30 de Julho de 2010
O Rio é conhecido por ser a capital da alegria, da simpatia, do Carnaval. E isso é bom para o turismo, os negócios, o desenvolvimento. O desafio do poder público, porém, é transformar este patrimônio intangível em dados, estatísticas e informações que balizem políticas públicas que fomentem a inclusão de mais trabalhadores nesta cadeia, gerando renda para a população.
Só para ficar no Carnaval, símbolo maior desta alegria que injeta um bilhão de dólares em nossa economia, começamos a nos dar conta do quanto esta mistura entre trabalho e nossas características como povo podem trazer desenvolvimento. Não só econômico, mas cultural.
Ao unir ricos e pobres, zonas norte e sul, morro e asfalto; ao mergulhar nas raízes que formaram nossa noção de povo, cantar nossa história, o Carnaval se transforma no espaço ideal para que artistas mostrem talento e criatividade e retirem seu sustento. Nesta época, mercados menos visíveis, como de direitos autorais, geram receitas importantes a quem vive de arte.
E o trabalho permanente dos que alimentam esta indústria, prestando serviços nos setores de espetáculos, audiovisual, alimentos, hotéis, restaurantes, só para ficar nos mais óbvios? Recentemente, o estudo “A Cadeia Produtiva do Carnaval”, coordenado pelo professor Luiz Carlos Prestes Filho, lançou luzes sobre as atividades que são movimentadas por conta “do maior espetáculo da terra”.
Num trabalho multidisciplinar, o livro mostra que o Carnaval não se restringe ao Sambódromo e à Zona Sul da capital, mas se espalha por todo estado, tendo reflexos até em Barra Mansa, no sul fluminense. Lá, um grupo de bordadeiras produz 39 milhões de peças por ano só para o Carnaval, injetando R$ 53 milhões na economia do estado e respondendo por 4,2% do PIB do município.
Está na hora de olharmos com mais atenção para as manifestações culturais como vetor de desenvolvimento. Uma imagem interessante colocada pelo professor é a seguinte: diferentemente de uma indústria, que precisa construir um prédio, comprar máquinas e insumos, contratar funcionários para só então ter um produto, a economia do entretenimento tem uma lógica invertida. Nasce de uma manifestação espontânea, ganha o espaço das ruas, é reconhecida pelo estado, que constrói para ela uma passarela, e durante o processo, que gera divisas, o que a torna ativa são as pessoas.
O que proponho é pensarmos juntos como é possível adensar esta cadeia da alegria. A partir de estudos como o citado temos dados para trabalhar o Carnaval, o livro, a música, o audiovisual. Mas poderíamos levantar informações também sobre o futebol, por exemplo. A partir das informações, podemos mudar nossa realidade projetando um futuro em que, como diz a letra de Chico Buarque, a única lei é sermos obrigados a ser feliz. Vamos começar?
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