Em defesa da vida

Enviado Direto da Redação

Neste ano, a Campanha da Fraternidade tem por tema “Biomas brasileiros e a defesa da vida” e, por lema, “Cultivar e guardar a criação”. Na linguagem bíblica, fica claro que toda a criação de Deus foi feita a partir do nada e em seis períodos de 24 horas. Primeiro, Deus cria os céus. Depois, cria a terra seca, os mares e separa a noite do dia. 

A partir daqui, Deus cunha toda a vida vegetal para ser autossustentável: as plantas têm a capacidade de se reproduzir e foram criadas em grande diversidade. A seguir, vêm as estrelas, os corpos celestes e tudo o que vive na água e no ar, todos com a capacidade de se perpetuar através da reprodução. No sexto dia, Deus faz nascer o homem à sua imagem e semelhança, colocando-o em posição de autoridade sobre todas as criaturas que vivem na terra. Ao término de seu trabalho criativo, descansa no sétimo dia. 

Ao se ler Gênesis 2.15, fica claro o que Deus deseja da raça humana. Lá está escrito: “O Senhor Deus colocou o homem no Jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo”. É aqui que repousa a ideia da Campanha da Fraternidade de 2017, exatamente porque o homem está se esquecendo da parte principal de sua criação: tomar conta da terra da qual foi feito. 

Anualmente, a Igreja realiza esta campanha com o objetivo de despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade em relação a um problema que ela, a sociedade, esteja sofrendo, no sentido de buscar caminhos para a sua solução. A cada ano, escolhe-se um tema que define a realidade concreta a ser transformada e um lema explicando para qual direção se pretende a transformação.

Sabendo isto, fica clara a escolha do lema “Cultivar e guardar a criação”. O que tem acontecido com o planeta é algo espantoso. A cultura do crescimento material ilimitado, não só sacrifica grande parte da humanidade, como exaure os recursos da Terra e atinge, em cheio, o futuro das gerações futuras.

A falta de cuidado com a nossa casa comum mostra, claramente, quão infantis e egocêntricos os homens têm sido, ao ignorar a necessidade deste cuidado, pois estamos enfrentando uma crise civilizacional sem precedentes.

Há um descaso pela má fortuna dos pobres e marginalizados, pelo destino dos açoitados pela fome, pela fuga das guerras promovidas por homens egoístas, irresponsáveis, desumanos. Há um descaso pela situação dos desempregados, aposentados, idosos, doentes. Há um agravante descaso pela vida inocente de crianças usadas como adubo na produção para o mercado mundial. Não bastasse isto, ainda temos à nossa frente, como uma verdadeira praga, além da violência com a Terra, a violência que instiga homens contra homens, sem nenhum respeito à vida.

Há um descuido do humano e um abandono dos sonhos de generosidade, de solidariedade, de beleza. O mundo está feio, insensato, descabido. Feio pela devastação da terra, pela poluição do ar e da água, pela descartabilidade do que é humano, rejeitando tudo o que representa o ideal de liberdade, de dignidade e de igualdade para todos. Feio pela violência insensata, pela mancha da desonestidade, pela falta de amor. 

Estamos necessitando de um novo modelo de convivência, não só com os homens, mas também com a natureza, buscando uma relação mais sadia com ambos. Uma relação que implante um novo pacto social, tendo, como núcleo, atitudes de respeito e de preservação de tudo que existe e vive. Ao escolher o lema da Campanha da Fraternidade 2017, a Igreja pensou em resgatar a espiritualidade e repescar atitudes e sentimentos de delicadeza que foram perdidos no tempo. Delicadeza e cuidado com a vida e com tudo aquilo que vive.

Enfim, como diz o documento do Vaticano: “Esta campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus – através da promoção de relações respeitosas com a vida, com a cultura dos povos que neles vivem. Este é um dos maiores desafios em todas as partes do mundo, já que as degradações do ambiente têm, como eterna companheira, as injustiças sociais. É preciso defender a vida na terra e a vida da Terra.

É preciso “Cultivar e guardar a criação”

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