Drama da taxa de lixo continua em São Gonçalo

Contribuintes estão protocolando pedidos de revisão

Enviado Direto da Redação
O gari Carlos Gabriel da Cruz reclama do valor cobrado e das péssimas condições da rua onde mora

O gari Carlos Gabriel da Cruz reclama do valor cobrado e das péssimas condições da rua onde mora

Foto: Leonardo Ferraz

Contribuintes de São Gonçalo estão se mobilizando para contestar o valor total da cobrança do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), que pela primeira vez sofreu uma mudança no Código Tributário do município fazendo com que, teoricamente, quem produza mais lixo pague mais pelo serviço. O cálculo do valor da taxa de limpeza urbana foi modificada em junho do ano passado, após a Câmara dos Vereadores aprovar uma mensagem executiva do prefeito José Luiz Nanci, o que onerou muito o imposto dos gonçalenses.


Por conta deste aumento, considerado abusivo, os contribuintes estão protocolando na Secretaria de Fazenda pedidos de revisão. Esse é o caso do aposentado Satalin Netto, que revelou ter tomado um susto quando recebeu seu carnê. Morador do Jardim Alcântara, ele conta que tem uma loja fechada no mesmo endereço de seu imóvel e, mesmo assim, viu seu IPTU saltar de R$ 400 para R$ 1,2 mil.


“Não sei como foi feito esse cálculo absurdo. Meu IPTU consta como residência. É injusto pagar tão caro por uma coleta de lixo que nem recebemos. Esse valor precisa ser revisto para que muitos não deixem de pagar”, contou.


A mesma indignação é vivida pelo gari Carlos Gabriel da Cruz, de 57 anos, morador da Rua Cipriano Barata, no Coelho. Ele contou que faz questão de pagar seu IPTU em cota única, mas mesmo assim, em seu bairro falta tudo.


“Minha rua não tem pavimentação, o valão não é dragado, não tem iluminação e a coleta de lixo nem sempre tem regularidade. Mesmo assim, a prefeitura aumentou meu IPTU em 33%. Sou muito correto com minhas contas e pago sempre em conta única, mas a consideração desse governo não é recíproca”, reclamou.


Morador do Jóquei o açougueiro José Roberto Montes, 58 anos, disse que recebeu IPTU até de uma casa demolida.


“No meu quintal tinham cinco casas, mas uma foi demolida. Hoje, temos apenas quatro e mesmo assim recebemos a cobrança do imóvel que nem existe mais. Além disso, tive um aumento de R$ 100 na cobrança. Acho isso um abuso do governo. Como cobram uma taxa de lixo tão alta se a cidade nem coleta tem direito?”, questionou.


A Secretaria de Fazenda informou que cerca de 600 processos já estão em fase de revisão e que, devido à demanda, o setor não está dando estimativa exata de prazo para a análise dos processos, pois depende da quantidade de reclamações que chegam diariamente.

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