construção do CAI. “Ano passado veio um grupo de trabalhadores para medir a área e eles chegaram a informar que seria uma escola técnica. Mas, mesmo que fosse, a comunidade não queria que construíssem no campo, há muito terreno vago aqui”, completou Sílvio.

Nem mesmo as melhorias que poderão vir com a construção do CAI agradam a população, que chega a falar que prefere ficar pisando em lama e beber água de poço. “Prefiro sinceramente continuar sem saneamento básico e outras melhorias do que ter esse ‘presídio’ aqui no bairro. Isso pode acabar com a nossa tranquilidade. Aqui todo mundo se conhece, a vizinhança é bem antiga. Eu fui criado aqui e quero a mesma paz para criar a minha filha”, afirmou Ricardo Viana, 49.

Os moradores programaram uma reunião para domingo (28), às 15h, no campo de futebol, para discutir ações que possam impedir o início das obras do Centro de Atendimento Intensivo.

Abrigo aos jovens de 12 a 18 anos

De acordo com o Degase, o CAI tem uma estrutura maior (por ser internação) para oferecer ações sócio-educativas de cultura, esporte, lazer e profissionalização. Também tem por obrigação a escolarização dos internos, de 12 a 18 anos.

Essa unidade é diferente do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (CRIAAD), antigo Criam, que trata os jovens em regime de semiliberdade.

A unidade de maior sucesso no Rio é a de Belford Roxo, conhecida como CAI-Baixada, que já funciona há 12 anos e recebeu recentemente obras de melhorias nas instalações.

O projeto tem o objetivo de descentralizar o atendimento, levando os jovens a ficarem mais próximos de suas cidades. Além de São Gonçalo, Volta Redonda, Nova Friburgo, Campos e uma cidade da Região dos Lagos também irão receber unidades do CAI.

A Emop-RJ também informou que o prédio em São Gonçalo terá 3 mil metros quadrados e será cercado por muros e alambrados, para manter a segurança da vizinhança.

Segurança reforçada

Na planta de construção do Centro de Atendimento Intensivo (CAI), elaborada pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ), é possível perceber o sistema de segurança que será montado. O local contará com muros e alambrados, e entre os dois haverá uma área de saibro. O local terá cinco guaritas sobre os muros, além de uma outra guarita na entrada da unidade.

De acordo com o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), responsável pelo CAI, essa estrutura é para garantir a segurança dos internos e dos moradores da região.

A planta também mostra o prédio da escola e quadras esportivas, com a proposta de escolarização dos internos, de 12 a 18 anos de idade.





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