Por 8 a 1, Cunha segue preso

Ministros do STF decidiram manter decisão do juiz federal Sérgio Moro, no inquérito da Lava Jato

Enviado Direto da Redação
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não aceitaram argumentos da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha e ele continuará preso

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não aceitaram argumentos da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha e ele continuará preso

Foto: Divulgação

Por 8 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por conta de investigações da Operação Lava Jato. Cunha está preso desde outubro do ano passado em um presídio na região metropolitana de Curitiba por determinação do juiz federal Sérgio Moro.

A Corte julgou recurso protocolado pela defesa de Cunha e os ministros acompanharam voto proferido pelo relator, ministro Edson Fachin, que entendeu que não houve ilegalidade na decisão de Sérgio Moro. O antigo relator, Teori Zavascki, também havia negado o primeiro recurso apresentado ao Supremo. Zavascki morreu em um acidente de avião no mês passado

O entendimento de Fachin foi acompanhado pelos ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e pela presidente, Cármen Lúcia.

Único a votar pela liberdade de Cunha, Marco Aurélio de Mello criticou a prisão cautelar de investigados na Lava Jato que ainda não foram condenados. Para o ministro, a prisão provisória foi generalizada durante as investigações.

A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobras em Benin, na África. O processo foi aberto pelo Supremo, mas, após a cassação do mandato do parlamentar, a ação foi enviada para o juiz Sérgio Moro porque Cunha perdeu o foro privilegiado.

Defesa - Os advogados de Cunha alegam que o juiz Sérgio Moro, responsável pela prisão, descumpriu uma decisão da Corte. Na petição, os advogados afirmam que o STF já decidiu que Cunha não poderia ser preso pelos fatos investigados contra ele na Operação Lava Jato, ao entender que o ex-deputado deveria ser afastado da presidência da Câmara, em maio do ano passado. Para a defesa, os ministros decidiram substituir a prisão pelo afastamento de Cunha.

Para o advogado Ticiano Figueiredo, defensor de Cunha, é preciso respeitar as decisões do Supremo e cumprir as garantias fundamentais a que Cunha tem direito. “O que Sua Excelência fez, nada mais foi, mandar um recado dizendo que quem soltar Eduardo Cunha está fazendo por pressão. Um ato que destoa da paridade de armas no processo penal”, disse.

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