Amigos mortos após culto evangélico teriam sido confundidos com traficantes

Jovens estavam com marcas de tiros e sinais de tortura

Enviado Direto da Redação
Cerca de 200 pessoas compareceram ao sepultamento dos amigos no Cemitério de São Miguel

Cerca de 200 pessoas compareceram ao sepultamento dos amigos no Cemitério de São Miguel

Foto: Leonardo Ferraz

“Eles faziam parte do grupo de teatro da minha igreja. Nenhum dos dois era bandido. Além de fiéis, eram obreiros amigos e filhos espirituais, minhas ovelha”. Essa foi a emocionada declaração de uma evangélica, ontem, durante o enterro dos amigos, o barbeiro João Vitor da Conceição, de 19 anos, e o mecânico Lucas Rosário Silva, de 22, no Cemitério de São Miguel, em São Gonçalo.


Os dois foram encontrados mortos na manhã do último sábado, na Amendoeira, e a principal linha de investigação da Divisão de Homicídios (DH) é de que eles tenham sido confundidos com traficantes que disputam territórios em comunidades de São Gonçalo.


De acordo com familiares, horas antes do crime, na sexta-feira, os jovens teriam ido a um local de orações na Amendoeira, e quando saíram decidiram ir a um parque de diversões no bairro do Pacheco. Lá, teriam sido sequestrados por um grupo de criminosos.


João Vitor e Lucas foram encontrados mortos com vários tiros e sinais de tortura, no Campo do Independente, na Estrada Nazário Machado, na Amendoeira. Sepultamento - Cerca de 200 pessoas, entre familiares e amigos, marcaram presença no final da tarde de ontem, no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, para dar o último adeus aos rapazes, que eram moradores de Tribobó, em São Gonçalo.


“Somos de comunidade, mas meu filho não tinha nenhum tipo de envolvimento com o tráfico. Qualquer pessoa pode visitar suas redes sociais, ir até o meu bairro e perguntar sobre a índole dos meninos. Nenhum dos dois tem passagem pela Polícia. O que pode ter acontecido é os dois terem sido confundidos, ou abordados, e ao perguntarem o local em que residiam, os bandidos podem ter achado que eles seriam do tráfico, que consequentemente é uma facção rival da localidade que moramos, e os assassinaram. Eles não eram bandidos. Eu não aceito meu filho ter partido dessa maneira tão cruel”, desabafou o pai de um dos rapazes.


O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHINSG).

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