Medo: instinto de sobrevivência e defesa dos animais

Comportamento do dono é fundamental

Enviado Direto da Redação
Fiona, de 5 anos, fica assustada quando escuta barulho de rojões e 'pede' para entrar em casa

Fiona, de 5 anos, fica assustada quando escuta barulho de rojões e 'pede' para entrar em casa

Foto: Julio Diniz


Uma preocupação dos donos de cães durante os festejos, principalmente nos finais de ano, são os famosos rojões. Isso porque o que encanta muita gente causa desconforto nos animais devido o fato de serem sensíveis a determinados sons. O professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), especializado em comportamento animal, João Telhado, explicou que o medo faz parte do mecanismo de sobrevivência e de defesa dos animais.


"É bom lembrar que o medo caracteriza-se por uma resposta proporcional à intensidade do estímulo, ou seja, um cão que tem medo de fogos de artifício vai ter mais medo de quanto mais rojões forem soltos e quanto mais próximo ele estiver de quem soltou. Não deve ser confundido com fobia, que normalmente é vista, erroneamente, como um medo exagerado. A fobia não faz parte dos mecanismos de adaptação e a reação não é proporcional ao estímulo. O pânico é sempre a resposta", explicou.


O especialista ainda contou que não se sabe o motivo dos animais terem fobias, mas entende-se o medo. No caso dos fogos de artifício, o barulho súbito causa uma resposta de fuga no cão, que o ouve na primeira vez.


"É neste momento que o comportamento do dono é fundamental. O cão tenta buscar no resto do grupo qual a reação deve ter frente a esta nova situação. Se todo o restante do grupo permanece calmo, ele logo sossegará. Se por outro lado, as pessoas pegam o filhote no colo para acalmar, elas estarão reproduzindo o comportamento de uma cadela mãe que, ao perceber uma ameaça, chama os filhotes para perto e, se necessário, os carrega para longe do perigo, ensinando ao filhote que deve fugir", contou Telhado.

 

Susto com rojões


A cadela Fiona, de cinco anos, que é uma mistura de akita com labrador, fica assustada quando escuta barulho de rojões. Sua tutora, a aposentada Sueli Soares Francisco, de 62 anos, contou que o problema começou quando a pet chegou ao lar, com seis meses.


"Ela sempre teve esse medo, principalmente nas festas de final de ano, quando o número de rojões que são soltos são mais intensos. Ela late e chora bastante, além de ficar muito espantada. Eu fico com pena. Além de fogos, Fiona também tem muito medo de fumaça", contou.


Para tentar acalmá-la, Sueli geralmente vai para o lado de fora ficar com ela ou deixa Fiona entrar em casa. "Ela já fica na porta esperando, tentando entrar. Quando abro a porta, ela sai correndo e entra. Dentro de casa, ela se sente mais segura. Quando não consegue, costuma se esconder embaixo da escada", disse.

 

Dicas do especialista


A recomendação de João Telhado é que os donos iniciem uma brincadeira com bolinha ou brinquedo de modo a associar o barulho com uma atividade extremamente prazerosa. Outra dica, no caso do animal estar sozinho, é deixar uma ‘toca’.


"Se o filhote estiver sozinho, o que já é um erro, ele pode tentar se esconder e aí a caixa de transporte ou mesmo uma caixa de papelão podem funcionar como uma toca onde ele se sentirá seguro. O lugar deve ser escuro", emendou.


Porém, quando os animais já têm medo de fogos de artifício, há outras formas de tratar o pet. Um dos métodos é mantê-lo em um quarto interno, anteriormente associado a brincadeiras, biscoitinhos e carinhos, ou seja, um local onde ocorrem coisas legais. Medicá-lo com ansiolíticos, alopáticos, homeopáticos, florais ou óleos essenciais também é outra dica do professor.


"Outro modo é tirar a sensibilidade do animal, expondo o cão ao barulho de forma gradativa. Primeiro, o barulho deve estar distante e ir aproximando-o conforme o animal se habituar e ficar calmo. É um processo extremamente lento e trabalhoso. Não funciona para cães com fobia", finalizou.

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