MP apura ligação de 14 políticos com o tráfico de drogas em Niterói

Eles teriam negociado compra de votos com bandidos

Enviado Direto da Redação

Por Renata Sena e Thuany Dossares

Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público Federal, e da Polícia Civil realizaram, na manhã de ontem, uma megaoperação, intitulada de ‘Pé de Pano’, contra o tráfico de drogas no Morro do Cavalão, localizado na região de São Francisco e Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Quatorze políticos da cidade estão sendo investigados sob a suspeita de negociarem com traficantes a compra de votos de moradores da comunidade. Policiais militares também estão sendo sondados devido a uma possível relação com criminosos do Cavalão. Sete acusados de tráfico foram presos.


Durante as investigações, promotores e policiais conseguiram desenhar o que seria a ‘espinha dorsal do tráfico de drogas no Cavalão’, identificando 84 traficantes, soltos e presos, em suas diversas atribuições. No período de janeiro de 2016 até março de 2017, a comunicação de mais de uma centena de indivíduos foi monitorada com autorização da Justiça e diligências externas foram realizadas.

A apuração verificou que os traficantes do Cavalão abastecem outras comunidades de Niterói, servindo como um verdadeiro entreposto de material entorpecente. Além disso, também foi apurado o envio de cargas de drogas para serem revendidas em presídios.

Segundo o MPRJ, no mais alto posto de liderança da comunidade está Reinaldo Medeiros Ignácio, vulgo Kadá, que, embora preso no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, administra à distância o tráfico no Cavalão. Ele dá as ordens que julga necessárias diretamente aos seus familiares, para que eles as repassem aos outros traficantes. Entre os familiares denunciados que compõem a organização criminosa, está sua companheira, Monique Pereira de Almeida, e seus filhos Rafael Medeiros Ignácio e Reinaldo Medeiros Ignácio Junior.

Abaixo de Kadá, está Anderson Rodrigues França, vulgo Goelão, na posição de “frente”, responsável pela tomada de decisões práticas em relação ao tráfico. Ele administra a contabilidade, gerencia os pontos de venda e os “gerentes do tráfico”, supervisiona o envio de cargas e a contratação de advogados para outros traficantes. Segundo o MP, ele é auxiliado por sua companheira, Jaqueline Tavares Medeiros, por sua vez auxiliada pela irmã, Ana Mary Tavares Medeiros, e pela mãe, Jandira Tavares – todas também denunciadas.

Por conta da complexa estrutura do tráfico no local, o GAECO/MPRJ dividiu a denúncia em seis núcleos organizacionais, sendo o primeiro deles referente ao chefe do tráfico, o “frente” e seus familiares; o segundo deles referente aos “gerentes”; o terceiro deles referente aos fornecedores e intermediários; o quarto deles relacionado aos “vapores”; o quinto deles relativo aos “atividades” e “aviões”; e o sexto deles relacionado ao núcleo de traficantes presos, que, mesmo encarcerados, exerciam atividade de traficância junto aos demais membros do tráfico da comunidade do Cavalão.

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