Sequestro de van escolar tem final feliz em Niterói

O veículo foi resgatado na Favela da Coréia

Enviado Direto da Redação

Por Matheus Merlim e Renata Sena


Após serem sequestradas por bandidos armados, crianças são resgatadas ilesas pela PM


Em alguns segundos, a vida passa e você fica pensando: o que a gente faz com toda essa violência? O final, hoje, poderia ter sido diferente”. Esse é o relato de uma mãe que viveu horas de terror, enquanto seu filho, de dois anos, e um amiguinho da mesma idade ficaram em poder de criminosos, na manhã de ontem. As crianças foram sequestradas, no Barreto, em Niterói, quando a van escolar que seguia para a creche foi roubada por cinco homens armados.


O veículo foi resgatado pela polícia na Favela da Coréia, no Pita, em São Gonçalo, e os pequenos foram entregues aos pais, sem ferimentos, cerca de duas horas depois do assalto.


De acordo com a PM, toda a ação aconteceu por volta das 6h. Cinco homens armados, que fugiam de um confronto no Morro do Marítimos, no Barreto, roubaram um carro - uma Doblô prata - que também faz transporte escolar, na Rua Dr Luiz Palmier, no Barreto, em Niterói. De acordo com a motorista, Bárbara do Valle, de 60 anos, ela foi abordada enquanto esperava uma criança, em frente ao condomínio Neo Niterói. Ela ainda tentou fugir, mas foi ameaçada com as armas. No entanto, o veículo possuía segredo bloqueador, que fez o carro ‘morrer’.


Quando a Doblô desligou, os criminosos jogaram o carro na calçada e bateram em um poste. Foi quando os homens, então, abordaram a van escolar, que estava parada em frente ao condomínio Ventura, ainda no mesmo endereço. Segundo o motorista Jozedir Cordeiro, de 54 anos, ele ouviu um barulho alto da batida no poste e quando percebeu já estava sendo surpreendido pelos bandidos. Das seis crianças que estavam no veículo, ele conseguiu socorrer quatro, mas duas foram levadas pelos assaltantes. Elas estavam a caminho da creche Espaço Baby, que fica no Zé Garoto, em São Gonçalo.


“É uma sensação de impotência muito grande e você se sente à mercê da violência. Ser abordado por cinco elementos e não ter condições de tirar todas as crianças, é horrível. Um já embarcou no volante para tirar a van e eu já fui entrando para tirar as crianças, mas não deixaram tirar todas. É muita responsabilidade e uma dor muito grande”, emocionou-se, o motorista, que trabalha há 10 anos com transporte escolar.


Após o sequestro, a Polícia Militar foi acionada e equipe do 7ºBPM (São Gonçalo) iniciou um perseguição a van, que percorreu cerca de três quilômetros, do Barreto até a Favela da Coreia, no Pita, em São Gonçalo. A frente da operação, o comandante da unidade, o coronel Ruy França, contou que os bandidos seguiram com a van até uma rua sem saída da comunidade, ainda com as crianças dentro e, após cerco policial, abandonaram o veículo e fugiram.


“Nossa prioridade naquele momento não era a prisão deles, mas sim a vida das duas crianças que estavam na van. Os policiais foram cautelosos na ação e conseguiram trazer as duas vítimas com vida para os pais. Ficamos muito felizes pelo caso ter acabado bem, sem feridos”, afirmou o comandante.


A delegada titular da 73ªDP (Neves), Carla Tavares, colheu depoimentos das testemunhas e informou que, pelo menos, um dos cinco criminosos envolvidos na ação já foi identificado.


Pais superam momentos de desespero em reencontro


Ao reencontrar o filho na delegacia, depois de quase duas horas em poder de bandidos, a professora Vivian Oliveira, de 36 anos, só conseguiu resumir o encontro em uma palavra: alívio. Segundo a moradora de Niterói, ela só soube do sequestro após tentar contato com a creche sobre a chegada do filho e ser informada que a van não havia deixado nenhum aluno na unidade.


“Deixamos o nosso filho na van, como de costume, às 6h, em frente ao condomínio. Minutos depois, escutamos um barulho. Como a comunidade estava agitada nesta madrugada, achamos que fosse alguma coisa bem longe. Depois de um tempo, minha mãe me ligou, dizendo que viu a notícia sobre o sequestro de uma van escolar no Barreto. Aí comecei a ficar nervosa, tentei contato com o tio da van e a escola, mas sem sucesso. Quando eu consegui, a direção me disse que a van não tinha chegado e que sim, tinham levado ele”, relembra a mãe do João, de dois anos e sete meses.


Assim como no dito popular, depois da tempestade, veio a bonança: a família recebeu a notícia do resgate do veículo e do filho. Para o pai de João, o também professor Fábio Vinicius, de 42 anos, alguma intuição o dizia que o final feliz estava próximo. “A primeira palavra que eu pensei quando ele estava na van é que a misericórdia ia chegar. Vamos tentar não absorver essa energia negativa, porque temos que continuar nossa vida e, afinal, ele vai continuar estudando”, declarou.


Os pais parabenizaram a ação da PM em relação ao sequestro e questionaram o plano de segurança pública da região. Como educadores, eles afirmaram a mesma situação acontecerá com outras vítimas enquanto o projeto de prevenção de crimes continuar sendo o fechamento de escolas e o aproveitamento do espaço para abertura de um novo presídio.


“Mediante uma desvalorização tremenda dos policiais, agradeço imensamente aos PMs, que fizeram um trabalho perfeito”, afirmou Vivian.

Veja também