Idoso é vítima de bala perdida no Rio do Ouro

Caso aconteceu no sábado em uma troca de tiros na Favela da Linha

Enviado Direto da Redação

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Nem mesmo a distância impediu que o aposentado Elias da Silva Barbosa, o Chico da Linha, de 85 anos, recebesse um último adeus repleto de afeto e saudade. Cerca de 200 pessoas, entre amigos e familiares, compareceram ao enterro, realizado no Cemitério Municipal de Maricá, na tarde de ontem. Elias era conhecido como o morador mais antigo da localidade do Buraco Quente, na Comunidade da Linha, em Rio do Ouro, São Gonçalo, onde criou filhos e netos. Adepto de jogos de azar, vivia cercado de companheiros de hobby e era figura estimada na região.


O morador ilustre foi atingido por um disparo durante troca de tiros entre policiais e traficantes da comunidade no fim da tarde de sábado. Segundo familiares, ele voltava de Várzea das Moças quando encontrou uma vizinha que queria lhe mostrar o filho recém nascido. Ao ouvir os disparos, Elias tentou abrigar mãe e filho, foi atingido e morreu no local.


Segundo a polícia, uma viatura fazia patrulhamento de rotina na RJ-106, que corta a Comunidade da Linha, por volta das 16h, quando identificou três veículos suspeitos, sendo que um deles carregava grande quantidade de mercadorias na caçamba com a aparência de colchões. Houve troca de tiros e os suspeitos fugiram.


Cerca de três horas depois do confronto, criminosos atearam fogo em um ônibus, também na RJ-106, no sentido Niterói, na altura do Km 07, em Várzea das Moças. O motorista do coletivo relatou aos policiais que três homens, um deles armado, havia roubado o dinheiro do caixa, ordenado a retirada dos passageiros e incendiado o veículo. A ação causou um grande congestionamento na via até que a carcaça do ônibus fosse removida. No final tarde de ontem, viaturas do 7° BPM (São Gonçalo) ainda estavam na entrada da comunidade.


A morte inesperada causou grande revolta entre aqueles que estimavam a vítima. Alguns presentes no enterro comentavam sobre o aumento da violência no bairro.


“É um absurdo alguém trabalhar a vida inteira e morrer como um bandido, com bala no corpo”, lamentou uma vizinha do idoso. Familiares ainda nao acreditavam que uma pessoa tão ativa para a idade pudesse partir de tal forma. “Vá em paz,tio. Cuide de nós!”, pediu um deles. A ocorrência foi registrada na 75ª DP (Rio do Ouro), que vai investigar o caso. (Elena Wesley)

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