Trabalho em comunidades se torna 'profissão de alto risco' na região

80% dos funcionários da Enel já foram agredidos

Enviado Direto da Redação
>> Agressões e ameaças marcam o trabalho de equipes da Enel, principalmente em SG e na Baixada

>> Agressões e ameaças marcam o trabalho de equipes da Enel, principalmente em SG e na Baixada

Foto: Sandro Nascimento


Pelo menos 80% dos funcionários da Enel já foram agredidos por moradores de áreas de riscos, em São Gonçalo, durante o trabalho. Outros 60% dos funcionários contaram que já foram coagidos a fazerem ‘gatos’ dentro de comunidades, também durante o expediente, e 42% dos funcionários da Enel, que trabalham nas ruas, já foram ameaçados por traficantes, durante a realização do trabalho. Esses dados foram levantados através de um estudo realizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), através do Programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


De acordo com a Enel, esse estudo comprovou a dificuldade enfrentada pelos seus funcionários, e as cidades com maiores índices de dificuldade para que o trabalho seja feito por eles é São Gonçalo e Duque de Caxias. Funcionário da empresa há cinco anos, um eletricista de rede, que preferiu não se identificar, contou que a violência passou a ser rotina durante o trabalho.


“São Gonçalo está muito violenta e com o nosso trabalho, não é diferente. A situação da cidade reflete diretamente no nosso dia a dia. Infelizmente, ser abordado com fuzil na cara ao entrar numa comunidade virou normal. Somos frequentemente coagidos, ameaçados e até mesmo roubados. Comigo nunca aconteceu, mas já ouvi relatos de colegas que estavam no Jardim Miriambi trabalhando e tiveram seus pertences roubados pelos traficantes. Nos obrigarem também a fazer instalações clandestinas também já é normal. Entrar em comunidade para prestar nosso serviço é sempre um risco, contamos com a sorte porque nunca sabemos como seremos recebidos”, desabafou.


Atualmente, de acordo com a empresa, 232 mil clientes que vivem em área de risco estão em Niterói e São Gonçalo, onde há 133 comunidades controladas pelo tráfico. Nessas localidades com alto índice de furto de energia e violência, o acesso das equipes da Enel é restrito, impedindo um efetivo controle da distribuidora no combate às perdas e inadimplência, sendo impedida de realizar atividades de leitura, emergência e manutenção da rede elétrica.


Ainda conforme o estudo, para conseguir ter acesso a áreas de riscos os funcionários precisam descumprir regras impostas pela empresa. Como exemplo, 83% dos funcionários são obrigados a desligarem as câmeras dos veículos para entrar nas comunidades.



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