Sem fiscalização, mercado pirata avança pelas ruas de Alcântara

Lojistas, pedestres e ambulantes regularizados sofrem com a desordem e sujeira

Enviado Direto da Redação
Os camelôs tomam conta do calçadão de Alcântara, Estrada Raul Veiga e embaixo do viaduto

Os camelôs tomam conta do calçadão de Alcântara, Estrada Raul Veiga e embaixo do viaduto

Foto: Leonardo Ferraz

Por Daniela Scaffo

Barracas espalhadas pelas ruas, camelôs irregulares ocupando as calçadas e acesso às lojas e pedestres atravessando entre os carros. Esses são apenas alguns dos problemas enfrentados, diariamente, pelas pessoas que visitam Alcântara, em São Gonçalo. Segundo o presidente da Associação Comercial, Empresarial, Industrial e Rural de Alcântara (Aceira), Fabiano Rodrigues, as lojas do bairro tiveram uma perda de cerca de R$400 milhões em vendas, no ano passado, por causa do caos urbano.

Segundo Fabiano, o prejuízo é em função da desordem urbana de Alcântara. Ele explicou que os clientes em potencial estão deixando de ir até ao bairro como costumavam. “Nós somos um dos cinco centros comerciais mais fortes do Rio de Janeiro e estamos sendo prejudicados por causa da falta de fiscalização. Com a crise, a gente entende que as pessoas precisam trabalhar, mas elas também precisam estar legalizadas. O slogan de José Luiz Nanci era ‘Bora Mudar de Verdade’, mas São Gonçalo só está piorando de verdade”, disse Fabiano.

O presidente da Aceira ainda contou que, mesmo com a existência da Subsecretaria de Fiscalização e Posturas, a associação encontra dificuldades de fazer contato com os responsáveis. “Nós, da associação, cobramos muito da secretaria. Então, eles passaram a não nos dar retorno. Há barracas embaixo do viaduto, que é ilegal até mesmo pela Constituição Federal. E na entrada do calçadão há grandes tendas, que dificultam a travessia das pessoas. O Shopping Popular, que é realidade em todos os municípios, seria a solução. É importante que os camelôs tenham um local deles, organizado”, explicou.

Um lojista, que preferiu não ter sua identificação revelada, contou que, há cerca de dois anos, uma barraca irregular ocupou a calçada de seu comércio, atrapalhando o ir e vir dos clientes. “A gente não sabe com quem está lidando. Então, não podemos nem mesmo reclamar com essas pessoas, com medo de represálias. A subsecretaria que deveria tomar uma providência”, informou.

Um público que também não está satisfeito é o de camelôs regulamentados pela prefeitura. Um deles informou que a falta de padronização e barracas irregulares está deixando a cidade com aspecto ruim. “Nós, que somos moradores de São Gonçalo, temos o direito de trabalhar aqui. A maior parte dos camelôs irregulares mora em outros municípios, não pagam as taxas que pagamos e ainda prejudicam nossas vendas”, declarou um ambulante.

Um outro camelô também relatou a dificuldade das pessoas transitarem pelas ruas por causa da quantidade de barracas sem regulamentação. “As barracas da Rua da Feira, regulamentadas, têm um padrão de tamanho. As que são irregulares ocupam um espaço muito maior e atrapalham o fluxo de pessoas. As pessoas que deveriam passar pelas calçadas, passam pelas ruas, entre os carros, porque as barracas ocupam as áreas destinadas a pedestres”, informou um camelô, que preferiu não se identificar.

Dados – Segundo dados estimados pela Associação Comercial, Empresarial, Industrial e Rural de Alcântara, a Rua João Caetano, mais conhecida como Rua da Feira, perdeu cerca de 70 lojas nos últimos anos. A estimativa é que, com esses fechamentos, aproximadamente 500 vagas de empregos tenham sido fechadas.

“Muitos estão saindo daqui e abrindo lojas em outros bairros porque não encontram em Alcântara, nem limpeza e nem organização. Cerca de 40% desses fechamentos está relacionado ao comércio informal”, informou Fabiano.

Atualmente, Alcântara mantém 2,1 mil pontos de atividades econômicas. A Aceira estima que sejam 18 mil empregos diretos mantidos pelas lojas. A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Gonçalo informou que realiza ações constantes nos principais pontos da cidade, como Alcântara e Centro. As ações tem como objetivo fiscalizar os ambulantes legalizados e intimar quem estiver usando o espaço de forma indevida. As pessoas que estão irregulares também estão sendo cadastradas para receberem vaga assim que possível.

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