Longas filas dificultam a matrícula na rede pública estadual em São Gonçalo

Muitos pais passaram a noite na porta das unidades

Enviado Direto da Redação

Foto: LEONARDO F


As vésperas do início do ano letivo na rede estadual de ensino, o que se tem é muita indefinição, tanto para alunos como para professores. Se dê um lado os estudantes não estão conseguindo vagas, de outro, os docentes também encontram dificuldades para saber em qual unidades de ensino vão lecionar. E a razão para tal problema seria a mesma, o enxugamento de turmas do segundo-seguimento, nas escolas estaduais.


Na manhã de ontem, a equipe de O SÃO GONÇALO, esteve nas principais escolas da região e flagrou grandes filas de pais de alunos que buscavam garantir o direito a educação dos filhos.


Segundo os pais, o site Matrícula Fácil, disponibilizado pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), não funcionou e os estudantes não conseguiam completar o cadastro.


Para que seu filho tivesse o direito de estudar no Instituto de Educação Clélia Nanci, a professora Joana Rodrigues, de 49 anos, chegou na unidade às 3h40 e lá encontrou outros pais, que haviam chegado às 22h do dia anterior. “Desde quando abriram às vagas online estamos tentando. Não tinha vaga nenhuma para o sexto ano, perdemos noites e noites na busca. Soube que seriam feitas matriculas para as vagas remanescentes na unidade e cheguei de madrugada. Aqui, soube que só havia duas vagas para o 6º ano. Estou bastante indignada com isso. È uma falta de respeito com o cidadão. Educação é um direito de todos”, disse.


Moradora do bairro do Luiz Caçador, a técnica de enfermagem Evanilde Lima,de 56 anos, buscava uma vaga para seu filho.


“Hoje deixei de trabalhar para tentar uma vaga aqui. Ele fez o primeiro cadastro e deu tudo certo. Na segunda fase, a inscrição não completava. Tentamos muito e não conseguimos. Hoje cheguei às 6h e espero sair com a vaga dele garantida”, explicou. No Colégio Estadual Santos Dias, em Neves, o problema foi o mesmo. O motorista Francisco José Alves, de 62 anos, chegou às 5h para garantir que sua filha estudasse no 9º ano. Por conta da crise, Francisco teve que buscar uma escola pública pra a menina.


“Tentamos esse cadastro proposto pela Secretaria de Educação, mas não aparecia nenhuma opção de escola. Cheguei aqui e ainda estava escuro. Fiquei surpreso ao me deparar com outros dez pais na mesma situação”, afirmou.


Sepe - Para a diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria do Nascimento, as filas nas portas das escolas são um retrocesso para educação.


“O que vimos hoje foi uma atraso de 20 anos. Há algum tempo estamos chamando a atenção para essa Matricula Fácil, que não é nada fácil. O município não tem condição de absorver todos esses alunos e muitos estão correndo riscos de ficar sem escola”, afirmou. Maria contou que os diretores do Sepe estão buscando incessantemente discutir essa situação.


“Tem que ter um investimento forte na educação. Esses pais trabalham e não podem perder seu dia para ficar em filas. Educação é um direito e precisa ser respeito”, ressaltou.


Professores – Além dos estudantes, muitos professores estão com dificuldades de se alocar nas unidades de ensino. Segundo os professores, o governo do estado só abre novas turmas com, no mínimo, 45 alunos. Com isso, as turmas existentes estão superlotadas e os profissionais de educação estão tendo sua carga horária reduzida. Apesar de todas as reclamações, a Secretaria Estadual de Educação informou que as matrículas para vagas remanescentes na rede começam amanhã. Os alunos que perderam o prazo devem ir diretamente à unidade de ensino verificar a disponibilidade de vagas. Amanhã (3) O Sepe realizará uma assembléia para discutir essas questões às 11h, no Instituto De Educação, na Rua Maris e Barros, na Praça da Bandeira.


A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) negou que tenha havido problema no site "Matrícula Fácil" e não teria chegado ao órgão "nenhum tipo de situação divergente em dezembro e janeiro, meses em que transcorreram o processo de matrículas". 


A Seeduc informou ainda, através de nota, que os diretores das escolas e as diretorias regionais elaboraram e aprovaram um planejamento, entre setembro e outubro do ano passado, com o número de vagas e matrículas disponíveis para o ano letivo de 2018, de acordo com a disponibilidade de alunos e turmas.


Por último, a Seeduc garantiu que "nenhum aluno que queira estudar na rede pública estadual de ensino ficará sem vaga neste ano letivo". 


Veja também