Paciente acusa médicos de deixarem gazes dentro do seu corpo após parto

O caso aconteceu Maternidade Municipal Mário Niajar em Alcântara

Enviado Direto da Redação
Após 20 dias com muita dor, Thilana voltou ao hospital e lá tiraram os gases de dentro do seu útero

Após 20 dias com muita dor, Thilana voltou ao hospital e lá tiraram os gases de dentro do seu útero

Foto: Felipe Aguiar

Por: Daniela Scaffo

A sonhada espera pelo nascimento do pequeno Arthur Santos Malafaia da Silva, que não tem ainda nem um mês de vida, quase virou um pesadelo para a dona de casa Thilana Santos da Silva, de 26 anos.

Moradora do bairro Gradim, em São Gonçalo, ela conta que saiu de casa no dia 14 de setembro, já em trabalho de parto, para a Maternidade Municipal Mário Niajar, em Alcântara. Por volta das 9h, a enfermeira constatou que ela estava com três centímetros de dilatação.

“Fiquei até quase 19h com três centímetros de dilatação. Só depois de todo esse tempo que me colocaram no soro para aumentar a dilatação, que subiu para 10 centímetros. Fui para a sala de parto por volta das 23h, e meu filho nasceu meia-noite, decorrente de parto normal”, contou a mãe.

Mesmo depois de todo sofrimento, Thilana ainda não sabia o que estava por vir. Ela contou que, enquanto estava tomando os pontos cirúrgicos, apesar de ter tido parto normal, os enfermeiros a colocaram na maca e correram com ela para a sala de cirurgia.

“Eu só escutei os enfermeiros discutindo. Estavam nervosos dizendo que era para todo mundo fazer o mesmo relatório. Depois tive duas paradas cardíacas e não me lembro de mais nada. Minha mãe me contou que um médico teria explicado que o meu filho rasgou meu útero e que, por isso, eu teria tido uma hemorragia”, explicou Thilana.

A Prefeitura de São Gonçalo informou, através de nota, que “durante o período expulsivo, a paciente teve uma laceração vaginal e de períneo, sangrou muito, fez hemotransfusão, foi suturada e o médico deixou um tampão vaginal para controle do sangramento. A paciente já está bem, fez ultrassom e está tudo ok”.

Internação durou 15 dias 

A mãe ficou no hospital durante 15 dias, devido ao fato do bebê ter tido uma infecção urinária e ter precisado ficar internado.

“Eu dizia que estava com fome, mas me informavam que iam ver se eu poderia comer e nunca resolviam. Não me davam atenção. Minha irmã que teve que correr atrás para mim, para ver se me davam algum tipo de alimento. Fui transferida para a enfermaria uma semana depois do parto. Sentia muitas dores, mas só quiseram me dar remédio para amenizar no sábado, domingo e segunda. Depois disso, disseram que eu estava de alta e que, por isso, não iriam mais me medicar”, informou.

Só depois de 20 dias, durante uma consulta de revisão no mesmo hospital, que Thilana descobriu que um tampão e gazes, material já apodrecido, teria sido deixado em seu útero.

“Eu estava sentindo muitas dores e pensei que fosse por causa dos pontos. Na consulta, o médico puxou algo e eu gritei de dor. Ele ainda tentou esconder da minha mãe, que entrou na consulta comigo, mas não conseguiu. Um tampão e gazes estavam há 20 dias dentro do meu útero. Se minha mãe não tivesse comprado remédios para dor para mim, eu estaria toda infeccionada por dentro”, finalizou Thilana.

Veja também