Loja aproveita a rivalidade entre Lula e Bolsonaro para vender camisas

O comércio fica no Colubandê, em São Gonçalo

Enviado Direto da Redação

Por: Dayse Alvarenga e Rennan Rebello
 

Em ano eleitoral, quando a polarização política está cada vez mais acentuada em âmbito nacional e o popular “Fla X Flu” toma conta das redes sociais, uma loja de uniformes esportivos, no Colubandê, em São Gonçalo, aproveitou essa “rivalidade” entre eleitores do ex-presidente Lula (PT) e do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), que tentam se eleger à presidência da República, para realizar uma ação de marketing em escala local comercializando camisetas personalizadas com as imagens dos candidatos, que têm posições políticas e ideologias antagônicas.

As camisetas custam R$25 e contam com uma exposição de destaque na fachada da loja, habituada a trabalhar preferencialmente com personalização para a área esportiva. A ideia da empreitada teve origem através de um conhecido que apareceu no estabelecimento e se mostrou empolgado discursando sobre as próximas eleições.

“Tudo começou por causa de um amigo que é ‘fã’ do Bolsonaro. Nós percebemos seu entusiasmo e resolvemos produzir a camisa, em março, para vender e deu certo. Por isso continuamos com a venda”, explicou o vendedor Alexandre Silva, de 45 anos, contando ainda que a segunda camiseta fazendo alusão ao petista surgiu por conta de uma “provocação”.

“O nosso mostruário fica do lado de fora e nos deparamos com adesivos de ‘Lula Livre’ colados na blusa com a estampa do Bolsonaro. A partir disso, tivemos a ideia de produzir um outro produto usando este ‘gancho’ que também deu certo”, disse Alexandre, que revelou a intenção de confeccionar telas com imagens dos outros presidenciáveis.

“Nós estamos acompanhando as pesquisas e, na minha visão, Geraldo Alckmin (PSDB) pode ocupar o terceiro lugar e há uma possibilidade de fabricarmos também uma camisa fazendo menção a ele. Inclusive teve gente que já nos perguntou sobre a Marina (Silva), da Redem que a gente também pensa em produzir assim como o restante dos candidatos mas apenas sob encomenda”, explicou o comerciário que está empolgado com a repercussão das vendas.


Como, oficialmente, a campanha eleitoral iniciará a partir do próxima quinta-feira (16), O SÃO GONÇALO consultou uma especialista em Direito que interpretou que o estabelecimento não está infringindo a lei. “Entendo que, no caso em tela, a ação não configura propaganda eleitoral extemporânea (fora do prazo), pois não fora mencionado pedido de voto ou menção a pretensa candidatura”, disse.


OSG também procurou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e indagou a respeito deste tipo de comercialização. O TSE explicitou os artigos 3º, 4ª e 5º da Resolução 23.551. “Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet”. O tribunal também explicou o procedimento a ser adotado ao longo da campanha. “O artigo 13, da Resolução 23 551, é claro: são vedadas na campanha eleitoral confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor”.



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