Como superar a perda do animal de estimação

Donos vivenciam luto pela perda

Enviado Direto da Redação

 

Conhecidos como o melhor amigo do homem, os cães estão presentes na maioria dos lares brasileiros. Companheiros, leais, carinhosos e divertidos, os cachorros compartilham a maioria dos momentos de alegria e tristeza de seus donos. Quando esses animais morrem ou desaparecem é motivo de muita frustração e tristeza. Os danos podem ir além e causar até depressão. Há pessoas que precisam, inclusive, de tratamento psicológico.


Vitória Cristina Correa, de 13 anos, que sofre de isquemia cerebral e sopro no coração, tinha no Manuel – um cãozinho da raça Shih-tzu – um companheiro para o tratamento. Ele foi comprado por recomendações médicas para ajudar no desenvolvimento da menina. No último dia 12 de agosto, no entanto, Manuel fugiu de casa na Rua 34 com 56, em Itaipuaçu, Maricá. Vitória abriu o portão de casa para que o cãozinho pudesse brincar com os cachorros que estavam na rua e ele fugiu.


No início, a menina deixou de comer e sentia fortes dores no peito. A mãe da menina, Débora Cordeiro Paulo, 28, tentou substituir o pet  por um cachorro da mesma raça, mas Vitória não aceitou bem a mudança e quer reencontrar seu amiguinho.


"Aqui em casa, não é mais a mesma coisa sem ele. O Manuel era tudo para Vitória. Nenhum outro cachorro supre a falta que minha filha e eu sentimos. Ela vive perguntando por ele, chega a ficar empolgada quando vê outro cachorro, mas não adianta, ela quer mesmo o nosso Shih-tzu. O dono de um restaurante em Maricá deu uma cadela da mesma raça para alegrar Vitória, mas ela ainda sente muita falta do Manuel", disse a mãe. 


Ainda segundo Débora, ela comprou uma cachorra da raça rottweiler, que se deu muito bem com Vitória, porém o pet adquiriu parvovirose e faleceu. "Ela ficou duas semanas internada, mas não resistiu. Eu fico com muita pena, pois Manuel era um amigo de Vitória, que acordava mordendo a orelha dela ou pulando em cima e nenhum outro cachorro substitui isso", explicou Débora.


Informações sobre a localização do cãozinho podem ser repassadas através dos números 9700-68371, 9944-64605 ou 9999-49776.  

 

Misto de tristeza e alegria


A design gráfico Aretha Souza Aguiar, de 30 anos, experimentou tanto a dor da perda quanto a alegria de ter de volta o Spider, um Collie de cinco anos. O pet fugiu, na tarde do último dia 9 de outubro, em Santa Luzia, São Gonçalo, e foi devolvido após uma pessoa ver a reportagem no jornal O SÃO GONÇALO três dias depois.


"Nós fizemos tudo que pudemos para encontrá-lo. Andamos o bairro inteiro, colocamos cartazes e fizemos a matéria no jornal. A pessoa que encontrou o Spider ligou para entregá-lo e meu irmão foi até a casa dele buscar. A gente até ofereceu pagar recompensa, mas ele não aceitou. Foi desesperador porque o Spider é como se fosse um filho. Eu e toda a minha família choramos muito", contou Aretha.


Spider, que foi adotado durante uma feira em Alcântara com apenas seis meses, possui um problema de pele e necessita de cuidados especiais. Segundo Aretha, esse era um dos fatos que a preocupava durante os dias que o cão ficou desaparecido.


"A gente fica em uma situação complicada, pois enquanto ele estava desaparecido, não sabíamos se ele estava sofrendo, com sede, fome ou sendo maltratado. Além disso, ele toma constantemente remédios para controlar as feridas na pele. Quando ele apareceu, todo mundo ficou muito feliz, inclusive minhas filhas", disse. 

 

Sentimento de culpa


Esses sentimentos de tristeza ou de culpa por não ter evitado o sumiço são comuns em pessoas que são donas dos pets. De acordo com a professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Cristine Mattar, se a pessoa tinha o animal como única companhia, poderá experimentar o momento como solidão. 


"Se for algo que proporcione intenso sofrimento, sugere-se que a pessoa procure ajuda profissional. Muitas vezes, somente o tempo irá amenizar, como acontece com qualquer perda. Mas se for algo que incomode muito, a pessoa poderá buscar ajuda", contou. 


Para algumas pessoas, o luto pela perda de um animal chega a ser maior do que a perda de algum parente. Cristine explica que não há nada de anormal nesse comportamento. "Assim como nem sempre se tem uma relação de afeto com parentes próximos, a qual pode ser conflituosa ou distante, pode-se também se sentir muito mais próximo de um animal do que das pessoas. E, por isso, sofrer quando este animal se vai", explica.


Esses sentimentos de muita tristeza pelo animal perdido ou morto podem gerar o preconceito de algumas pessoas, que podem não entender a dor do outro. "As pessoas que possuem pet relatam que a dor é a mesma de quando perdem uma pessoa. As que não possuem podem discordar ou achar um exagero, mas é preciso sempre considerar que as experiências são singulares. O que abala menos uma pessoa pode ser muito doloroso para a outra e vice-versa. É necessário compreender como o outro vive a perda sem julgar e sem comparar com outras experiências", finalizou Cristine.

 

Vivenciando o luto


Vivenciar o luto pela perda do animal também é importante, segundo a coordenadora dos Setores de Psicodiagnósticos e de Terapia de Família da Unidade Docente Assistencial de Psiquiatria do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Maria do Carmo de Almeida Prado. Mas a prática de adotar um animal logo após ter perdido outro vai depender da escolha de cada um.


"É importante que seja feito o luto do animal perdido. Ao se adotar outro animal imediatamente após a perda sofrida, pode-se ter a expectativa de evitar a dor da perda, sem que tenha havido tempo suficiente para elaboração do luto, o que pode afetar negativamente a relação com o novo animal. Sobretudo se você espera que ele seja como aquele que se foi. Isto vai atrapalhar o relacionamento com ele, que poderá apresentar distúrbios de comportamento. Perdas fazem parte da vida e tem-se que lidar com elas, o que depende dos recursos internos de cada um", disse Maria do Carmo. 

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