Amor perigoso: cães e gatos podem transmitir doenças ao dormir com donos

Carinho excessivo na hora de dormir

Enviado Direto da Redação
Mariana Barreto começou a dormir com Hera quando ela tinha quatro meses

Mariana Barreto começou a dormir com Hera quando ela tinha quatro meses

Foto: Alex Ramos


Dormir com os animais pode parecer uma atitude carinhosa e inofensiva, mas o que muita gente não sabe é que cães e gatos podem transmitir mais de cem doenças para os humanos. Isso é o que diz um estudo do veterinário Bruno Chomel, da Universidade da Califórnia. Segundo o especialista, cerca de 56% dos donos de cachorros deixam os animais dormir na cama. Entre os donos de gatos, o número sobe para 62%.


A estudante de Educação Física, Mariana Barreto do Nascimento, de 20 anos, é uma dessas pessoas que criou o costume de dormir com a yorkshire Hera Barreto, desde que ela tinha quatro meses. A explicação para o mimo é que Hera, atualmente com nove meses, costumava ter pesadelos.


“Ela pedia colo e chorava muito. Então, eu ficava com pena e colocava ela comigo na cama. Era quando ela se acalmava e voltava a dormir. Antes, ela dependia de mim para subir na cama, mas há um mês ela aprendeu a subir sozinha”, contou Mariana.


Ainda segundo a tutora,  quando ela precisa sair, Hera sente muito sua falta. A espera é tanta que ela pula de felicidade em todas as chegadas da estudante. “Quando vou sair, termino de me arrumar, pego a bolsa e Hera corre na minha frente, senta na porta e não deixa eu sair. Quando eu chego, ela faz uma festa, pula muito e chora até eu pegá-la no colo e dar  atenção”, disse.


Por ser uma raça de pequeno porte, Mariana assume que, constantemente, tem medo de machucar Hera quando elas dormem juntas. A cadelinha também tem um gosto peculiar: dormir na barriga da estudante.


Ao se tratar do medo da sua cadelinha transmitir doenças para ela, Mariana revela que sempre criticou quem dormia com animais pelo fato de saber de alguns riscos, mas que deixa todas as vacinações e higienização da pet em dia.


“Com ela, eu tenho a rotina de estar no veterinário. Ela é vacinada para todas as doenças e prevenida para pulgas ou carrapatos. Vira e mexe faço exames de rotina nela e os banhos acontecem de duas a três vezes na semana”, finalizou.


Inúmeros problemas para a saúde


Entre as principais doenças que os animais podem transmitir para os humanos, o professor de doenças parasitárias dos animais domésticos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dalton Mattos Junior, destaca duas que são causadas por larvas: ancilostomose e larva migrans visceral.


“A ancilostomose, conhecida também como bicho geográfico, provoca a larva migrans cutânea, causada pela penetração da larva através da pele. O verme Ancylostoma causa uma dermatite serpentiforme que pode se agravar com infecções bacterianas secundárias. Já a larva migrans visceral é causada pela ingestão acidental do ovo larvado do verme Toxocara canis, que pode ficar fixado no pelo do animal. A larva pode se instalar no globo ocular dos humanos, causando cegueira e também manifestações alérgicas e pulmonares”, explicou o professor.


Outras doenças que também são conhecidas na convivência do homem com o animal, segundo o professor, são as micoses, como a Microsporum canis. Elas são transmitidas pelos gatos e causam queda de cabelo, as famosas peladas ou alopécias; além de manchas na pele, reações alérgicas devido às picadas de pulgas ou carrapatos, sarnas e piolhos. A dipilidose, que é a ingestão acidental de pulgas,  causa irritação intestinal, prurido anal e absorção deficiente dos alimentos. E, ainda, a esporotricose, que é uma doença grave dos felinos causada por fungo. 


“A esporotricose pode atingir seres humanos causando feridas profundas na pele e lesões ulceradas. Gatos jovens também podem transmitir a toxoplasmose através de cistos nas fezes. Mas a ingestão de carne contaminada, principalmente suína e ovina, com cistos do parasito, é a fonte de infecção mais importante para o homem. A toxoplasmose pode causar aborto em gestantes, cegueira e retardamento mental em crianças que se infectaram antes do nascimento”, explicou Dalton.


Vários cuidados


As pessoas que estão acostumadas a dormir com os pets devem redobrar a vigilância. Qualquer reação que demonstre alguma patologia deve ser observada e tratada. Alguns dos cuidados indicados pelos veterinários é a educação e higiene ambiental. Entre eles, recolher as fezes dos cães durante os passeios e nos quintais, fazer check up periódico nos animais, ter cuidado com infecções durante os passeios, vacinar em dia e manter boa alimentação.


“Por mais que gostemos dos nossos animais, eles têm acesso a quintais e contato com outros animais. Isso pode comprometer a sua saúde. Banhos e tosas higiênicas periódicas sempre são boas medidas. Além disso, qualquer manifestação ou alteração no animal, o médico veterinário é o profissional capacitado para fazer avaliação”, finalizou Dalton.


A dermatologista e professora da faculdade de ciências médicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Suely Coelho da Silva Carneiro, também ensinou que os cuidados mais importantes que os donos de animais devem tomar são higienização constante e vacinação periódica.


“Os animais têm diversos parasitas que podem entrar na pele dos humanos e causar algum tipo de doença. Outro problema é o desenvolvimento de alergias de contato ou reações alérgicas, que podem ser desenvolvidas após contato com animal com sarna”, explicou a dermatologista.


Suely também acrescentou problemas psicológicos que podem ser desenvolvidos em animais e pessoas que são acostumadas a dormir junto. “Quando há esse costume de dormir junto e, por alguma razão, ele deixa de acontecer em algum dia, tanto o animal quanto o ser humano tende a ter problemas para dormir. O animal pode ficar triste e até mesmo deprimido. Mas é importante lembrar que o animal precisa estar sempre tratado para que não seja desenvolvida alguma doença”, disse Suely

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