Travesti é ‘julgada’ e executada por traficantes no Porto Velho

Uma segunda pessoa conseguiu fugir dos bandidos

Enviado Direto da Redação
Moradores contaram que os criminosos chegaram por volta de 10h, trazendo as vítimas num carro

Moradores contaram que os criminosos chegaram por volta de 10h, trazendo as vítimas num carro

Foto: Alex Ramos

Julgado e condenado à morte por um ‘tribunal’ do tráfico, a travesti Claudia Oliveira (Alan Oliveira Rodrigues no registro civil), de 26 anos, foi assassinada a tiros, na manhã de ontem, no Porto Velho, em São Gonçalo. Além dela, que trabalhava fazendo lanches, um homem ainda não identificado foi baleado, mas conseguiu escapar.

O corpo de Claudia foi encontrado na Rua Manoel Duarte, próximo à comunidade Campo da Brahma, e ao seu lado estava um isopor com a inscrição “Robando morador. Ass tropa da Santo Cristo. Só os cria, tudo 3 (sic)”. De acordo com moradores da região, um carro preto chegou com a travesti e o outro homem ao local, por volta das 10h. Ele foi baleado numa das mãos, mas conseguiu correr, já ela acabou sendo executada.

Policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) foram até o endereço, que fica próximo à BR-101, para realizar perícia técnica. De acordo com as investigações dos agentes, Claudia estava morando no Fonseca, Zona Norte de Niterói, e o crime pode ter sido cometido por traficantes do Morro do Santo Cristo, no mesmo bairro, que tem a venda de drogas gerenciada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).

Enquanto era realizada a perícia, o pai de Claudia chegou e não conteve às lágrimas ao ver a filha. “Ele era uma pessoa muito amável, fazia amizade rápido e muito alegre. Estive com ele na semana passada, no aniversário dele. Cheguei hoje para trabalhar e quando me falaram que tinha uma pessoa morta aqui, não sei porque, mas na hora senti que podia ser ele, instinto de pai, não sei explicar”, lamentou ele, que é o funcionário de um frigorífico.

O baleado está internado num hospital da região. O corpo de Claudia foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), em Tribobó.

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