Apada/SG passa por dificuldades

Funcionários da associação estão com salários atrasados

Enviado Direto da Redação
Maria Aparecida Boechat lamenta a atual situação e faz manobras para manter a associação

Maria Aparecida Boechat lamenta a atual situação e faz manobras para manter a associação

Foto: Leonardo Ferraz

Quem vê o sorriso no rosto do profissional durante o atendimento nem imagina as dificuldades que ele enfrenta nos bastidores. Assim tem sido a rotina de quase 20 funcionários da Associação de Pais e Amigos de Deficientes da Audição (Apada) de São Gonçalo. A falta de repasses inseriu a instituição em uma crise financeira sem precedentes e obrigou a direção a buscar na solidariedade da população gonçalense uma alternativa para manter o funcionamento.

Os problemas começaram em 2015, quando a Fundação da Criança e do Adolescente (FIA), vinculada ao governo estadual, suspendeu o investimento periódico. Desde então, a associação tem sobrevivido com recursos enviados pelo governo federal e por verbas municipais. Em 2018, no entanto, os valores da União previstos para janeiro atrasaram.

“No mês passado, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social nos repassou uma verba que quitou os salários de novembro. A dívida referente a dezembro, nós esperávamos pagar com o dinheiro do governo federal, porém sequer temos previsão do envio desse recurso. Tivemos que aderir a um rodízio de profissionais porque não há como custear o transporte de todos os profissionais”, lamenta Maria Aparecida Boechat, presidente da Apada desde 1994.

Referência na preocupação com acessibilidade, a instituição oferece assistência multidisciplinar também a crianças e jovens não surdos, de cinco a 21 anos. São 215 os assistidos com atividades direcionadas a dificuldade de aprendizagem e distúrbio de comportamento. Outros 68 deficientes auditivos, de idades diversas, estão entre os beneficiados. O quadro de profissionais presta atendimento de fonoaudiologia, psicologia e psicopedagogia, além das oficinas de capoeira, leitura, artes e informática.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social informou que o convênio com a Apada e outras sete instituições de assistência social foi renovado, em julho de 2017, com aumento de 30% nas verbas, porém o repasse realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social ainda não teria sido realizado. Ainda segundo a assessoria, o secretário Marlos Costa realiza reuniões para normalizar o envio de recursos. A assessoria de imprensa do Ministério, por sua vez, esclareceu que os repasses do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) direcionados a São Gonçalo estão em situação regular e que o município não apresenta nenhum atraso no pagamento das competências do exercício 2017 dos Blocos de Financiamento da Proteção Social Básica e Proteção Social Especial de Alta Complexidade e da Média Complexidade.

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