Ameaçado de morte após ser vítima de boatos na internet

Enviado Direto da Redação
 Motorista de Uber, Lázaro foi apontado injustamente como autor de estupros enquanto trabalhava

Motorista de Uber, Lázaro foi apontado injustamente como autor de estupros enquanto trabalhava

Foto: Filipe Aguiar


Por Renata Sena


Insatisfeito com o antigo emprego, Lázaro Bruno Soares Ribeiro, de 39 anos, viu no aplicativo Uber a chance de conquistar o sustento da família com a profissão de motorista. Casado, pai de um casal de filhos, e avô de um menino de somente um mês de vida, ele hoje tem medo de sair às ruas e não pretende voltar a trabalhar no serviço de transporte. Tudo por causa de um boato, no qual sua foto foi divulgada como autor de uma tentativa de estupro contra uma passageira.


Apesar da imagem dele ter sido compartilhada em diversos grupos e páginas de diferentes redes sociais, a suposta vítima nunca apareceu ou sequer fez uma avaliação negativa no aplicativo de corrida, que apresenta Lázaro como motorista cinco estrelas, sem nenhuma reclamação de seus passageiros. “Se a vítima existe, por que não denunciou?”, questiona.


Finalizando sua terceira semana de trabalho como motorista do Uber, Lázaro ficou sabendo do ocorrido na última sexta-feira. “Estava com uma passageira quando meu genro me ligou e disse o que tinha visto na internet. Não pensei duas vezes e segui direto para a delegacia (72ªDP). De uma hora para outra minha vida desmoronou e eu tenho medo de andar pelas ruas”, desabafou. Lázaro chegou a ser ameaçado por traficantes de uma comunidade do Fonseca, em Niterói. “Eles disseram que me matariam se eu rodasse naquela região”, recordou a vítima, que não tem conseguido dormir após o episódio.


O caso foi registrado como crime de calúnia por agentes da 72ªDP (Mutuá). Policiais da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) também investigam o caso. Todas as pessoas que divulgaram a informação que apontava Lázaro como autor de estupro serão chamadas para prestar depoimento. A mensagem, divulgada na internet, tinha os seguinte conteúdo: “Gente, esse cara da Uber quase estuprou uma amiga nossa! Ao invés de levar ela onde pediu, levou ela pra (sic) uma rua escura no Fonseca, perto da Competição móveis. Quando ele destravou as portas para outro cara que ele ligou entrar, ela se jogou no chão e correu em direção de uma casal que passava! Não peguem esse Uber. Ajudem a divulgar”.


“A internet é uma ferramenta que pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. Essas pessoas, infelizmente, escolheram acabar com minha vida com um boato sem fundamento. Não trabalho à noite. Pego minha esposa no trabalho dela e, no máximo, às 19h já estou em casa”,contou, emocionado.


Ainda de acordo com Lázaro, os amigos tentam mantê-lo forte para seguir em frente. “Eu ainda consigo seguir porque nenhum dos meus amigos e familiares duvidaram de mim. Todos que souberam estão me dando apoio”, completou.


Dívidas - Com somente 145 corridas registradas no aplicativo, no qual trabalha há menos de um mês, Lázaro disse que seu sonho se transformou em medo e insegurança. “Antes, eu trabalhava como motorista de entrega de cosméticos. Minha vida estava organizada, mas eu não estava satisfeito. Um amigo me contou do Uber e eu resolvi tentar. Vendi minha van e comprei um carro novo. Com isso, acumulei algumas dívidas, com seguro do carro, celular para instalar o aplicativo e plano de internet móvel. Ganhei apenas R$ 1,5 mil, que poderiam ter custado minha vida”, lamentou.

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